Menu fechado
Resumos de livros para o Vestibular. Leitura de Vestibular

Água Viva de Clarice Lispector

 

Água Viva de Clarice Lispector

Em 1971, Clarice Lispector conclui as quase duzentas páginas de um manuscrito a que intitulado “Objeto gritante”. Composto na maioria de crônicas publicadas anteriormente em jornal, “Objeto gritante” é a radicalização de uma tendência em Clarice já flagrada no seu romance anterior, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969): a de enxertar fragmentos por assim dizer jornalísticos no tecido de suas narrativas literárias, instaurando “um novo estatuto do texto literário” (Vilma Arêas).

Como sabemos “Objeto gritante” nunca foi publicado. Revisado e reduzido à metade, este manuscrito (se é que dele ainda podemos falar) seria publicado três anos mais tarde com novo título: Água viva (1973).
Ao longo da revisão, elementos fundamentais ao projeto original foram suprimidos: o hibridismo de gêneros narrativos de diferentes stati literários, a heterogeneidade no nível da linguagem de estilos e de temas, e, acima de tudo, o caráter autobiográfico de “Objeto gritante”.

Água Viva de Clarice Lispector: Este breve ensaio apresenta “Objeto gritante” como obra transgressora de certos valores ou decoros literários estabelecidos pela modernidade (cujo “gênero”, sabe-se, é masculino): a unidade de composição, a transcendência do autor/mundo empírico, as fronteiras entre literatura e não literatura.
Minha intenção é examinar as complexas decisões que levaram Clarice Lispector a realizar e logo abandonar este projeto literário.
A Obra de Arte Literária de vanguarda apresenta uma maior incidência de rupturas entre os segmentos do texto.
Água Viva de Clarice Lispector, apresenta um discurso onde os vazios são produzidos pela interrupção da coerência textual; esses espaços funcionam como instrumentos impulsionadores da consciência imaginativa do leitor; no entanto, a autora utiliza um recurso técnico de produção de texto que direciona a articulação entre o discurso linear e um outro discurso que, mesmo embutido no texto principal, se manifesta em dissonância com as unidades temáticas.
Designamos de “Fissura Literária” a esse recurso técnico de produção de texto.
Desenvolvemos a articulação teórica metodológica entre a fenomenologia e a estética da recepção para a análise do texto “Água Viva”, atendendo a dois fatores: primeiro, dispor dos recursos operacionais necessários à demonstração deste estudo; segundo, promover a empatia texto/leitor, instrumento fundamental para a exposição do assunto.

Água Viva de Clarice Lispector: A análise do texto com base nos postulados da fenomenologia busca resgatar na obra literária um objeto estético constituído de elementos distintos, mas entre si articulados de modo a promover um discurso polifônico.
O leitor preenche as lacunas com as suas projeções imaginativas; desenvolve associações entre os elementos, formula hipóteses, faz deduções, etc.; é ele quem dá consistência representativa a um objeto estético, cuja “existência” está na dependência da sua atuação como o finalizador da obra literária.
A estética da recepção delega ao leitor esse papel de co-produtor do texto.

Leia a biografia de Clarice Lispector
Aproveite e faça a revisão de Literatura

Água Viva de Clarice Lispector

Publicado em:Resumos de livros

Você pode gostar também