Atire em Sofia de Sônia Coutinho - Vestibular1

Atire em Sofia de Sônia Coutinho

Atire em Sofia de Sônia Coutinho

 

Resumo Atire em Sofia de Sônia Coutinho – parte I

Sobre a autora

Contista premiada – Jabuti, pelo melhor livro de contos de 1979. Os venenos de Lucrécia e Status, para literatura erótica – Sônia Coutinho já teve suas histórias incluídas em cerca de 20 antologias, algumas publicadas no exterior.

Autora de cinco livros de contos e uma novela, Atire em Sofia é seu primeiro romance. Jornalista e tradutora, Sônia nasceu na Bahia e mudou-se para o Rio em 1968, tendo trabalhado em vários jornais. Traduziu cerca de 30 livros de autores como Doris Lessing, Carson McCullers, E. M. Forster e Graham Greene.
“Uma das coisas mais desagradáveis é quando se toma ao pé da letra o que o escritor diz. Meus personagens não são, necessariamente, meus porta-vozes nem alter egos. Mas claro que, quando escrevo, como todo uso experiências minhas como base para criar situações fictícias.” (Sônia Coutinho)

Atire em Sofia de Sônia Coutinho – Breve introito intertextual – Mulher no Espelho e Atire em Sofia:

Personagens femininos em busca de identidade.
– Helena Parente e Sônia Coutinho são escritoras da geração 60. São baianas que foram educadas para serem boas mães e esposas, ou seja para constituírem famílias.
– “Atire em Sofia” 1989 e “Mulher no Espelho” 1985, trazem reflexões de personagens que falam de suas experiências como mães e esposas, mas, principalmente, do choque entre os papéis sociais para os quais elas foram destinadas desde jovens e as aparições de cada enquanto mulher”.
O eixo de discussão dos romances recai em um mesmo ponto: no jogo dos espelhos – aliás metáfora presente nas duas narrativas – que remete à busca dos personagens por sua identidade, mulheres empenhadas em desvelar o rosto impedido de viver suas experiências, suas emoções. (Lúcia Leiro)
“O fato de reunir simbolicamente ideias de desdobramentos e conhecimento de si torna o espelho uma metáfora, frequente na produção de autoria feminina e basilar para a crítica feminista, já que o seu sentido está relacionado diretamente à discussão sobre a identidade feminina, mostrando – através da reflexão das personagens, não para encontrar um igual, mas, ao contrário, para defrontar-se com o outro – como o construeto androcêntrico da sociedade ocidental é violento e inadequado à realização da mulher:
– O espelho não tem como função refletir uma imagem; tornando-se a alma um espelho perfeito, ela participa da imagem e, através dessa participação, passa por uma transformação. Existe, portanto, uma configuração entre o sujeito contemplado e o espelho que contempla!”

Atire em Sofia de Sônia Coutinho – O espelho na obra
“Em Atire em Sofia, 1989, a passagem do espelho mostra o personagem empreendendo uma viagem memorialística em direção a si mesma. Atravessar o espelho, como Alice, conduz a personagem a uma aventura de autoconhecimento, no intuito de encontrar respostas para a sua exclusão/invisibilidade.
À medida que a personagem vai encontrando sentido para a sua existência, a imagem vai sendo recuperada até obter a visão de um rosto pálido e envelhecido, um rosto afivelado em cima de muitos outros, como a penúltima máscara, um rosto qualquer, enfim, mas é o seu.” (Lúcia Leiro)

Atire em Sofia de Sônia Coutinho – Considerações Gerais acerca da obra e da protagonista
– “Há neste livro uma discussão em torno da identidade da mulher.”
– “Olhar o espelho consiste em executar uma viagem introspectiva na tentativa de encontrar, nesta mirada, um sentido para a sua própria vida.” (Lúcia Leiro)
– “O espelho é um objetivo metafórico.”
A obra “apresenta o espelho que reflete o outro lado que não se mostra, ao mesmo tempo em que estabelece um elo de reflexão com a personagem descrita como uma mulher casada, mãe, dona de casa e que tem a sua sexualidade satisfatoriamente vivenciada com o amante, mas deve ser ocultado da sociedade.” (Lúcia Leiro)
– A personagem busca entender a si mesma. Ela é uma mulher que traçou seu próprio caminho na tentativa de encontrar alternativas e saídas para viver uma vida mais humana e mais plena em uma sociedade patriarcal que só a reconhecia no papel de mãe e esposa.
– Como bem atesta Lúcia Leito, neste romance, a busca da identidade engendrada pela personagem encontra resistência devido aos papéis que ela exerce na sociedade, fazendo com que, algumas vezes, ela rompa com código e sofra a angústia da culpa ou encontre, sem violar código, formas de não permitir que o rosto encoberto sucumba às máscaras do cotidiano.

