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A Flor e a Náusea II

 

Continuação do resumo A Flor e a Náusea – parte II

A Flor e a Náusea II
Deve continuar agindo dessa forma até não mais suportar, buscando desculpas para isso “posso, sem armas, revoltar-me?”, ou deve vomitar tudo o que faz mal?
Percebemos aqui uma aproximação da filosofia de Nietzsche, que coloca que o “vomito é o alívio para o corpo e o espírito”, ou seja, não se deve ficar nauseando, insatisfeito, por medo de uma atitude, mas sim lançar-se à luta, mesmo que seja difícil, mesmo que o tempo não tenha chegado à completa justiça. Drummond apresenta uma rápida interrogação metalinguística, pois se sabe que é pela literatura que o ser humano se liberta das condições externas.
Questiona a autonomia dos valores estéticos que não deveria constituir uma normatividade nem do sujeito, nem do objeto, mas deveriam buscar essencialmente a mensagem. O poeta não se coloca em ação simplesmente para cumprir uma tarefa literária, mas pela necessidade de representar uma realidade tal como é, mesmo sórdida e triste.

A Flor e a Náusea II: A própria poesia (“a poesia contemplada”) Tematização da própria poesia, a criação artística, o fazer poético: trata-se de uma atitude metapoética a metapoesia. A poesia de Drummond começa a buscar novos rumos, afastando-se de uma primeira linha modernista – onde tudo é assunto de poesia – a que o poeta aderira, em parte nos seus primeiros livros.
Abandonando, de certa forma, o individualismo, sempre movido pelo desejo de autossuperação e de integração com o mundo, prossegue no caminho do questionamento e da busca, fazendo da palavra o seu campo de pesquisa.
A poesia se torna, então, um instrumento de luta e de combate, cujo alvo são as palavras, a quem busca dominar (“O lutador”). Estas passam a ser vistas como instrumento capaz de expressar sua angústia e questionamento; ou ainda como meio de domínio do mundo suas forças.

A Flor e a Náusea II: A luta, contudo, se revela desigual: “São muitas, eu pouco./ Algumas tão fortes com javali. / Luto corpo,/ luto todo tempo, / sem maior proveito/ que o da caça ao vento”. E isto dá ao poeta frustração e tédio. Não obstante, ele prossegue seu caminho, não propriamente de luta, mas de busca. Move-o a “procura da poesia”, encarada como força capaz de levá-lo à contemplação. A poesia, concretamente concebida, é palavra, se faz com palavras. O ser poeta se explica, na medida em que lhe dá a possibilidade de penetrar “surdamente no reino das palavras: / Lá estão os poemas que esperam ser escritos. / Estão paralisados, mas não há desespero, / há calma e frescura na superfície intacta”.
Esta atitude contemplativa funciona para Drummond como uma espécie de repouso, ausência de sofrimento, ou ainda meio decifração do segredo da coisas.
Sob este aspecto, em parte se aproxima de uma visão cristão do universo, segundo a qual tudo se fez com o verbo e nele reside a explicação e o sentido do mundo e dos seres.
Contemplar as palavras , ser capaz de lidar com elas, em um estado puro, para só aí compor o poema, seria uma forma de nomear os seres , atingem seu significado profundo e assim, compreendê-los. Outras poesias: Brinde no banquete das músicas, Oficina irritada, Poema orelha e Conclusão.
Exercícios lúdicos (“uma, duas argolinhas”). A poesia que se sobressai-se nesta seção é: “Caso pluvioso”em que o poeta brinca surrealistamente, criando humor um “chuvihenta maria” e uma chuva de neologismos: “A chuva me irritava. Até que um dia / descobri que maria e que chovia. //(…) Ela chovia em mim, em cada gesto, / pensamento, desejo, sono, e o resto. “chuvadeira Maria, chuvadonha/ chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!”Outras poesias: sinal de apito, política literária, os materiais da vida e Áporo.

Tentativa de exploração e de Interpretação de estar-no-mundo. Uma poesia de caráter filosofante, é o questionamento do mundo. Já em “José”, o poeta manifestara esta angustia metafísica, se perguntando através da personagem, para onde ele próprio caminhava: você marcha, José! / José, para onde?”nesta interrogação, dirigida a um outro que não é senão ele próprio, e, onde através dele, toda a humanidade, Drummond se pergunta sobre o sentido do homem e de seu estar-no mundo.

A Flor e a Náusea II: O desejo de penetrar “a total explicação da vida” (“a maquina do mundo”) já não e tão aguçado, a ponto de penetrar a contemplação do ministério que lhe é oferecida. É que a consciência se aprofundou, levando-o a perceber que “nada basta, / nada é de natureza assim tão casta / que não macule ou perca a própria essência / ao contato furioso da existência” (“relógio do rosário”). Com seu modo de ver e de sentir, pouco a pouco, através do próprio exercício poético, o poeta atinge a sabedoria.
Agora percebe que “A madureza sabe o preço exato dos amores, dos ócios, dos quebrantos, / e nada pode contra sua ciência / e nem contra si mesma. O agudo olfato, / agudo olhar, a mão livre de encantos, / se destroem no sonho da existência” (“A ingaia ciência”).
Neste aprendizado sofrido, o poeta alcança , de algum modo, a paz, na medida em que aceita a própria condição de ser de si, do mundo e dos outros.
Outras poesias: No meio do caminho, Cantiga de enganar, Canto esponjoso, Especulações em torno da palavra homem, Elegia, etc…

Leia a biografia de Carlos Drummond de Andrade
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A Flor e a Náusea II

Publicado em:Resumos de livros

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