Menu fechado
Resumo de Livro de Leitura Obrigatória para Vestibular

Cidade de Deus de Paulo Lins II

 

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II – A história de Zé Pequeno
O terceiro capítulo começa com a inútil caçada de Pequeno a Pança e Butucatu, dois bandidos que conhecem todos de Cidade de Deus e juram em segredo matar todo mundo e a consumação do romance de Ari, o Soninha, com Guimarães, que enjoou da mulher.
Zé Pequeno procura uma loira por quem se apaixonou. Mexe com ela e, desprezado, estupra-a violentamente na frente do namorado. Depois procura o namorado, Mané Galinha, em sua casa para matá-lo e, não o encontrando, mata seu avô. Isso causa uma enorme revolta em Galinha, que parte para a vingança obstinadamente. Galinha havia servido na brigada de paraquedistas do Exército e tinha uma enorme habilidade com armas, além de ser forte e atlético. No primeiro confronto Galinha mata dois quadrilheiros com extrema rapidez e crueldade. “Era a primeira vez que uma pessoa atirava em Pequeno na favela, matava dois de seus quadrilheiros e fazia com ele se escondesse.”
Sandro Cenoura procura Mané Galinha para formar quadrilha e derrubar Zé Pequeno.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II: eles se unem e a guerra contra o bando de Zé Pequeno é inevitável. As quadrilhas aumentam e a guerra prolifera com a participação das crianças. Para manter a luta, Galinha começa a praticar assaltos, enquanto a imprensa destaca a guerra das quadrilhas de Cidade de Deus. O caos das quadrilhas em guerra é evidente, e, num dado momento, a narrativa dá uma trégua à guerra e passa a relatar outros crimes paralelos, estando Mané Galinha escondido por uns tempos. Mais tarde, voltando à sua obstinada caçada, Galinha vai à procura de Peninha e Cabelo junto com Fabiano, e acabam matando outro traficante. Aos poucos a guerra se generaliza, transformando Cidade de Deus no lugar mais violento do mundo. Seus soldados se uniformizam e, no auge do conflito, Cidade de Deus é uma praça de guerra. Após ficarem frente a frente, Pequeno atinge Galinha. Ele não morre, mas as matanças continuam na briga pelo poder do tráfico. Calmo é novamente preso e galinha é resgatado no hospital. Aumenta seu desejo de vingança pela morte de seu irmão Gilson. A polícia estava fora e, conforme passava o tempo, os bandidos iam contando suas vitimas. Mais uma vez, após um ataque de nervos, Galinha é baleado; depois, pela terceira vez, em conflito com Calmo e Madrugado, um viciado finge ajudá-lo e o atinge com vários tiros e sua morte é inevitável. O viciado vingava a morte de um irmão.” A festa para comemorar a morte de Galinha atravessou três dias, enquanto Lá em Cima tudo era silêncio, ruas desertas, biroscas e lojas comercias fechadas. O Corpo de Galinha foi velado em sua própria casa, sem a presença de bandidos. Seu enterro, em número de pessoas, superou o de Bené e de Salgadinho.”
A polícia monta um novo esquema de repressão para Cidade de Deus e uma operação de grande porte é acionada na região. “A insegurança dominava a favela. Até os viciados, antes fregueses bem tratados porque sustentavam o ganha-pão, passaram a correr riscos de vida.”
Enquanto Pequeno jogava Calmo contra Biscoitinho e tramar tomar a boca Lá em Cima, que é de Cenoura, a operação de polícia é escandalizada pelo massacre de um grupo de crianças. Mesmo assim, o cerco aumenta e o sargento Roberval prende Pequeno, mas o solta em seguida após pegar todo o dinheiro e pedir cinquenta por cento de todo o dinheiro da boca.
Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II: Cabelo Calmo e Biscoitinho duelam pelos becos de Cidade de Deus e Calmo é atingido, mas foge com vida. O clima de revolta pela morte das crianças continua, assim como o comando de Sandro Cenoura nas bocas Lá em Cima. A guerra com a polícia faz enorme número de vítimas que são atiradas em lugares afastados. A ex-namorada de Playboy denuncia uma reunião de traficantes, a polícia cerca o local e faz uma chacina. Isso faz com que algumas bocas troquem de dono. “Pequeno deu o azar de ser abordado pelas Polícia Civil e Militar mais seis vezes. Tanto os civis como os militares o extorquiam.”
Novamente flagrado com dinheiro, drogas e armas, Pequeno foi julgado e encaminhado ao presídio Milton Dias Moreira, onde passa a integrar a facção que dominava os presídios cariocas. Do presídio, pelo telefone, Pequeno passa as instruções a seu irmão Pinha e continua a comandar o crime, até que paga um suborno e sai do presídio, refugiando-se fora da Cidade de Deus. Cenoura é afastado da favela, mas sempre causando mortes. Cabelo Calmo se apaixona por uma professora e se entrega à polícia por insistência dela e acreditando na justiça. No segundo dia na penitenciária Lemos de Brito é assassinado a facadas por Nervo Duro.
A sucessão dos traficantes se intensifica: Israel é morto por Conduíte, e Biscoitinho, por Lampião. Otávio que era um cocota que pensava em matar todo mundo para ser dono do tráfico, entra para a macumba e se apresenta para a quadrilha da Treze, sob o comando de Tigrinho e Borboletão. Não pede nenhum cargo de hierarquia do tráfico. Ele só queria matar. Marisol, agora taxista, leva três tiros de Zezinho Cara de Palhaço, que é preso.
Enquanto Cenoura vai preso para a Baixada Fluminense, continua a sucessão de bandidos no poder das bocas.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II: Otávio mata Jacarezinho, que estava sabotando a boca de Borboletão e Tigrinho. Ele domina Jacarezinho e faz com que cave a própria cova. Trajado de vermelho e preto, com uma cartola, Otávio é um assassino com requintes de brutalidade inigualáveis. “…deu só um tiro para depois cortar o corpo de Jacarezinho com o facão. Com a própria cavadeira jogou a terra de volta para o buraco, foi até os pés da figueira mal-assombrada, acendeu sete velas, sentou em cima da cova, retirou um baseado do bolso, acendeu e fumou sem muita pressa.” Depois desse crime, Otávio repete o ritual com mais de trinta vítimas e as enterra na mesma cova. É preso por dois anos e passa um tempo como pregador evangélico. Depois casou, teve filhos e jogou a culpa de seus crimes no Diabo. Alegando que fora dominado por uma força maléfica, incontrolável. Mais tarde, porém, voltou. “…rasgou a Bíblia, queimou o terno com o qual costumava ir aos cultos e foi à boca pedir a Borboletão uma pistola para matar somente policiais.”
Messias, o último “herdeiro” do tráfico Lá de Cima, propõe trégua a Borboletão e Tigrinho na Treze. Com isso a paz volta a reinar na favela. Bastiana, a Bá, deixa o tráfico; a nova geração de cocotas continua curtindo a vida; Busca-Pé realiza o sonho de ser artista como fotógrafo; Cara de Palhaço recebe visita de Marisol, que ficara paraplégico por sua causa, e dias depois aparece enforcado na cela.
Pequeno encontra Borboletão, que continuava com a boca dos Apês, e deixa claro que vai voltar. Tinha estado em Realengo. “O bandido tinha sua prepotência renovada e planos para ser novamente o dono de Cidade de Deus, e para isso já tinha planejado com seus parceiros de Realengo um ataque surpresa na Treze logo na primeira semana de seu novo mandato nos Apês, depois atacariam Lá em Cima.”
No entanto, na sua volta, “…Tigrinho, que observava atentamente, retirou a pistola da cintura, deu um tiro no abdômen de Pequeno e saiu correndo junto com Borboletão”. O bando de Pequeno se entocou nos Apês, Pequeno morreu ao som dos fogos de Ano-novo e eles voltaram para Realengo. Logo após a morte de Pequeno a narrativa se encerra. “Lá na Treze, Tigrinho, bem cedinho, mandou um menino moer vidro, colocá-lo dentro de uma lata com cola de madeira. Depois do cerol feito, passou-o na linha 10 esticada de um poste ao outro. Esperou o cerol secar na linha, fez o cabresto, a rabiola e colocou uma pipa no alto para cruzar com as outras no céu. Era tempo de pipa na Cidade de Deus.”

