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Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II

 

Resumo Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II – parte II
A solução é jogada para o capítulo seguinte, para segurar a atenção do leitor. Mariana dá o dinheiro de suas próprias economias. E para disfarçar, faz o pai sair de casa e simular que tinha sido chamada pela mãe de Simão. Era a deixa para inventar a desculpa de que D. Rita, por algum meio, ficara sabendo da presença do filho e resolvera ampará-lo.
Se tanta dedicação de Mariana já havia, há tempos, chamado a atenção do leitor, a Simão começava a levantar desconfiança. Mas, por enquanto, ele eleva a filha do ferrador à condição de sua irmãzinha. É uma maneira de ter a menina o suficiente próximo, mas o suficiente distante.
Volta-se à calma. Ninguém tinha pistas sobre a autoria dos assassinatos dos empregados de Baltazar. Este, por sua vez, achara por bem não levantar escândalo. E Teresa conseguia um esquema de continuar se correspondendo com Simão, burlando as proibições expressas de seu pai. O único elemento que foge ao normal são as próprias cartas da menina, contraditórias, ora transmitindo esperança, ora desencanto.
No entanto, a vida de um romance pede agitação, e ela vem, seguindo as previsões de Mariana, sempre em seu aspecto místico e fatalista. Uma freira, bêbada, acaba falando demais e delata o estratagema de Teresa. A mendiga, por causa disso é seguida. Além de apanhar, interceptam sua correspondência, que é entregue nas mãos do pai de Teresa. Furioso com a descoberta, determina a transferência da menina para outro convento, no Porto, em que estará sob a guarda de uma tia freira.

Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II: A sorte, ou azar, é que Mariana acaba-se oferecendo como intermediária. É quando recebe o recado de Teresa sobre a transferência. Informa ainda que Simão não deveria aparecer, pois estava combinada uma escolta composta por vários parentes, entre eles Baltazar. Esse nome foi o detonador da fúria cega de Simão.
Na hora da saída de Teresa, a tragédia consuma-se. Simão desentende-se com Baltazar. Este voa sobre o pescoço do herói, mas acaba recebendo um tiro na cabeça.

Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II – Saldo: Baltazar assassinado, Teresa desmaiada, Simão voluntariamente preso.
A notícia causa rebuliço enorme na casa dos Botelho, abafado pelo caráter absolutista do pai, que entregará o infeliz ao lado mais duro da lei. No meio desse transe é que D. Rita escreve uma carta ao filho em que chega a afirmar “Oxalá que tivesses morrido ao nascer!”. Simão de fato quase morrera ao nascer, mas por milagre sobrevivera. Entra mais uma vez a questão do fatalismo: era destino sobreviver para cumprir a sina por que estava passando.
O engraçado é notar que na carta a mãe mostrava-se surpresa com a presença do filho em Viseu, o que desmontava todo o estratagema montado por Mariana e João da Cruz no episódio da falta de dinheiro. Simão percebe isso, mas o tema não foi desenvolvido.
Simão ia ser condenado à forca. Essa notícia provoca uma crise de demência em Mariana, o que fortalecerá os sentimentos do herói por ela. O pior é que o pai do herói insistia em não ajudar em nada. Tanto que, não aguentando as lamúrias da família, se autoexilou.
No entanto, de navalha em punho, um tio-avô de 83 anos chantageia: ou a situação do jovem era aliviada, ou o velho dava cabo de sua própria vida. Domingos empenha-se e consegue trocar a forca pelo degredo. E nem adiantaram os esforços e até propostas de suborno de Tadeu Albuquerque.
Simão é transferido para o Porto, sempre em companhia de Mariana. Como se disse, seus sentimentos por ela estão mais fortes, tanto que ele começa a se avizinhar de um dilema. Seu amor por Teresa é certo, correspondido. Mas, e o que fazer do outro, que Mariana sente por ele?
Teresa, por sua vez, só pensava em morte, pois estava confinada no convento em Monchique e distante do seu amado. Chegara até a ficar muito doente. Seu passamento era questão de horas. No entanto, graças a uma carta de Simão (sim, mais uma vez furaram todo tipo de bloqueio e voltavam a se corresponder), pedindo para que ela sustentasse seu fio de vida, acaba afastando tais pensamentos.

Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II: A preocupação agora parte de Tadeu, pois teme ao saber que os dois estão na mesma cidade. Vai para Porto disposto a tirar sua filha de Monchique. No entanto, a menina recusa-se. Inicia-se uma cena engraçada, vexatória e ácida em seu aspecto crítico. O pai tem uma explosão de fúria, mas tudo inútil: não há como retirá-la do convento. Poder-se-ia dizer que era um duelo titânico (perdoem o melodrama, mas a obra inspira) entre o amor e o absolutismo das razões sociais. Parece ser a única batalha em que o amor venceu no mundo dos homens.
Ocorrem então alguns delongadores, ou seja, desvios do principal eixo narrativo, com a função de esticar a trama sem perder a atenção do leitor. Primeiro, notamos que Mariana já está garantindo um lugar no universo afetivo do protagonista. Entre os objetos que tem como “relíquias” está o avental que a menina usava quando fora pronunciada a sentença.
Ocorre também à volta, por falta de dinheiro, de Manuel Botelho – pai de Camilo Castelo Branco – da Espanha. Havia desertado para poder fugir com uma mulher casada. O patriarca Domingos aproveita para desfazer tudo o que o jovem havia aprontado. Convence a adúltera a abandonar Manuel e voltar para o antigo marido. Consegue ainda a prisão de seu filho ser preso por deserção. E tudo debaixo de uma discreta simpatia do narrador, ou pelo menos sob sua conivência, o que inspira uma comparação.
Tanto para Simão quanto para Manuel o amor acaba se confundindo com transgressão, com pecado, merecendo ser castigado. A diferença é que Simão tem saldo positivo, é visto como digno, ao contrário do seu irmão. Talvez a explicação esteja na já citada crença no amor como religião. Manuel Botelho é indigno porque profanou esse dogma, concretizando o seu sentimento. Simão ainda está no campo do ideal, nunca chegou a concretizá-lo.

Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II – A partir desse instante, a narrativa acelera: João da Cruz acaba sendo assassinado, como vingança do assassinato de que havia sido inocentado. Mariana deixa toda a sua herança nas mãos de Simão. Aliás, mais do que isso – como se verá, deixa o seu destino nas mãos dele.
Um fato elogiável: diante de atitude tão exagerada, Simão joga limpo com a moça, pois deixa claro que não sabe o que pode dar a ela. Interessante é notar que ele nunca disse que não gostava de Mariana, apenas que havia alguém na frente dela. Talvez por isso a moça alimente uma esperança, ainda mais porque sabe que Teresa está muito doente. Pacientemente parece esperar ocupar uma vaga no coração de Simão, que acompanhará no degredo. No entanto, diz ao jovem que não espera nada. É o silencioso jogo da sedução.

É digno de nota um certo quê de egoísmo de Simão. Quando Mariana recebeu a notícia da morte de João da Cruz, o baque tinha sido terrível. Simão, ainda assim, fazia questão de pedir que ela aguentasse, por ele. Podia ser apenas um recurso de convencimento – ela fazia tudo pelo herói mesmo. Mas surge outro episódio a reforçar uma tendência narcisista do protagonista. Teresa pede para que Simão troque o degredo pela prisão, pois ela sente que, longe, ela morreria e, pior, ele a esqueceria. Simão, deixando claro que já havia passado quase três horríveis anos na prisão, diz que prefere o degredo. Deixa a moça sem saída.
Enfim, Simão embarca para a Índia, acompanhado de Mariana. É quando recebe, por meio do comandante, dinheiro de D. Rita, que faz questão de distribuir entre os outros passageiros. Mais uma vez a honra do dever (mãe) é desprestigiada diante da honra do coração (Mariana, a única pessoa de quem aceitava dinheiro). No mirante do convento de Monchique Teresa vê Simão. Agitando um lenço, despede-se de seu amado e morre. Antes, havia reunido às cartas que recebera dele e enviado ao seu noivo espiritual, junto de uma última, de despedida.
A notícia da morte da moça chega logo depois, por meio do comandante. Simão e, não é ousado dizer, consequentemente Mariana passam a esperar a morte. O jovem põe-se a ler a carta de Teresa, que tem o efeito fulminante de derrubá-lo, como se o chamasse ao outro mundo e à satisfação de todos os sonhos de amor.

Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco II – Típico do Romantismo: esse era o único meio para a plenitude desse sentimento. Há quem possa enxergar – e não estará de todo errado – que na realidade esse é o castigo para tamanho amor (ou individualismo?), que afrontava as leis da terra.
Simão cai numa febre terrível. Mariana, enquanto cuida do companheiro, envelhece espantosamente. Nove dias o herói passa em agonia. Ao final, morre, apertando sua mão na da companheira, que em troca lhe dá o único beijo de sua vida – no rosto.
O corpo de Simão é atirado ao mar. Dramaticamente, Mariana agarra-se ao cadáver, pondo fim à sua própria vida. E as cartas de Simão e de Teresa, que o jovem pediu que Mariana reunisse para serem atiradas ao oceano com a sua morte, acabam boiando, sendo resgatadas. Tornam-se a base do romance.

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Publicado em:Resumos de livros

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