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A Hora e a Vez de Augusto Matraga II

 

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A Hora e a Vez de Augusto Matraga II de João Guimarães Rosa
Outra simbologia, que faz lembrar a Bíblia, está no fato de os inimigos convencerem-se de que Matraga havia morrido porque os urubus estavam rondando o local de sua queda, já que lá havia, na verdade, morrido um bezerro. Pode-se aproximar Augusto ao animal, na medida em que este faz lembrar a seita primitiva e desregrada condenada por Moisés, em nome de um novo Deus. Era o mesmo que o protagonista estava fazendo. Aliás, ter sido descoberto no fundo do abismo por um casal de pretos velhinhos indica a ressurreição, outro elemento bíblico. Augusto morria para nascer de novo.
Como já se disse, a personagem principal é resgatada e cuidada. Dias inconsciente. Voltando a si, e conhecendo sua situação, deseja a morte. Uma pergunta, nesse ponto, sai da narrativa e chega ao leitor: com tanta desgraça, por que Augusto Matraga não havia morrido?
Com o tempo, o protagonista reconquista a paixão pela vida.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga II: Os meses que passa recuperando-se das feridas e fraturas (uma delas exposta) equivalem a um período de incubação para o nascimento de um novo homem, o que se torna nítido com o arrependimento de seus pecados, a absolvição e o fervor com que abraça ao cristianismo. No seu jeito tosco, fica até cômica a convicção em afirmar que vai para o Céu, nem que seja a porrete.
Começa sua fase de penitências. Vai com os velhinhos a uma propriedade sua perdida e distante. Mostra-se trabalhador, misto de louco e santo no olhar do povo. Seis anos e meio vive assim.
Um dia, sofre uma dura tentação. Um antigo conhecido passa por lá e surpreende-se ao descobrir Matraga, ainda mais, mudado. Traz notícias por demais inconvenientes. Dionóra estava para se casar com Ovídio, crente de que estava viúva. Major Consilva apoderou-se das terras do protagonista. Quim, frouxo e atrapalhado, havia sido o único a se levantar em defesa do patrão, mas fora morto no momento em que, tomado de fúria, entrara nas terras do Major com a intenção de vingança. Mimita, sua filha, havia-se tornado prostituta.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga II: É um momento cruel para Augusto. Deus o havia abandonado? Merecia mesmo o Céu? Mas, como o bíblico Jó, resiste bravamente à tentação de buscar vingança. Não percebe: já estava salvo.
Prova disso é que vem o período de chuvas, que, não por coincidência, é o momento em que Matraga acaba por sentir-se mais leve, aliviado, como se tivesse se livrado de um grande fardo. As águas, opondo-se ao pó de outras épocas, simbolizam o batismo, a sublimação, a elevação.
Por esse momento surge o bando de Joãozinho Bem-Bem, homem da mesma estirpe do antigo Augusto Matraga. Suas intenções provavelmente eram malévolas naquela região, mas o amor e a dedicação com que o protagonista o recebe o desarma.
O bandido intui o poder bélico de Matraga, por isso o convida a fazer parte da horda. É uma forte tentação: o herói sente saudade do poder de desmando que possuía. Imagina até a possibilidade de vingar a morte de Quim. Mas resistiu a mais essa tentação. Estava evoluindo a passos largos.
Joãozinho Bem-Bem parte, deixando Matraga, mas levando uma afeição enorme pelo protagonista.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga II: Dias depois, enquanto Augusto trabalhava, presencia uma belíssima explosão de pássaros voando (os pássaros são vistos como psicopompos, ou seja, entidades que têm contato com o outro mundo. Assim, podem ser vistos como uma ponte com o tão desejado Céu, ou pelo menos mensageiros divinos. Indicam, pois, que a salvação está próxima de se concretizar). Intui algo maravilhoso, que o faz ficar matutando o dia inteiro. Até que toma uma resolução: decide partir. O interessante é que faz sua viagem em um jumento, animal carregado de simbologia cristã, pois havia carregado Maria às vésperas do nascimento de Cristo. Carregara, pois, o salvador. A aproximação Messias/Augusto não parece forçada.
Matraga viaja muitos dias, até chegar ao arraial do Rala-Coco, que estava em polvorosa. O bando de Joãozinho Bem-Bem lá estava, prestes a realizar um crime hediondo.
Um dos capangas do facínora o havia abandonado, ação que fora considerada traição. Joãozinho resolve se vingar em cima da família deste, querendo assassiná-la. No momento em que Augusto havia chegado, o pai do fugitivo tinha aparecido e pedido clemência pela vida de inocentes. A fúria do criminoso parecia não ter limite, pois já estava prestes a se derramar sobre o idoso.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga II: É nesse instante que Augusto Matraga intercede. Mesmo havendo um enorme apreço entre Joãozinho e o herói, os dois começam a se desentender. O bandido está tomado de um maligno espírito vingativo. O protagonista está defendendo a bondade divina, sempre pedindo para seu opositor evitar uma tragédia injusta, sempre clamando pelo nome de Deus.
O inevitável acontece. Há uma terrível luta, muito bem narrada. Tiros de todos os lados. Os dois saem feridos, mas Matraga, sempre invocando o nome do Senhor e pedindo para seu amigo se arrepender dos pecados, acaba vencendo, rasgando a barriga de Joãozinho, que morre segurando nas mãos suas entranhas.
Augusto Matraga estava morrendo, mas contente.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga II: Aclamado como santo e salvador entre o povo que tenta socorrê-lo, ainda tem tempo para fazer com que respeitassem o cadáver de Joãozinho Bem-Bem, mandando que o enterrassem dignamente. Ainda teve tempo, além disso, de “abençoar” sua filha perdida.
Morre, porque havia chegado a sua hora e a sua vez. Morre, porque finalmente havia realizado sua missão. Morre, porque havia cumprido os planos de um misterioso desígnio divino. Estava salvo. Ia para o Céu.

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Publicado em:Resumos de livros

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