2. Comentários – Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II
“Cidade de Deus” é uma história de guerra. Não só a guerra na favela, mas uma constante disputa por poder, ascensão social e dinheiro. O romance toma variadas direções e tendências estéticas, ora explícitas na narrativa, ora simplesmente sugeridas no desencadear dos fatos. É o fruto de exaustiva pesquisa na qual Paulo Lins protagoniza uma favela como metáfora da sociedade carioca e da sociedade brasileira.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II: Escrito em terceira pessoa, “Cidade de Deus” é extensa narrativa que pode ser analisada como romance naturalista, quando descreve o modo de vida de seus personagens. A infância dos bandidos, nas brincadeiras de pipa, pião, futebol, nos banhos de rio e no contato com a natureza, marca esse naturalismo e depois, na maturidade do crime como única forma de sobrevivência, é a violência que comanda os destino, imperando a lei do mais forte, como se todos fossem animais vivendo numa selva urbanizada e primitivamente civilizada. A animalização está presente no modo de agir dos bandidos: o consumo de drogas, o tipo de alimentação, o prazer do sexo, a organização de suas casas e a forma naturalmente cruel como se matavam uns aos outros.
Outro caráter que podemos sentir em todo o livro é o realismo. O autor parte de fatos reais para estruturar o romance a adapta sua linguagem através de minuciosa pesquisa linguística (diálogos, termos, gírias, palavrões) que permite, juntamente com a realidade dos fatos, apresentar ao leitor uma trama independente de qualquer sentimentalismo que possa amenizar a crueza imutável dos acontecimentos.
Muito definido também é o caráter expressionista. O exagero e a insistência da narrativa em descrever pormenores e detalhes dos crimes é característica que Paulo Lins mantém durante todo o livro e que destaca a forma grotesca pela qual o autor valoriza a violência e o suspense em cada gesto dos personagens.
Ainda podemos destacar o caráter de transformação que, ajudado pelo desenrolar dos fatos através de um longo período de tempo, marca a mudança de todos os componentes da trama. O conjunto habitacional transforma-se em favela, as crianças se transformam em bandidos, a polícia se corrompe, a natureza é poluída, os valores sociais se modificam etc.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II: essa mescla de estilos é que mantém a estrutura do romance em constante tensão. A realidade se contrapõe à ficção, a natureza à urbanização, a civilização organizada à anarquia, a ambição do poder à simplicidade da vida e o progresso à decadência.
Tecnicamente o romance divide-se em três partes (capítulos). A narrativa tem estilo cinematográfico, em que o detalhamento das cenas é a maior característica. Há constante fragmentação que interrompe os casos narrados e também insere descrição dos personagens que entram na trama. Mesmo assim o romance segue uma cronologia linear em relação ao tempo real dos acontecimentos, com exceção de alguns flashbacks.
A primeira parte, “A História de Cabeleira”, narra a ocupação de Cidade Deus e a formação das quadrilhas. A ambição é individual, a relação com as drogas é mais no sentido do próprio consumo, e o que move a criminalidade dos bandidos é a vontade de fazer um grande assalto e viver o resto da vida nos moldes ideais dos burgueses. A participação da polícia é efetiva, que de forma violenta e implacável procura eliminar os criminosos. Destaca-se ainda o amor e o casamento.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II: a Segunda parte, “A História de Bené”, tem seu maior enfoque na busca do comando da favela por meio do tráfico de drogas e na nova geração de criminosos que dão proteção à comunidade. Também se destaca a ascensão dos cocotas como uma tribo social de características marcantes, a corrupção do sistema carcerário e a maneira de viver dos homossexuais. A terceira e última parte, “A História de Zé Pequeno”, traz a guerra propriamente dita e a sequencia interminável de sucessores no comando do tráfico. Emerge a figura do justiceiro implacável, Manoel Galinha, que, no entanto, não modifica o destino da marginalidade.
É importante destacar a relação dos moradores de Cidade de Deus com a morte. A importância de um bandido, por serem eles que faziam as leis de proteção à comunidade, era medida pelo número de pessoas que iam ao seu enterro ou pelo silêncio diante de alguma vítima de sua crueldade. Era o respeito a essas regras que fazia com que houvesse a paz.
“Cidade de Deus” é ainda um romance que traz fortes traços culturais de um povo predominantemente negro, cultuador da Umbanda e do Candomblé, devoto de São Jorge, amante do carnaval e dos ritmos brasileiros como o samba de partido alto, hoje mais conhecido como pagode; tradicionalmente frequentador de clubes e bares, da praia do final de semana, da culinária associada às comidas fortes e ao consumismo popular por influência da mídia.