Atire em Sofia de Sônia Coutinho – Um pouco mais sobre a autora
Acompanhe parte de uma entrevista dada por Sônia Coutinho a Simone Ribeiro para o jornal A TARDE.
SR – Como você encara o fato de estar incluída entre os autores estudados para o Vestibular e ser conhecida por adolescentes?
SC – Estou imensamente feliz. Inclusive porque Atire em Sofia, o livro adotado, é muito crítico. É um livro sobre a Bahia, mas não tem nada a ver com o clima tradicional de louvações à beleza e alegria naturais. Por causa disso, a escolha de Atire em Sofia foi muito lisonjeira para mim. E acho que é mais lisonjeira ainda, nesse sentido, para os próprios baianos – mostra como as cabeças mudaram. O livro, aliás, foi escrito na Bahia mesmo, em 1987/88, período em que interrompi meu jornal no Rio, a fim de ganhar tempo para a literatura, e aceitei um emprego aí.
SR – Qual a sua opinião sobre a ficção brasileira produzida dos anos 70 para cá?
SC – É uma ficção muito rica, mas foi sendo cada vez mais relegada. O público, de modo geral, tem se mostrado menos ligado e o espaço dado à literatura brasileira na imprensa nunca foi tão pequeno. O que vem nas capas são sempre os best-sellers e estrangeiros. Mas há suplementos culturais fora do eixo Rio São Paulo que fazem um ótimo trabalho e abrem mais espaço para a boa literatura brasileira.
SR – Marcel Proust, Clarice Lispector, Vírgina Woolf, você se considera de certa forma herdeira dessa literatura mais intimista ou psicológica?
SC – Não acho que minha literatura seja “intimista”. Aliás, detesto essa palavra. A não ser que você se refira a textos bem trabalhados e até poéticos, mesmo quando o assunto é crime. Veem elementos policiais em meus principais romances. Foi o caso de Os seios de Pandora. Quanto a mim, acho que escrevi o livro mais para “desconstruir” o policial clássico, machista, criando uma figura feminina de investigação. No lugar da detetive, uma repórter. Já Atire em Sofia e O caso Alice são histórias de crime, embora claro que tenham outros elementos. São críticos, têm muito de “mágico”, sobrenatural mesmo e até toques históricos (em Atire em Sofia). Já O jogo de Ifá é um pequeno romance “experimental”. Por outro lado, as personagens, na maioria mulheres, não estão mais trancadas no lar patriarcal, entregues ao seu “intimismo”, mas trabalham fora, se sustentam, moram sozinhas. E pagam um alto preço por isso, evidentemente. É a nova mulher brasileira, que apareceu no início dos anos 70, quando eu estreava em literatura, no Rio. Acho que uma contribuição da minha literatura foi dar voz a essa mulher.

