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Resumo livro Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos

 

Resumo Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos

Contos brasileiros que nos falam de um homem cheio de conversas, meio caçador e meio vaqueiro, alto, magro, já velho, chamado Alexandre, que vivia antigamente no sertão do nordeste. Tinha um olho torto e falava cuspindo a gente, espumando como um sapo-cururu, mas isto não impedia que os moradores da redondeza, até pessoas de consideração, fossem ouvir as histórias fanhosas que ele contava. As impossíveis histórias de Alexandre pertencem ao folclore do nordeste; mais que uma criação literária, são de valor antropológico.

A mulher, Cesária, fazia renda e adivinhava os pensamentos do marido. Tinha sempre uma resposta na ponta da língua e estava sempre pronta a completar a narração do marido.
E eles não brigavam, não discutiam. Alexandre era homem de posses miúdas e Cesária nada possuía. Os outros personagens viviam todos na orla da mendicância declarada, flutuando entre a magia e a arte popular sem preço, indivíduos marginais, inofensivos, não integrados em nenhuma atividade produtiva.
E as histórias que Alexandre conta ao seu público humilde tem um traço comum: são inverossímeis. Só poderiam acontecer no âmbito da ficção. Por trás de Alexandre, locutor das histórias, há o narrador, uma figura cuja identidade muito se discute, disfarçado na figura do seu personagem.

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos: A Primeira Aventura de Alexandre, História de uma Bota, Uma Canoa Furada e A Doença de Alexandre contêm motivos conjugados da superioridade e da imunidade de Alexandre. Em O Olho Torto de Alexandre, ele narra as circunstâncias que o fizeram vesgo, amplificando-as com um fator suplementar: vê melhor pelo olho defeituoso. As outras histórias configuram um animal excepcional: História de um Bode, Um Papagaio Falador, Um Missionário, História de uma Guariba e Moqueca.
Aparece, também, o objeto excepcional, verificável nos três contos restantes: O Estribo de Prata, O Marquesão de Jaqueira e A Espingarda de Alexandre. Têm-se, assim, nesses relatos, dois níveis bem nítidos e que se opõem com clareza: o nível real e o sonho, feito de compensações, no qual o real é superado e, por força do contraste, salientado. Enfim, este é um livro irônico, bem humorado, escrito inicialmente para criança, mas no qual os adultos acham ainda mais graça.

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos – Existem no livro, ainda assim, três escritos distintos que, por isso, serão analisados separadamente:

O primeiro escrito mostra as narrativas de Alexandre, personagem central da história. Antes, porém, do início desses relatos, há um aviso do autor de que “as histórias de Alexandre não são originais: pertencem ao folclore do Nordeste, e é possível que algumas tenham sido escritas”. Percebemos aí uma amostra de um Graciliano Ramos pesquisador dando à obra um caráter antropológico.

Alexandre é um homem cheio de conversas, meio caçador e meio vaqueiro, alto, magro, já velho, tem um olho torto e possuía poucas posses, mas contava com a companhia fiel de sua esposa Cesária. A cônjuge sabia de todas as histórias do marido e ajudava-o a contá-las.

As aventuras de Alexandre são contadas a alguns amigos que sempre vão a sua casa exclusivamente para ouvi-las. Essas histórias são extremamente exageradas e inverossímeis. Mas Alexandre as conta com tanta naturalidade que soam como verdadeiras para seus ouvintes. Com exceção do cego4 Firmino: a cada absurdo narrado, faz uma observação, pondo em dúvida a palavra do contador da história, sendo duramente criticado pelos ouvintes.

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos – No primeiro conto, “Primeira Aventura de Alexandre”, há a apresentação dos ouvintes: “Seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio Curandeiro, que rezava contra mordedura de cobras”. Há também Das Dores, “benzedeira de quebranto e afilhada do casal”.

Nesse conto, Alexandre relembra sua infância para contar como, ao tentar recuperar uma égua que havia fugido da fazenda de seu pai, confunde-se e termina montando numa onça, levando-a para casa, para desespero dos familiares dele.

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos – No segundo texto, “O Olho Torto de Alexandre”, o leitor “descobre” como foi que o protagonista adquiriu seu defeito no olho: graças à briga que teve com a onça do conto anterior, seu órgão, sem que ele percebesse no momento (era noite) caiu e ficou preso numa planta. Procura-o, até que o encontra em um espinheiro. Ao colocá-lo de volta, não nota que o fez voltado para dentro. Passa a enxergar todos os seus órgãos internos.
Além disso, desenvolve meia visão: enxerga de tudo o que havia no mundo interno, até as ideias (meio pai, meia mãe) e metade do mundo externo. Percebendo o erra, recoloca o olho, mas de maneira torta, ficando assim até o presente dia, pois acha que passou a enxergar melhor.

Na “História de um Bode”, Alexandre relembra mais uma vez sua infância, contando sobre um bode com tamanho de um cavalo grande, utilizado na vaquejada5.