3. Personagens – Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II
“Cidade de Deus” envolve grande número de personagens. Os protagonistas se sucedem de acordo com o sucessivo e interminável número de mortes. Diante dessa característica, toda a trama é protagonizada principalmente pela própria Cidade de Deus. Por isso destacaremos somente os três principais, até porque o perfil descritivo da maioria dos protagonista se assemelha com o deles:

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II – Cabeleira: Era negro de família humilde. Seu pai era alcoólatra e a mãe, prostituta. Elegante no andar, bom porte físico, bem sucedido com as garotas, habilidoso capoeirista, Cabeleira representa o anti-herói, surreal e lírico. Não estupra, respeita a comunidade e a rapaziada do conceito. É com ele que começa a respeitar os limites da favela para se assaltar. Cabeleira, no entanto, é cruel e maldoso com seus inimigos, mata sem piedade e sempre se vê protegido por seus exus e pomba giras.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II – Bené: É cria de Cidade de Deus. Sua crueldade fizera com que herdasse, junto com Zé Pequeno, todo o poder do tráfico na favela. Admira os cocotas e, depois que se enturma com eles, passa a se vestir só com roupas de grifes famosas e tatua um enorme dragão no braço. É negro, baixinho e gordinho. Não é feliz no amor e sonha em ganhar muito dinheiro para fundar uma comunidade alternativa.

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II – Zé Pequeno: Também negro baixinho e gordinho, é o mais feio dos bandidos. Sua crueldade é a mais temível de toda a narrativa. Sonha em ser dono de Cidade de Deus e para isso não poupa ninguém. Constantemente coloca seus amigos uns contra os outros. A risada fina, estridente e rápida, acompanha suas ações de crueldade e é sua marca registrada. Totalmente infeliz no amor, estupra a namorada de Manoel Galinha, fato que gera a guerra na favela. Representa o poder do submundo do crime. É o que mais enriquece com o tráfico e que comanda a favela por mais tempo, inclusive de dentro da prisão. Seu fim finaliza o romance mas não finaliza a história de “Cidade de Deus”.

Voltar a ler o resumo Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins – parte I

 

Resumo Cidade de Deus de Paulo Lins II

Publicado em:Resumos de livros

Você pode gostar também