Atire em Sofia de Sônia Coutinho – Personagens
Fernando
“Folheia devagar o álbum de fotografias que tem no colo, observando com cuidado cada foto amarelada com rostos e ambientes de seu tempo de escola. Numa das páginas, um grupo de jovens, que vai identificando: João Paulo, Tom, Josué, Maíra, Matilde, Sofia e ele próprio. Uma turma que nunca perdeu o contato entre si, ao longo dos anos. A não ser por Josué, que morreu primeiro.”
Sofia
É uma mulher de quase 40 anos, sozinha, depois de dois casamentos frustrados e várias relações mal sucedidas. Há vinte anos vivendo no Rio de Janeiro e agora “novamente nesta cidade que tinha ficado dentro dela, por tantos anos, como coisa má ou amor-ódio, esta cidade que sempre lhe doeu, de maneiras diferentes. Talvez jamais tivesse conseguido deitar raízes fundas no Rio, só tentara uma vez durante seu segundo casamento, com Jacinto. O resto fora viver à superfície, ameaçada de submergir a qualquer momento fosse por falta de dinheiro ou por excesso de solidão.
Sua mãe sempre foi para ela um parâmetro inverso – era uma perigosa porta-voz do sistema, tinha de ter cuidado com qualquer de seus conselhos. Seu primeiro marido, Pedro, embora rico, era quase mulato e isso o tornava inviável aos olhos da mãe. Quando vieram as filhas, a mãe o aceitou, entrou em sua casa e firmou, com Pedro, um pacto contra ela.
Tentando fugir desse esquema sufocante e querendo viver uma experiência humana mais ampla, integral, envolve-se com um jornalista e não luta pelas filhas quando Pedro descobre o caso e lhe propõe a separação legal. Ele fica com a custódia das meninas e não lhe dá nenhum dinheiro. Se não aceitasse, brigariam na justiça e ela não teria sequer o apoio da mãe.
Ela vai embora, as filhas ficaram. Passou noites em claro, imaginando como elas estariam junto a um pai patriarcal e a uma avó que impunha seus modelos. Era uma menina ainda e lutava para sobreviver.
Quando se casou com Jacinto as meninas a visitaram poucas vezes, não gostavam dele. Nos outros relacionamentos não quisera envolver as meninas. Tenta disfarçar, mas explode em pranto: ela é uma mulher e há todo um legado latino-americano de lágrimas femininas a considerar.
Foi seduzida ou violentada, em menina, por um tio – e nunca contou a ninguém. Aprendeu a representar a vida inteira: num clima de repressão sexual, menina ainda deixou de ser virgem, teve relações com um adulto, além de tudo seu tio. Ele terminou suicidando-se.
São vários os amores de sua vida:
A relação com Tony, o garoto chileno com quem teve o maior orgasmo de sua vida, durou oito meses. Com Juca descobriu que os homens tinham cada vez menos poder de lhe causar sofrimento e eram cada vez menos capazes de lhe dar alguma felicidade. Pablo a encantava pela vivacidade e por um certo clima de rebeldia e loucura que o cercava. Foram para a cama poucas vezes e sem grande prazer. Um novo colega de trabalho desperta nela uma atração irracional e ela tece histórias em torno de uma relação com ele. O último homem por que se apaixonou foi Ricardo. Vendedor de automóveis, casado, com seus horários ocupados, bonito demais, forte como um touro e muito doce despertava em Sofia sentimentos contraditórios: a Sofia do Rio se permitia amar Ricardo, a Sofia desta cidade enchia-se de culpa e repetia para se: puta, puta.
Sofia, de volta a esta cidade, descobre as muitas pessoas que é. Nela descobre outra família na que era a sua: outros amigos nos que eram os seus.
João Paulo
Presença constante na vida de Sofia ao longo dos anos, mas nunca se tornou uma companhia realmente sólida. Tem 41 anos e há 20 anos foi para a Espanha com uma bolsa de pós-graduação em Direito como o marido de Sofia. Moravam todos juntos na casa do Brasil em Madri. Por pouco ele e Sofia não se tornaram amantes nesta época. Isso só veio a acontecer após o término do segundo casamento de Sofia.
Na época Sofia morava no Rio de Janeiro e ele trabalhava em um jornal em São Paulo. Ela ia quase todos os fins de semana e hospedava-se no hotel-residência onde ele morava.
Até que ele se apaixonou por uma colega e Sofia afastou-se sem mágoas.
Sua vida no Rio é marcada pela obsessão com roupas, aparência, mesas de bar repletas e barulhentas, almoço, jantares e sexo insatisfatório. Estava à beira de um colapso, quando arquiteta um projeto romântico e louco: deixar o emprego, viver de suas economias enquanto escreve um livro. Conta com o apoio de uns tios que lhe emprestam um quarto-e-sala em Salvador e um carro velho – desespero, fuga ou tentativa mesmo de escrever um romance?
Esta cidade está exercendo sobre ele um efeito estranho e faz com que mergulhe em seu passado remoto e desça ao mais fundo de si mesmo.
Revê, de repente, cenas de sua infância no interior, seu sentimento de inferioridade diante dos colegas por sua mãe ter sido primeiro prostituta e, depois, “rapariga” de um coronel do cacau.
Era filho de um soldado que quase não conheceu, caso de amor de sua mãe ainda menina. Fora sustentada pela mesada do coronel até terminar o curso de Direito, mesmo tendo já seu Francisco se separado de sua mãe. E ainda foi ele quem lhe conseguiu uma bolsa para uma pós-graduação na Espanha.
Lembra o seu amor por Alina e a dificuldade dela de romper com os padrões para segui-lo, embora o incentivasse a lutar pelo sucesso. O reconhecimento como jornalista chegou sem nenhum entusiasmo de sua parte. As mulheres que passavam por sua vida davam-lhe a sensação estranha de fascinação e nojo. Todas como sua mãe – bonita, temperamental, “rapariga”. Sempre houve nele um potencial inesgotável e semiadormecido do ódio contra as mulheres. Teve três casamentos, mas, felizmente, nunca houve filhos.
Às vezes pensa em ser um crítico de jazz ou então vir morar aqui e abrir um restaurantezinho ou uma pequena galeria de arte.

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