Menu fechado
Resumos de livros para o Vestibular. Leitura de Vestibular

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III

 

Resumo Atire em Sofia de Sônia Coutinho – parte III

Eu, Lilith. Os sumérios me representaram num baixo-relevo, severa e poderosa, com serpentes em vez de cabelos, duas asas e, no lugar dos pés, garras de abutre.
Já os gregos me chamavam de Hécate e situaram meu reino em Tártaro, na confluência de rios malditos: Estige, Aqueronte, Averno, Lete. À entrada, havia um bosque de álamos brancos, que balouçavam constantemente ao sabor da brisa e, mais além, o palácio onde moravam Hades e Perséfone, a quem eu fazia companhia. Minha casa era cercada de ciprestes e dela eu partia a cada 28 dias e espalhava o pavor na Terra, ao aparecer repentinamente precedida de Cérebro, o guardião dos infernos, que ladrava para advertir os agonizadores. Uma multidão de fantasmas fazia parte do meu cortejo.
Também fui a Empusa, com cabelos e tórax de mulher, mas com nádegas de asno e, no lugar de um dos pés, um casco de cavalo. Ás vezes, assumia a forma de cadela ou de vaca e despertava a luxúria e o terror. Eu, a deusa das perversões secretas.
E fui Equidna, metade serpente, metade uma jovem linda que morava numa caverna imensa, no côncavo de um penhasco. Fui, ainda, Circe, rainha dos encantamentos maléficos, manipulando filtros e venenos, drogas sombrias. Alta, bela e altiva, morando numa ilha banhada por quentes mares – mas os êxtases que eu proporcionava custavam a destruição.
Sou eu, Lilith. Encarnada também nas Harpias, na Medusa. Eu, o incubo. Quem, durante a noite, sofria de terrores e tinha delírios, quem saltava da cama apavorada e corria, era do meu ataque que estava fugindo. Cubro o corpo dos homens com meu corpo quente e dizem que meu abraço é tão furioso que sufoca. Minha vítima têm o maior orgasmo de suas vidas, mas depois desfalecem e entram em crises de melancolia. Um dos privilégios é causar a loucura.
Assim me viram os homens, porque eu era livre e solidária.
(Atire em Sofia, pág. 178)

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III – Héctate, Ártemis, Persífone
Hécate, deusa das encruzilhadas, que olhava em três direções. Era associada com o estranho e misterioso, e foi uma personificação da bruxa sábia. Hécate era associada com Persífone, a quem acompanhou quando a jovem retornou do inferno, e com a deusa da luz Ártemis.
Enquanto deusa da caça e da lua, Ártemis era uma personificação do espírito feminino independente. O arquétipo que ela representa possibilita a uma mulher procurar seus próprios objetivos num terreno de sua própria escolha. Já Persífone, única filha de Deméter e Zeus, raptada por Hades que a levou para o inferno para tornar-se sua noiva contra a vontade dela, predispõe a mulher a não agir, e sim ser conduzida pelos outros. Ela tornou-se rainha do inferno. “O inferno pode representar camadas das mais profundas da psique, um lugar onde as memórias e sentimentos foram ‘enterrados’ (o inconsciente pessoal) e onde as imagens, padrões, instintos e sentimentos, que são arquétipos e compartilhados pela humanidade, são encontrados (o inconsciente coletivo)”.
Cérebro
Cão de Hades, guardava a porta do inferno, onde recebia à entrada as almas dos mortos, mas não lhes permitia sair. Nasceu do sangue de Equidna e Téfon.
As Harpias
Aves repelentes, com cabeça de mulher, garras aguçadas e o rosto pálido de fome. Tem conotação sinistra, frequentemente representadas em tumbas.
Medusa
Criatura monstruosa temida na Terra. Tinha cabelos de serpente e transformava em estátuas de sal a todos que a olhassem.
A Esfinge
Era um monstro que assolava as estradas de Tebas. Tinha a parte inferior do corpo de leão e a parte superior de uma mulher e, agachada no alto de um rochedo, detinha todos os viajantes que passavam pelo caminho, propondo-lhes um enigma, com a condição de que passariam sãos e salvos aqueles que o decifrassem, mas seriam mortos os que não conseguissem encontrar a solução. Édipo aceitou o desafio e resolveu o enigma. A esfinge ficou tão humilhada que se atirou do alto do rochedo e morreu.

