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Literatura Poesias Cordel Amor de Perdição Vestibular1

Literatura Poesias Cordel Amor de Perdição

 

Literatura Poesias Cordel Amor de Perdição

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Literatura Poesias Cordel Amor de Perdição

 

Cordel Amor de Perdição
Pelas mãos da ignorância
Famílias vivem brigando
Não imaginam o mal
Que aos filhos tão causando.

Em um clima de pendenga
Viviam Albuquerques e Botelhos
Eles não se entendiam
Nem aceitavam conselhos.

Na família Botelho
Tinha o jovem Simão
Sua índole explosiva
Punha-o sempre em confusão

Seu pai mandou-lhe a Coimbra
Com o intuito de estudar
Porém o jovem Simão
Não sabendo aproveitar
Retornou para Viseu
Pois só para variar
Em confusão se meteu.

Retornando a Viseu
Em seu quarto se trancou
Conheceu então Teresa
Por quem se apaixonou
A partir de então Simão
Em outro se transformou.

Os dois se conheceram
Da sacada da janela
Para ele, ela era um anjo
E ele era o anjo dela.

Teresa era uma Albuquerque
Imaginem a confusão
Que ela e o jovem Simão
Arrumaram ao coração
O que os seus pais diriam
Desta singela união?

Nosso ingênuo casal
Continuaram se amando
Sonhavam casar-se um dia
E o futuro iam planejando

Durou somente três meses
Este amor às escondidas
Até que um dia Teresa
Pelo pai foi surpreendida

Ele ficou furioso
Ameaçou então Teresa
Que a mandaria ao convento
Onde iria ficar presa

Através de um bilhete
Simão fica então sabendo
Que mandá-la ao convento
O pai dela está querendo

Depois deste episódio
Simão pra Coimbra vai
Não porque ele queria
Foi imposto por seu pai.

Sua irmãzinha Rita
De Teresa torna-se amiga
Conversam secretamente
Para evitar intriga
Porém Domingos Botelho
O pai do jovem Simão
Flagra as duas conversando
Ela então delata o irmão
Fica muito chateada
Mas não pode fazer nada.

O pai de nossa heroína
Planeja a filha casar
Chama então a Viseu
Seu sobrinho Baltasar
Teresa renega o primo
E diz-lhe a outro amar

Sentindo-se ofendido
Jura opor-se a relação
Substituindo seu tio
Nesta ditosa função

O tio também ofendido
Em seu direito de pai
Decide então que Teresa
Para o convento vai.

Tadeu de Albuquerque insiste
Que sua filha vai casar
Trama a cerimônia em segredo
Com o garboso Baltasar
Novamente Teresa se nega
E mandando uma carta a Simão
Conta-lhe a situação.

Simão aluga um cavalo
E volta então a Viseu
Hospedando-se na casa
De um grande amigo seu

João da Cruz é esse amigo
Homem simples, ferrador
Tem uma filha, Mariana
Criada com muito amor.

Uma solene festa
Albuquerque estava dando
E pra toda sociedade
Ia Teresa apresentando

Baltasar estava cuidando
Daquela menina-criança
Porém Simão foi à festa
Ainda cheio de esperança

Simão e nossa Teresa
Foram ao jardim se encontrar
Apareceu então Baltasar
E pôs-se a ameaçar.
Simão retirou-se então
Foi pra casa de João.

Na casa do ferrador
João diz ao nosso herói
Que Baltasar é perigoso
E que a vingança o corrói

Simão sai pra ver Teresa
Está com saudades demais
João vai junto com ele
Pra tentar manter a paz

Porém Baltasar Coutinho
Que era uma lacraia
Esperava-os no caminho
E os pegou numa tocaia

Começaram a brigar
Simão ferido ficou
E seu amigo João
A dois homens matou.

Para a casa de João
Simão então foi levado
Por Mariana, sua filha
Ele seria cuidado
E aos poucos pela menina
Simão foi sendo amado.

Enquanto isso Teresa
Ficou num convento em Viseu
Muitas cartas pra Simão
A heroína escreveu

Com uma freira bondosa
Amizade ela criou
E suas cartas a Simão
Essa freira entregou

Simão escreveu em resposta
Às súplicas de seu grande amor
Quem entregou suas cartas
Foi o amigo ferrador

Teresa foi enviada
Pra cumprir sua triste sina
Para Monchique escoltada
Levaram nossa menina

Tão logo a comitiva
Colocou-se na estrada
Simão os interrompeu
Queria ver sua amada

Baltasar postou-se à frente
E logo o ofendeu
Simão com sua pistola
Nele um tiro deu
E caindo ao chão
Baltasar logo morreu.

Simão não fugiu não
Foi preso em flagrante
Mariana que o amava
Tentou lhe ser confortante

Alimentava-o todo dia
Mandou mobília à sua cela
Fez tudo o que ela podia
Pelo amor da vida dela

Saiu a triste sentença:
Pela mulher que amava
A morrer numa forca
Simão condenado estava

Ao receber a notícia
Mariana que o adorava
Teve um ataque de loucura
Muito mal ela estava.

O pai de nosso herói
Tendo muita influência
Conseguiu junto à justiça
Mudar a sua sentença

Dez anos lá na Índia
Simão então passaria
Mariana já curada
O acompanharia.

No convento de Monchique
Tereza permanecia
Escreveu carta a Simão
Disse que também morria

Ao saber que mudaram a sentença
Melhorou sua doença
Mas não foi suficiente
Pra deixar de estar doente

Relendo todas as cartas
Que ambos tinham trocado
Juntou-as uma a uma
Num pacote amarrado
Pediu à criada Constança
Que entregasse ao amado.

Para a cidade da Índia
Simão então foi embarcado
Teresa lá do mirante
Acenou ao seu amado
Dava o adeus derradeiro
Ao seu amor primeiro

Sabendo da morte dela
Simão teve febre e delírio
Depois de nove dias
Findou então seu martírio
Ele morreu por amar
E seu corpo jogariam ao mar

Mariana que estava ali
Ao lado do amado seu
Abraçou-se ao corpo dele
E com ele então morreu.

De tudo que há no mundo
Nada nos causa mais ânsia
Que o fim de um grande amor
Pelas mãos da ignorância

Três pessoas morreram
Por terem grande afeição
Por amarem em exagero
Foi um AMOR DE PERDIÇÃO

Literatura Poesias Cordel Amor de Perdição

Autora: Edmeura Maria Alves

 

Publicado em:Turbinando

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