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Amor por Anexins de Artur Azevedo

 

Amor por Anexins de Artur Azevedo
O ensaio Homo politicus, de Antônio Martins de Araújo, publicado pela primeira vez em 1994, sob o patrocínio do Centro Cultural Banco do Brasil, é o melhor retrato que se pode ter sobre Artur Azevedo, que consolidou no Brasil a comédia de costumes e é considerado um dos pontos de partida para a dramaturgia nacional.
Ali o autor escreve: “Assim viveu Artur. Não ambicionou cargos ou chefias. (…) Bastava-lhe o prazer de criar.
Criar com liberdade do pensador e a coerência do justo.

Amor por Anexins de Artur Azevedo: Se não tivesse deixado à obra que deixou, se não tivesse sido o grande satirista que foi, se não tivesse, à custa de ideal e pertinácia, modelado o gosto do público e lutado para ser construído o Teatro Municipal, que tanto orgulha a cidade e o país, bastariam estas duas campanhas vitoriosas que sustentou na vida – a da Abolição da Escravatura e a da República – para não dever ser olvidado em nosso país, e merecer da posteridade o cognome de paladino do bem comum e da ética democrática.”
Primeira peça escrita por Artur Azevedo, aos 15 anos, Amor por anexins é considerada um talismã literário e foi a peça mais representada de seu tempo.
Entre as montagens mais importantes, destaca-se a de 1870, representada pelas irmãs Riosa, no Teatro São Luís, hoje Artur Azevedo, com um grande sucesso de bilheteria.
Artur Azevedo tinha sincera vocação para a alegria e via na comédia de costumes o melhor caminho para a dramaturgia nacional.
Gostava de escrever algo que reproduzisse a verdade e a vida, que possuísse “exposição, catástrofe e desenlace”, que divertisse e ao mesmo tempo sensibilizasse.
Em suma, peças que fossem facilmente entendidas por um povo que começava a criar gosto pelo teatro e que, consequentemente, começava a construir sua própria cultura.
Amor por Anexins de Artur Azevedo – Trecho escolhido:
Cena VI

INÊS — Ah! a letra é de Filipe. Faz bem em escrever-me o ingrato! Há doze dias que nos não vemos… (Abre a carta e lê. Jogo de fisionomia.) “Inês. Peço-te perdão por ter dado causa a que perdesses comigo o teu tempo. Ofereceram-me um casamento vantajoso, e não soube recusar. Ainda uma vez perdão! Falta-me o ânimo para dizer-te mais alguma coisa. Dentro em uma semana estarei casado. Esquece-te de mim — Filipe.” (Declamando.) Será possível! Oh! meu Deus! (Relendo.) Sim… cá está… é a sua letra… (Depois de ter ficado pensativa um momento.) Ora, adeus! Eu também não gostava dele lá essas coisas… Digo mais, antes o Isaías; é mais velho, mais sensato, tem dinheiro a render, e Filipe acaba de me provar que o dinheiro é tudo nestes tempos. Espero aqui o Isaías com o meu “sim” perfeitamente engatilhado! Oh! o dinheiro…

Amor por Anexins de Artur Azevedo – Recitativo

Louro dinheiro, soberano esplêndido,
Força, Direito, Rei dos reis, Razão.
Que ao trono teu auriluzente e fúlgido
Meus pobres hinos proclamar-te vão.

Do teu poder universal, enérgico,
Ninguém se atreve a duvidar! Ninguém!
Rígida mola desta imensa máquina,
Fácil conduto para o eterno bem!

Aos teus acenos, Deus antigo e déspota,
Aos teus acenos, Deus moderno e bom,
Caem virtudes e se exaltam vícios!
Todos te almejam, precioso dom!

Inda hás de ser o derradeiro ídolo,
Inda hás de ser a só religião,
Louro dinheiro, soberano esplêndido,
Força, Direito, Rei dos reis, Razão!…

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Amor por Anexins de Artur Azevedo

Publicado em:Resumos de livros

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