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III – Deuses do Candomblé
“O Candomblé é uma religião que trabalha com o segredo, o lado mudo do ser, o que a Olorum pertence. O Candomblé organiza o fragmentado, abrindo canais de expressão para o ser humano.”
(waia.olode.vila.bol.com.br)
Oiá ou Iansã
Oiá, mulher corajosa que, ao acordar, empunhou um sabre / Oiá, mulher de Xangô. / Oiá, cujo marido é vermelho / Oiá, que morre corajosamente com seu marido. / Oiá, vento da morte. / Oiá, ventania que balança as folhas das árvores por toda parte. / Oiá, a única que pode segurar os chifres de um búfalo.
(Atire em Sofia, pág. 17)
Faz-se conceber como uma mulher ativa, tempestuosa, inquieta e empreendedora, muito desinibida e cheia de iniciativa, contrapondo-se à passividade que se supõe apanágio de seu sexo. Rainha de Bale, a cidade dos mortos. É uma das esposas de Xangô.
Xangô
Autoritário, severo, líder, mandão, político, afortunado financeiramente e nos negócios, convencedor, ambicioso, sabe tratar os negócios como ninguém.
Líder nato e disciplinado acha que nunca está errado. Grande orador e comanda multidões como ninguém. Os filhos de Xangô tem aversão a morte, doenças e por vezes é muito explosivo.
Possui tendência a engordar pois é amante da boa comida. Apaixona-se facilmente e com a mesma facilidade perde o entusiasmo por este amor. Sexualmente é muito ativo, tende à relacionamentos extraconjugais.
Geralmente tem o corpo robusto, queixo marcante, mãos fortes e ombros largos.
“– Os orixás se reuniram para escolher a rainha da cidade. A escolhida foi Iemanjá.. E Iansã, louca de ciúmes, solta raios e desencadeia tempestades.
– Você está enganado – diz ela. – Iansã está chorando, isto sim, por muitas mulheres, gerações inteiras de mulheres que foram espezinhadas nesta cidade e nunca puderam protestar.”
(Atire em Sofia, pág. 44)
Atire em Sofia de Sônia Coutinho III – Iemanjá
A senhora dos mares é uma ninfa majestosa, senhora de ar imponente e calmo, verdadeiro protótipo da Grande Mãe africana. De seu ventre nasceram os grandes deuses.
Gentil e compassiva, compreensiva e extremamente apegada ao marido e filhos. Honesta e amante das crianças, muito organizada e pontual, gosta da simplicidade. Faz o que é previsto sem muita imaginação. Seu humor é variável e adora objetos em miniaturas. Possui coração bondoso e consegue tudo o que quer. Veste-se na moda mas é muito discreta. É muito vaidosa, principalmente com os cabelos. Frágil, sensível e chorosa.
Geralmente tem postura altiva e elegante, nariz arrebitado, estatura média, maçã do rosto cheia e rosto comprido.
Ogum
Muito difícil de mudar de opinião, não gosta de críticas, não gosta de dividir lugar de destaque, gosta de esportes incomuns (alpinismo, corrida de carros, etc), orgulhoso, franco, não gosta de fraquezas dos outros, cuidadoso, metido e imponente.
Gosta de crianças e família, amor é para sempre. Seu sucesso é baseado em seus méritos. Possessivo e briguento por amor.
Gosta de amigos mas dificilmente confia neles. Muito exigente. Não recebe ordens. Veste-se muito bem.
Geralmente são magros com estatura mediano-alta, ombros largos, corpo atlético, cabelos crespos e cheios, queixo pontudo.
(Orixás da Bahia, Elyethe Guimarães de Magalhães –orbits.starmedia.comfokanimo/orix.02.html)

