Menu fechado
Resumo do Livros, Leia a obra completa Vestibular1

As asas de um anjo de José de Alencar

 

Resumo As asas de um anjo de José de Alencar

Apresentada ao Conservatório Dramático no início de 1858, esta peça,As asas de um anjo de José de Alencar, em quatro atos foi levada ao palco em 30 de maio de 1858, no Ginásio Dramático, e publicada em volume em 1860.

Após apenas três encenações, As asas de um anjo de José de Alencar foi retirada de cartaz, por ordem policial, em 21 de junho, por apresentar “pensamento e mesmo lances imorais”.
Sobre essa obra, As asas de um anjo de José de Alencar, escreveu o autor, listando as influências de seus mestres franceses e o diálogo de seu trabalho com o deles: “Vítor Hugo poetizou a perdição na sua Marion Delorme; A. Dumas Filho enobreceu-a n’A Dama das Camélias; eu moralizei-a n’As asas de um Anjo; o amor que é a poesia de Marion, e a regeneração de Margarida, é o martírio de Carolina; eis a única diferença (…) que existe entre aqueles três tipos”.

A peça permaneceu impedida de subir à cena até 1868, quando o próprio José de Alencar, agora ministro da Justiça do Império, cancelou a proibição.

As asas de um anjo de José de Alencar – trechos: Prefácio da peça (advertência e prólogo da primeira edição – 1859)

A boa vontade dos editores, que o ano passado deram à estampa O Demônio Familiar, traz agora à luz da imprensa As Asas de um Anjo, no momento em que tudo me afasta das lidas literárias.

O muito que tinha a dizer e criticar sobre a minha obra e as censuras de que fui alvo, deixo-o pois à reflexão dos homens esclarecidos; bem como deixo aos metodistas da literatura e da arte a sua classificação de escola realista.

A realidade, ou melhor, a naturalidade, a reprodução da natureza e da vida social no romance e na comédia, não a considero uma escola ou um sistema; mas o único elemento da literatura: a sua alma.

As asas de um anjo de José de Alencar: mas aí o defeito não está na literatura, e sim no literato; não é a arte que renega do belo; é o artista, que não soube dar ao quadro esses toques divinos que doiram as trevas mais espessas da corrupção e da miséria. Nas convulsões da matéria humana, no tripúdio dos vícios, na fase a mais torpe da existência social, há sempre no fundo do vaso uma inteligência e um coração; é a razão e o sentimento em tortura; é a luz e o perfume a apagar-se; são as cores da palheta.

Se com elas o pincel não desenha sobre o fundo negro um quadro harmonioso, os olhos não sabem ver, ou a mão não sabe reproduzir. Censurem pois As Asas de Um Anjo porque lhe falte uma ou outra dessas condições; porque ou os reflexos ou as refrações das cenas sejam imperfeitas

Direi somente que sem o epílogo o pensamento da minha comédia ficaria incompleto; ela seria apenas uma nova encarnação do velho tipo de Manon Lescaut; encarnação brasileira, é verdade; mas por isso mesmo desbotada e macilenta, porque a vida exterior da nossa corte não podia emprestarlhe as cores e o brilho das grandes cidades européias.

O livro nasce do espírito, como a planta brota da terra; simples, borbulha a princípio, pulula, germina, abrolha as folhas, esgalha, copa-se e floresce por fim. Se o cultor da planta vai-lhe moldando os ramos enfezados, esladroando-lhe os renovos que podem minguar o tronco, a seiva criadora substitui quanto a mão do homem corrige; mas se descuidado deixa que a planta cresça com os seus defeitos, pode cortar-lhe o galho rasteiro, forçar-lhe a haste arqueada; a árvore ficará mutilada, porém sempre mal parecida. Assim é o livro; assim foi com As Asas de um Anjo.

Depois de concluída a comédia e representada; depois de partido esse fio que prende a obra ainda inédita ao espírito que a criou, era impossível matar o livro; mas torcer-lhe o molde, dar-lhe outra configuração, excedia à vontade e às forças do autor.

Creio mesmo que tudo quanto saísse dessa superfetação literária seria monstruoso e disforme. Prefiro pois – embora reconheça até certo ponto a justeza da crítica – deixar a comédia com os seus defeitos, mas com a espontaneidade de sua invenção.

Entretanto se algum dia, o que não espero, cessar o interdito policial, e entenderem que o epílogo pode prejudicar o efeito cênico, não me oporei a semelhante supressão; antes estimarei que ela se faça, porque será a solução prática da questão de arte que aventou o desenlace da tragédia.

Fim

 

As asas de um anjo de José de Alencar

Publicado em:Resumos de livros

Você pode gostar também