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A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II

 

Continuação do resumo de A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II

É transferido, portanto, para o curso Filtro, que realizou um estrago terrível. Em sua cabeça é enfiado um filtro, que controla a saída de pensamentos da ave. Mas a torneira pifou, por isso havia momentos em que, fechada, segurava o pensamento do Pavão, fazendo-o repetir as frases de quem conversa com ele e obedecer piamente todo e qualquer tipo de ordem. No entanto, havia instantes em que ela abria. Então voltava a ser a ave de outrora, de olhar vivo, determinado. Mas estes últimos eram momentos raros.
“Lobotomizado”, acaba escapando dos seus donos num momento em que a torneira havia aberto. É quando encontra um marinheiro, João das Mil e uma Namoradas. Convida-o para viajar em seu navio. A ave aceita, mas percebe que foi ludibriada, primeiro porque iria ter de viajar escondida, embaixo da cama do homem. Segundo, porque iria ter de dar penas para que o galanteador adulasse suas namoradas. Protesta, mas, como de repente a torneira havia fechado, é derrotado.
Iniciam-se tempos de penúria. A cada porto o marinheiro tinha uma namorada. A cada porto, uma pena a menos. Preso, explorado, perde a vontade de viver. No final, depenado, acaba abandonado num porto.

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II: Conhece então um veterinário, que cuida dele até que se torna novamente dotado de uma beleza vultosa e rara. Vende-o para um zoológico. Mais uma vez, a exploração.
Acaba sendo roubado pelo vigia do zoológico. Queria usar a ave como destaque de escola de samba e garantir um lugar na bateria, sua grande paixão, mas que a idade avançada estava impossibilitando. Mais sofrimento, pois o vigia e seus vizinhos, pobres, não têm como alimentá-lo direito. Além disso, fica preso na solidão do barracão, tendo apenas as velhas fantasias do senhor como companhia.
Um dia, a velhice fala muito mais alto. O Pavão já não é mais garantia de lugar na bateria. Dispensado, pensa em devolver a ave, mas acaba, atendendo a um anúncio de jornal, vendendo a ave para uma casa grã-fina. Servirá de enfeite para o jardim da família tão preocupada com ostentação.
Mais tempo de solidão. Mas é quando conhece a  (usava esse traje para disfarçar que era vira-lata e diminuir as chances de ser enxotada). Morava no porão da mansão, lugar em que acabavam esquecidos os objetos antigos dos grã-finos, mas que garantia enorme felicidade à felina, principalmente o pequeno feixe de luz de sol que a janelinha de ventilação do cômodo permitia (é incrível a simplicidade das personagens encontrarem felicidade em coisas tão simples). Apaixonam-se.

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II: No entanto, o terreno da mansão é vendido. O Pavão é engaiolado, mas ainda consegue ver as máquinas colocando a casa abaixo. Sofre ao imaginar a possibilidade de que a casa tinha sido demolida sem que a gata tivesse chance de escapar.
Consegue safar-se da gaiola. E começa sua andança em busca da Gata de Capa. É quando se encontra com Alexandre. Juntos, conseguem se virar com apresentações artísticas entre o povo, conseguindo trocados.
É num desses shows ao ar livre que conhecem Vera. À primeira vista, não é uma personagem sofredora como as outras duas, pois tem família bem estabelecida, dona de propriedades, frequenta escola. Mas sua vida regrada, com uma mãe obcecada por relógio, acaba por qualificá-la como uma coitada adaptada ao stablishment.
Seduzida por Alexandre – muitas vezes admiramos quem na realidade tem um ideal de vida bem diferente do nosso –, Vera consegue manter o menino no sítio da família dela. Ouve as histórias do garoto, enquanto lhe dá comida.
Mas é uma situação que foge aos padrões, mesmo o menino dormindo na casa de ferramentas. Um dia, é forçada a dispensá-lo, pressionada pelos pais. A alegação era a de que ele era um à toa. Ofendido, alega que não era um garoto largado, pois tinha um rumo: ia para a casa da madrinha. Premida pela raiva, joga na cara que toda aquela história era uma invenção do Augusto.