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III – A intextualidade
1. Iron Maiden
“– Milena observa o dourado entardecer do início de janeiro, enquanto o aparelho de som, ligado a todo volume, traz os metais do Iron Maiden.
(…)’Velocidade e audácia, o início de uma nova era caracterizada pelos movimentos cada vez mais acelerados de um planeta musical em plena efervescência’.
(…)’A era dos longos coros e das fivulas técnicas terminou. Agora, é procurar a vibração mais forte, mais rápida, com o máximo de energia. É hora do massacre. A Virgem de Metal anuncia a chegada de um período com nova simbologia. Sua imagem é uma agressão visual – violenta, brutal, monstruosa, representando as tempestades de aço e as ressacas violentas do heavy metal’.
(Atire em Sofia, pág. 36-37)
O Iron Maiden começou a fazer sucesso mundial no começo dos anos 80 com músicas que demonstravam uma postura diferente dos New Ages que surgiam na época. Seguidores do Heavy Metal, recusaram qualquer tipo de proposta comercial que pretendesse mudar a irreverência da banda que não seguia os modismos e padrões da época. O nome Iron Maiden quer dizer donzela de ferro, um instrumento de tortura da época medieval.
Milena, ao se identificar com o grupo, reage contra os preconceitos de uma sociedade que via toda mudança de comportamento de forma negativa. Ela “deixa passar sempre uma imagem maldita, essa que o pai e a avó tiveram de engolir, embora finjam ignorar tudo. É sua vingança contra a marca que a cidade lhe impôs – continuará, sempre sendo a ‘filha de Sofia’, uma ‘mulher perdida’.”

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III – 2. The Doors – Jim Morrison
“Se minha poesia pretende atingir alguma coisa, é libertar as pessoas dos limites em que se encontram e em que se sentem.”
“Abra as portas da percepção, atravesse para o outro lado
Siga a auto-estrada até o fim da noite
Visite cenários sobrenaturais dentro da mina de ouro.”
(Jim Morrison)
… – Sabe, tenho certeza de que este ano ele vem para cá, no carnaval, vai dançar em cima de um caminhão de trio elétrico.
– Ele está morto, você sabe – diz Tetu.
– Não, é tudo mentira, ele não morreu. Continua vivo, é um feiticeiro, um xamã. E vem para cá no carnaval.
(Atire em Sofia, pág. 143)
– Jim! Jim! – ela grita.
Ele pára de dançar, inclina-se na direção de Milena, diz:
– Estou interessado em tudo que se relaciona com a revolta, a desordem, o caos. Estou mais interessado no lado sombrio da vida, no pecado, na face escondida da lua, na noite. O que eu quero é a liberdade para experimentar tudo. Quero experimentar tudo, pelo menos uma vez.
(…) – Diga-me alguma coisa sobre o rock.
– Percebi, de repente, que eu era, de certo modo, apenas um fantoche de uma porção de coisas que só entendia vagamente. E, no fim, cheguei à conclusão de que nós, os Doors, devíamos nos considerar políticos. Sim, de que devíamos ser encarados como políticos eróticos.
(…)
De longe, ela grita para Jim, em despedida:
– Eu sei que você quis, seriamente, sair de dentro de você mesmo e ir até os extremos, tão longe quanto se pode ir, sempre.
(Atire em Sofia, pág. 173)
Jim Morrison veio de uma família com larga tradição militar. Seu pai é oficial da marinha americana. Entretanto, no começo dos anos 60, depois de estudar psicologia na Flórida, decidiu estudar cinema na Los Angeles University. Estudar cinema e viver num antro de perdição como Los Angeles era demais para os seus pais que o ameaçaram de ser deserdado. Ele foi. Adeus, família.
Baseado na obra de William Blake e de Aldous Huxley (As portas da Percepção) termina por batizar a banda de “Doors”. Produz sob o efeito do álcool e do ácido. Avesso a qualquer forma de disciplina e mantendo desde a adolescência um desrespeito radial por tudo que representasse o autoritarismo, Morrison não poderia ser moldado e dirigido como um artista comum. Contava quase sempre embriagado e fazia a apologia do álcool que ele dizia ser “um hábito integrado à cultura americana”. Em julho de 71 é encontrado morto em um banheiro, num hotel de Paris, vítima de um ataque cardíaco, provocado, talvez, por uma overdose de cocaína.
(Coleção Internacional Rock – Ano I nº 1 e A banda que revolucionou o Rock – The Doors)

