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Crônicas e novelas de Olavo Bilac

 

Crônicas e novelas de Olavo Bilac

Escrito durante o período em que Bilac, perseguido pela ditadura de Floriano Peixoto, esteve escondido em Minas Gerais, o livro se divide em duas partes. Na primeira, uma série de textos de caráter histórico e descritivo dá conta de sua familiarização com a paisagem e as figuras da história de Minas; na segunda, vem um conjunto de cinco textos, impropriamente denominados “novelas”, de acentuado sabor romântico, com direito inclusive a um relato sobre o uso do haxixe.

Crônicas e novelas de Olavo Bilac – Crônicas
Liminar
Marília
Padre faria
S João do Ouro Fino
Entre ruínas
Lázaros
S José D’el-Rei
Fr. João José
Triunfo eucarístico

Crônicas e novelas de Olavo Bilac – Novelas
No tietê – página do diário íntimo de Jacques
No hospital
A canabina
O sonho
O crime – carta de Jacques, achada entre papéis velhos

 

Trecho selecionado de Crônicas e novelas de Olavo Bilac – O crime – carta de Jacques, achada entre papéis velhos

Fui abrir. E Barbosa precipitou-se no quarto com a fisionomia torcida de terror, alucinado. Abraçou-se a mim, chorando. Tonto ainda de sono, fiquei sem compreender cousa alguma. Ele chorava, sem poder falar, sufocado pelo choro.

Afinal, sempre pude entender: Otávio assassinara a mulher.
Contou-me os pormenores. De manhã, não se podendo conter, fora rondar-lhe a casa. Havia muita gente à porta. Disseram-lhe que o Dr. Otávio matara a mulher a tiros de revólver; que já fora preso; que a polícia tomara conta da casa.

Vesti-me não sei como, corri para lá. Dois soldados à porta não me queriam deixar entrar: empurrei-os, subi a escada a quatro e quatro.
Na sala, guardado pela polícia, o corpo estava no chão, estendido sobre o tapete. Nenhuma pessoa da família: Otávio preso, e a tia, naturalmente, ainda ignorando tudo.

Ema estava vestida de branco, como naquela radiante manhã de domingo, quando a vi pela primeira vez, a bordo. Colavam-se-lhe à testa os cabelos, empastados. Aberto no peito, o vestido deixava sair um seio moreno, rijo e curvo como um bloco de ouro, todo listrado de sangue.

Sob as pálpebras arregaçadas, os seus olhos negros, os seus grandes olhos profundos fixavam-me em mim.
O outro vivia. Ela estava morta. Fora eu quem a matara?
Que importava?… ninguém mais beijaria aquele seio, beijado por dous homens, nunca beijado por mim…
Foi um crime — o que eu fiz?”

 

Crônicas e novelas de Olavo Bilac

Publicado em:Resumos de livros

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