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Resumo de Livros e Obras Literárias por Vestibular1

As primaveras de Casimiro de Abreu

 

As primaveras de Casimiro de Abreu

Um dos livros mais lidos de toda a poesia brasileira, As primaveras de Casimiro de Abreu se dividem em três partes de caráter bem distinto, que compõem um desenho significativo.

A primeira, cujos poemas foram, na sua maioria, escritos em Portugal, tem por núcleo temático o sofrimento do exílio, de que decorre a evocação saudosa e o louvor da pátria distante, na ausência ou após o retorno.
A segunda é centrada nos temas galantes e amorosos. Já a terceira tem caráter menos definido, consistindo numa coletânea variada que recapitula as duas primeiras e termina por uma seção intitulada O livro negro, dominada pela premonição da morte.

Único livro de poesias escrito pelo poeta do Romantismo por ter uma linguagem que o aproxima da fala popular.
Sua poesia mais notória é “Meus oito anos”, na qual expressa sua saudade da infância. Veja um trecho:

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Como são belos os dias
Do despontar da existência!

As primaveras de Casimiro de Abreu

A primavera é a estação dos risos.
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo

Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa:- Como é linda a veiga!
Responde a rosa: – Como é doce o orvalho!

II
Mas como às vezes sobre o céu sereno
Corre uma nuvem que a tormenta guia,
Também a lira alguma vez sombria
Solta gemendo de amargura um treno.

São flores murchas:- o jasmim fenece,
Mas bafejado s’erguerá de novo
Bem como o galho do gentil renovo
Durante a noite quando o orvalho desce.

Se um canto amargo de ironia cheio
Treme nos lábios do cantor mancebo,
Em breve a virgem do seu casto enlevo
Dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio.

Na primavera – na manhã da vida-
Deus às tristezas o sorriso enlaça,
E a tempestade se dissipa e passa
A voz mimosa da mulher querida.

Na mocidade, na estação fogosa,
Ama-se a vida- a mocidade é crença,
E a alma virgem nesta festa imensa,
Canta, palpita, s’ stasia e goza.

 

As primaveras de Casimiro de Abreu

Publicado em:Resumos de livros

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