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II: A reação de Alexandre é quase fulminante, sendo controlada quando tem noção de que aquilo não era opinião dela, mas dos pais da menina, adultos. Ficaria preocupado se a amiga encampasse essa tese (fica caracterizada a ideia de que nós adultos perdemos a capacidade de aceitar, entender e embarcar na felicidade de certas fantasias).
Decide, talvez inspirado pelas condições daquela situação limite de despedida, apelar para sua fantasia. Com a ajuda de sua amiga, inventam um cavalo, o Ah!, no qual galopam (há belíssimas simbologias aqui. Em primeiro lugar, a ideia da fantasia como forma de encarar e superar a realidade. Além disso, o fato de ser uma imaginação a dois, além do próprio nome do cavalo, sugere que haja aqui uma iniciação sexual, ou pelo menos iniciação sensual). Saltam a temida cerca e mergulham na escuridão. Vencem o medo dela por meio do desenho que se dedicam a fazer com um pedaço de giz, dando a entender que a arte, a criatividade é alavanca que elimina obstáculos.
Descobrem, ao sair da escuridão, o caminho para a casa da madrinha. É a saciedade de todos os desejos. Lá está a maleta desaparecida da professora. Lá também está a Gata de Capa. E chega o tão amado irmão Augusto. É o clímax da felicidade (o melancólico é que é realizada no plano da fantasia, ou da introjeção de sentimentos.

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II: Talvez o aspecto positivo esteja no fato de essa introspecção servir de combustível para os desafios árduos de nossa existência). Exploram a casa e também os seus arredores. A alegria de viver a infância é recuperada.
No entanto, enquanto todos dormiam de cansaço, Vera, de mentalidade já cristalizada (aproveitamos a expressão de Monteiro Lobato, que dizia que a vantagem da criança é que ainda não estava com a mente cristalizada por ideias pré-concebidas como os adultos, o que as permitia pensarem, agirem, viverem melhor. Mas, como se perceberá, em Vera o sistema educacional funcionou perfeitamente. Não consegue por muito tempo desapegar-se de suas obrigações. Já está corrompida por seu meio), assusta-se, pois já deviam ter passado ali muito tempo. Mas o relógio da sala não dá a hora correta e o relógio de pulso da garota havia parado (a ausência do tempo torna mais mítico e mágico o espaço em que estão). Preocupada com as tarefas escolares e com a reação dos pais, resolve partir na surdina, pois não quer que os outros se privem de tamanha felicidade. Mas o escândalo de uma janela rancorosa acorda todos. Resolvem partir com ela, o que a deixa um tanto frustrada.

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II: Pulam novamente a cerca, mas já não há mais Ah!, muito menos Augusto. No plano da realidade, tudo é mais árido, frio. Não há mais espaço para os dois. Vera crescerá enriquecida por aquela experiência. Que espécie de adulto será? Alexandre e seu Pavão seguem seu caminho de volta para a residência mágica.
Nota-se, pois, que A Casa da Madrinha é uma obra que não imbeciliza o seu leitor, tornando-o passivo, já que força sua intensa participação na interpretação e na busca de elementos que se reflitam em sua própria existência, tudo numa linguagem deliciosamente coloquial, autêntica, ágil e vazada de aspectos psicológicos. Todos esses itens, além da narrativa não-linear, tornam a obra um biscoito fino (parodiando Oswald de Andrade) que não só se põe acima da média Literatura Infantil e Juvenil, mas que acaba por valorizá-la.

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Apostila de Linguagens para o Enem (Material de interpretação voltado para o ENEM)

A Casa da Madrinha de Lygia Bojunga Nunes II

Publicado em:Resumos de livros

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