3. Onassis, Jacqueline Kennedy, Maria Callas
Onassis (Aristóteles Sócrates), armador grego (Uzmir, Turquia, 1906 – Neuilly sur Seine, França, 1975), formou importante frota de petroleiros após a Segunda Guerra Mundial. Foi proprietário também de uma companhia aérea e vários hotéis na Grécia, acumulando uma das maiores fortunas do mundo.
Callas (Maria Kalogheropulos, dito Maria), cantora grega (nova York 1923 – Paris 1977). Desde o início de sua carreira no Scala de Milão, em 1950m foi cantora mais célebre de sua época, impondo uma personalidade vocal e interpretativa que influenciou notavelmente sua geração.
Noiva de Onassis na ocasião em que ele decidiu casar-se com a viúva do presidente americano, John Kennedy.
Jacqueline – ex-fotógrafa, esposa do presidente americano, John F. Kennedy, assassinado em Dallas, em 1963. Seu charme encantava não só o povo americano, mas os povos do mundo inteiro. Casa-se com o armador grego, Aristóteles Onassis, em segundas núpcias, em 1968.
Sua vida é marcada pelo luxo ostensivo e pela tragédia. Ela é uma das mulheres mais idolatradas do século XX. Morre em 1994, de câncer.

4. Scott Fitzgerald / Zelda
Escritor americano, nasceu em 1896 em Saint Paul, Minnesota. Alistou-se para a Primeira Guerra Mundial e desaponta-se por ela terminar sem que ele saia dos Estados Unidos. Neste período conhece Zelda e ficam noivos em 1919. Como ele não consegue emprego, rompem o noivado em 1920. Ele volta para Saint Paul e escreve “This Side of Paradise”. Ele e Zelda reatam o noivado e casam-se.
Em 1925 escreve “The Great Gatsby”, muito elogiado, mas sem sucesso financeiro. Ele e Zelda afundam-se no álcool e ela é internada com esquizofrenia.
Em 1933 é contratado como roteirista da M.G.M. Zelda tem uma recaída e volta para o hospital. A decadência financeira é total. Pede a seu agente que lhe arranje qualquer coisa, pois a M.G.M. não renova o contrato. Neste período conhece Sheilals Greahan que o acompanha até a morte em 1940. Ele está escrevendo “The Last Tycoon” quando é vítima de um ataque cardíaco. Ele e Zelda morrem no mesmo dia e são enterrados juntos.

5. Nelson Rodrigues
Este grande dramaturgo brasileiro nasceu em Recife, em 1912. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o pai fundou o jornal “A Manhã”. Nele iniciou sua carreira jornalística aos 13 anos de idade. Desentendendo-se com o sócio, Mário Rodrigues, seu pai, funda outro jornal – Crítica. Uma mulher da sociedade, que é acusada pelo jornal, de adultério, mata seu irmão Roberto. Seu pai afunda-se na bebida e morre 2 meses depois.
O jornal é fechado por ordem de Getúlio Vargas. A família passa um período de miséria. Nelson e um irmão ficam tuberculosos e o irmão vem a falecer.
O teatro surge em 1941 com “A mulher sem pecado”. A grande aclamação vem com “Vestido de Noiva”. A crítica é muito favorável pelo ineditismo do espetáculo. Além do mais ele choca o público por escrever sobre o pior da alma humana.

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III – 6. Maria Quitéria / Nelson Mandela
Maria Quitéria – (Bahia – 1792-1853) – Patriota Brasileira. Ao iniciar-se a Guerra da Independência, na Bahia, assentou praça no Exército. Formou uma companhia feminina, que se destacou na luta contra os portugueses, quando estes pretenderam desembarcar junto à foz do rio Paraguaçu. Terminada a guerra foi condecorada por D. Pedro I com a insígnia de cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro. Recebem também soldo de alferes de linha.
Nelson Mandela – 1918 – Líder político sul-africano, adere muito jovem ao Congresso Nacional Africano (CNA), partido da maioria negra da África do Sul. Após uma greve, em 1962, é preso e condenado a prisão perpétua, em 1964. Libertado em 1990, torna-se vice-presidente do CNA e luta pela emancipação política dos negros.
Em 1993 recebe o prêmio Nobel da Paz. Em 1994 é aclamado presidente, na primeira eleição multinacional depois de 350 anos de dominação branca.
(Agradecimentos aos professores Anya e José Carlos – Material elaborado pela professora Anya Moura)

Voltar a ler o resumo de Atire em Sofia de Sônia Coutinho – parte II

 

Atire em Sofia de Sônia Coutinho III

Publicado em:Resumos de livros

Você pode gostar também