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Desencantos de Machado de Assis

 

Desencantos de Machado de Assis

Este é o livro de estréia de Machado de Assis. Uma fantasia dramática, comédia desenhada ao gosto dos provérbios franceses, como dizia Quintino Bocaiúva. A peça é dedicada ao amigo, então jornalista, que o convidara a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro.

Desencantos de Machado de Assis é uma peça teatral curta, tensa e em dois atos.
Seu personagem principal, Luiz de Melo é apaixonado por Clara e não correspondido. Uma série de acontecimentos fazem com que o casal mude de posição.

Trecho escolhido da peça Desencantos de Machado de Assis:

Cena III

Pedro Alves, Clara

Pedro Alves: Este nosso vizinho tem uns ares de superior que me desagradam. Pensa que não compreendi a alusão da parasita e dos histriões? O que não me fazia conta era desrespeitar a presença de V. Exa., mas não faltam ocasiões para castigar um insolente.

Clara: Não lhe acho razão para falar assim. O Sr. Luis de Melo é um moço de maneiras delicadas e está longe de ofender a quem quer que seja, muito menos a uma pessoa que eu considero…
….
Pedro Alves: Ciúme, sim. O que me respondeu V. Exa. à pergunta que lhe fiz sobre o meu bilhete? Nada, absolutamente nada. Talvez nem o lesse; entretanto eu pintava-lhe nele o estado do meu coração, mostrava-lhe os sentimentos que me agitam, fazia-lhe uma autópsia, era uma autópsia, que eu lhe fazia de meu coração. Pobre coração! Tão mal pago dos seus extremos, e entretanto tão pertinaz em amar!

Clara: Parece-me bem apaixonado. Devo considerar-me feliz por ter perturbado a quietação do seu espírito. Mas a sinceridade nem sempre é companheira da paixão.

Pedro Alves: Raro se aliam é verdade, mas desta vez é assim. A paixão que eu sinto é sincera, e pesa-me que meus avós não tivessem uma espada pra eu sobre ela jurar…

Clara: Isso é mais uma arma de galantaria que um testemunho de verdade. Deixe antes que o tempo ponha em relevo os seus sentimentos.

Pedro Alves: O tempo! Há tanto que me diz isso! Entretanto continua o vulcão em meu peito e só pode ser apagado pelo orvalho do seu amor.

Clara: Estamos em pleno outeiro. As suas palavras parecem um mote glosado em prosa.
Ah ! A sinceridade não está nessas frases gastas e ocas.

Pedro Alves: O meu bilhete, entretanto, é concebido em frases bem tocantes e simples.

Clara: Com franqueza, eu não li o bilhete.

Clara: Dizia-me então?…

Pedro Alves: Dizia-lhe que, com o espírito vacilante como baixel prestes a soçobrar, eu lhe escrevia à luz do relâmpago que me fuzila n’alma aclarando as trevas que uma desgraçada paixão aí me deixa. Pedia-lhe a luz dos seus olhos sedutores para servir de guia na vida e poder encontrar sem perigo o porto de salvamento. Tal é no seu espírito a segunda edição de minha carta. As cores que nela empreguei são a fiel tradução do que sentia e sinto. Está pensativa?
…..
Pedro Alves: Eu não apelo para o tempo. O meu juiz está em face de mim, e eu quero já beijar antecipadamente a mão que há de lavrar a minha sentença de absolvição. (quer beijar-lhe a mão. Clara sai) Ouça! Ouça!
….

 

Desencantos de Machado de Assis

Publicado em:Resumos de livros

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