Em alguns contos, Alexandre deixa de mostrar aos ouvintes sua superioridade e trata de outros assuntos com a mesma postura exagerada até então. É o caso de “Um Papagaio Falador”. Nele, a ave possui inteligência pouco comum para um animal, superior a muitos humanos considerados inteligentes.

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos – No “Estribo de Prata”, Alexandre também deixa sua superioridade de lado para falar sobre um estribo que o protege de uma picada de cobra. Em “Marquesão de Jaqueira”, o móvel citado no título, uma espécie de mesa com cadeira acoplada, havia se transformado em quatro jaqueiras.

Em “A safra dos Tatus”, Alexandre resolve fazer uma plantação de mandioca. Trinta mil pés de mandioca. Quando se aproximava da época da colheita, a plantação “murchou”. A Causa dessa desgraça havia sido uma praga de tatus (quarenta mil). Alexandre não ganhou nada com a plantação de mandioca, mas lucrou vendendo a carne dos tatus.

Em “História de uma Bota”, Alexandre assusta seus ouvintes ao contar que, numa noite bem escura, confundiu uma cobra com sua bota, acabando por calçá-la, sem perceber a diferença.

No conto “Uma canoa Furada”, apresenta-se mais uma vez a superioridade do personagem principal, em que, num momento de grande perigo, com a canoa em que estava no meio do rio a afundar, teve uma ideia brilhante: fez “um rombo no casco da canoa. (…) Imaginem o que sucedeu? A embarcação se esvaziou em poucos minutos. A água entrava por um buraco e saía pelo outro”.

Nessa obra, não só os papagaios falam. Macacos também. Em “História de uma Guariba”, numa de suas caçadas, Alexandre encontra uma guariba (macaco) que fala e que é dotada de inteligência. Moqueca, a personagem principal do conto, era tão capacitada que até fazia as compras da casa! E não era, de forma alguma, enganada no troco – “A cachorra sabia onde tinha as ventas”.

No conto, “A Doença de Alexandre”, apresenta-se o máximo da superioridade do protagonista quando, ao tomar um remédio para curar uma doença, seu suor é tanto que enche a casa e invade o mundo. Ou seja, a doença de Alexandre, além de tentar derrubá-lo, quer destruir o mundo!

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos – Em “A Terra dos Meninos Pelados”, a narrativa é nitidamente destinada às crianças. Conta à história de Raimundo, “um menino diferente dos outros: tinha o olho direito preto, o esquerdo azul e a cabeça pelada”. Por ser diferente, era humilhado pelas crianças. Vivia sozinho.

Um dia, cansado do escárnio dos outros meninos, atravessou o quintal de sua casa e, depois de muito andar, descobriu a Terra dos Meninos Pelados.

Mesmo sendo parecido com os habitantes do lugar e sendo esse local ideal para ele viver, Raimundo, que não conseguia deixar de pensar na prova de Geografia que tinha que fazer, opta por voltar ao convívio com as pessoas que o maltratam. Nessa versão às avessas de “O Patinho Feio” (Hans C. Andersen), Graciliano baseia-se no mundo infantil, onde as crianças fogem do real por meio de brincadeiras e muita imaginação, mas precisam retornar ao universo duro e cruel dos adultos. Observe que a situação de vida de Raimundo é tão massacrante que o torna submisso à opressão de seu meio, o que o faz voltar para casa e abandonar seu mundo de sonhos.

No último escrito, “Pequena História da República”, Graciliano relata, com uma linguagem simples, os primeiros anos da República brasileira. Narra, como se estivesse falando para crianças, os acontecimentos principais deste período. Percebemos que Graciliano tem uma postura menos objetiva da História, já que, muitas, manifesta sua opinião sobre diversos personagens presentes nesse período histórico.

Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos – É um momento menor da obra, pois que ofuscando pelas duas primeiras partes.

1 – Observe como as descrições de Graciliano Ramos são bastante econômicas, apresentando apenas o necessário, o essencial para a compreensão exata da personagem.

2 – Os olhos possuem uma característica diferenciada, que será revista em “A Terra dos Meninos Pelados”. Podemos associar a visão crítica de mundo – “olhar torto” – irregular, desajustado, e exagerando revolucionário. – O olhar defeituoso é curiosamente o esquerdo, talvez uma tendência do próprio autor ao socialismo.

3 – A presença de uma relação afetiva entre as personagens não é um traço comum da obra de Graciliano. Nesse aspecto nos parece mais uma relação submissão e tolerância do que afetiva.

4 – Um trocadilho com o mote “Mais cego é o que não quer ver”, enfatizando mais uma vez a questão do olhar defeituoso.

5 – Rodeio.
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Conheça outra versão do resumo da obra Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos

Leia também a biografia de Graciliano Ramos

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Publicado em:Resumos de livros

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