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Cartas sobre a Confederação dos Tamoios de José de Alencar

 

Cartas sobre a Confederação dos Tamoios

O volume, de 1856, Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, reúne oito textos publicados por José de Alencar, sob o pseudônimo de Ig., no jornal Diário do Rio de Janeiro, datados de 18 de junho a 15 de agosto do mesmo ano.

Nessas cartas, Alencar procede a uma crítica radical do poema de Gonçalves de Magalhães, A confederação dos tamoios, cuja publicação fora custeada pelo imperador Pedro II. A publicação da crítica dá origem a uma grande polêmica, da qual participa inclusive Pedro II, na defesa do seu protegido e do romantismo oficial que este encarnava.

Alencar atacou A confederação por dois flancos principais: por um lado, avaliou o poema do ponto de vista dos preceitos clássicos que regiam a epopeia, censurando-lhe a falta de elevação do tema e da linguagem, a ausência do elemento maravilhoso e ainda a não observância de princípios ordenadores da ação principal; por outro, acusou o feitio pouco romântico da obra, reclamando caráter mais específico das personagens, mais cor local e maior aproveitamento dos motivos líricos na descrição da natureza brasileira.

Nessa segunda linha de argumentação, terminava por sugerir que a forma da epopeia, ainda que fosse realizada de acordo com os preceitos, seria inadequada aos tempos modernos, sendo o romance a forma mais capaz de dar conta dos objetivos épicos românticos.

E de fato, no ano seguinte, Alencar apresentará, com grande repercussão de público, o que pode ser visto como uma resposta e um contraponto ao poema de Magalhães, o romance O Guarani.

Trecho escolhido:
O pseudonimo de Ig. foi tirado das primeiras lettras do nome Uguassú, heroina do poema; ninguém dirá pois que a Confederação dos Tamoyos não é capaz de inspirar, quando suscitou-me a idéa de um pseudonimo que fez quebrar a cabeça de muita gente.

Alguem pensou ou quiz pensar que tive collaboradores n’estas cartas, mas enganou-se completamente; tive sim mestres como Chateaubriand e Lamartine, de quem lia algumas paginas para ter a coragem de criticar um poeta de reputação como é o Sr. Magalhães.

O leitor que julgou que a idéa pelo que valia, sem o apparato de um nome conhecido, mas excitado pela curiosidade do misterio, dar-lhe-ha de certo menos apreço quando souber quem a escreveu.

Agosto de 1856.
J. d’Alencar.

 

Cartas sobre a Confederação dos Tamoios

Publicado em:Resumos de livros

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