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Resumos de Livros para vestibular e Enem por Vestibular1

Fédon de Platão

 

Resumo Fédon de Platão – parte III
É um fato que é a ciência que nos proporciona uma vida facilitada, em termos de comunicação, trabalhos domésticos, entre outros. E sem ela nunca teríamos chegado aonde chegamos, mas permaneceríamos na pré-história. A Matemática foi a grande aliada das Ciências Naturais, na medida em que só ela é entendida por todos e tornou-se na linguagem universal no estudo do real, daquilo a que Platão chama Mundo Sensível.
“Se não fosse a Matemática, o que é que poderíamos comunicar? A Matemática é o único meio de comunicação possível” (Público de 11/91).
A mim, fascina-me tudo aquilo que a Ciência inventou e faz, mas não me dá gosto estudá-la, nem aprendê-la ou descobri-la. Interesso-me muito mais pelas Ciências Humanas que estudam os comportamentos e atitudes do Homem no mundo da técnica em que está envolvido. Assim sendo, concordo com Sócrates, até um certo ponto, ou seja até à apologia que ele faz da filosofia como esforço de formular questões que se relacionam com a nossa existência neste Mundo e em relação com o outro. O ponto em que discordo relaciona-se com o fato de ele não “autorizar” o uso sensível que se faz da Matemática. Sem ela não saberíamos contar nem saberíamos fazer as medidas necessárias à construção das nossas próprias habitações, e às de Sócrates e Platão também!

Fédon de Platão – O Século XX e as Reencarnações
“A Teoria da Reencarnação está cada vez mais em moda nos Países Ocidentais. Com efeito, 23 por cento dos portugueses acreditam na transmigração das almas, e o mesmo acontece com 21 por cento dos espanhóis, 20 por cento dos italianos e um quarto da população francesa. Esgotam-se os livros sobre o assunto. O que revela uma necessidade imperiosa de acreditar em qualquer coisa a que as Igrejas já não conseguem dar resposta.”
Por que esta atração pela transmigração das almas no velho continente?
Acreditar na Reencarnação é deixar a alma livre para que depois da morte ela possa escolher ir para onde quiser, o que implica que as vidas futuras variem conforme os desejos. Esta ideia é também defendida por Monique, iconógrafa, de 52 anos e antiga católica que afirmou “a Reencarnação deu-me finalmente uma lógica para a vida. Quando se morre, a alma deixa o corpo físico e parte para umas férias grandes. Aí, uns ‘seres guias’ desencarnados mostram-nos as possibilidades de vida. A seguir, faz-se o balanço da vida passada e decidimos onde vamos reencarnar: por exemplo, numa família pobre para aprender a humildade se pequei por orgulho numa vida anterior”.

Fédon de Platão: a reencarnação torna-se, desta forma, numa crença adaptada à sociedade atual formada por indivíduos preocupados em manter a sua liberdade de escolha. Com efeito, o homem moderno é juiz de si próprio o que lhe permite fazer a sua própria escolha de uma vida futura.
Para outros, a reencarnação tira a angústia da existência, dando sentido às injustiças cometidas durante as vidas anteriores. De fato, e de acordo com aqueles que concordam com esta ideia de justiça subjacente à reencarnação, nós reencarnamos de acordo com as nossas existências anteriores; isto é, se praticamos o Bem então teremos, após a morte, uma vida feliz e próspera. Só assim se explicam as diferenças que existem entre os homens.
A vida é a escola da alma, afirmam os crentes ainda ligados às antigas Igrejas. É nesta Escola que a alma progride passo a passo até chegar à realização espiritual plena, ou seja, até atingir um determinado grau de pureza.

Fédon de Platão: várias sondagens realizadas chegaram à conclusão de que cada vez mais crentes se sentem atraídos por esta doutrina da reencarnação na medida em que, pelo fato de terem recebido uma educação religiosa, estão mais sensibilizados para uma vida depois da morte. No entanto as representações de um outro mundo (Jardim de Éden) já não são aceites uma vez que as pessoas passaram a procurar as respostas neste mundo.
Para os mais jovens, a reencarnação é uma crença mais flutuante. Pode acreditar-se num dia e estar-se céptico no dia seguinte. Por vezes, pode-se ficar intrigado por impressão de dejá vue. Estamos assim perante aquilo que Edgar Morin chama, a respeito da Astrologia, uma “crença que se apaga”.
Recusando pôr em questão a sinceridade de dezenas de milhares de pessoas que experimentaram as sessões de hipnose, descobrindo que tinham vivido numa outra vida completamente diferente, alguns investigadores americanos lançaram-se na exploração científica do fenômeno. Vários testemunhos foram já parar-lhes às mãos e alguns bastante perturbadores como é o caso, por exemplo, de crianças de diferentes regiões que evocam, espontaneamente, acontecimentos, lugares e pessoas que nada têm a ver com a sua existência atual. Os partidários da Reencarnação não apresentaram estes trabalhos como provas científicas.
A dúvida persiste: “quais serão as outras hipóteses capazes de esclarecer estes fenômenos?”. As respostas são variadas:

Fédon de Platão: uns dizem que estes fenômenos provêm das personalidades múltiplas da pessoa, isto é, problemas de identidade tendo várias personalidades que uma a uma, em alternância, vão controlando o psíquico; criatividade imaginária, nos casos induzidos pelas técnicas de relaxamento ou hipnóticas; foram já apresentadas várias encarnações de Cristo, fato que vários psicólogos explicam como sendo jogos de faz de conta projetados pelo inconsciente, durante os quais o doente revive experiências pessoais profundas; os budistas têm como válida a ideia de que os vários agregados psíquicos do ser humano, quando este sucumbe, dispersam-se e transmigram para várias crianças acabadas de conceber.
Como se pode depreender, nenhuma destas hipóteses é definitiva ou funciona como uma resposta certa para o problema da reencarnação que ganha, nos nossos dias, mais adeptos.
A psicanalista Elisabeth Roudinesco afirmou que:
“Ir procurar em vidas anteriores a origem dos males da vida presente, é negar um século de psicanálise e, mais genericamente, todo o saber psíquico, filosófico e médico que permitiu mostrar que se podia encontrar a origem das patologias na história pessoal do indivíduo. Quanto à reencarnação, podemos também investigar a sua aplicação social e política e ver como a Índia continua a legitimar o sistema de castas. O Indivíduo só pode progredir se tomar consciência que as suas dificuldades vêm dele e da sociedade, e não podem ser resolvidas senão por iniciativas terapêuticas ou sociais. Temo que o desenvolvimento desta crença no Ocidente constitua, sobretudo, uma enorme fuga face aos problemas reais concretos, atuais e urgentes que temos de resolver”.
De tudo isto que foi afirmado aqui, podemos falar na modernidade da obra de Platão que aborda exatamente o tema com que as sociedades atuais se debatem.

Fédon de Platão – Conclusão – Algumas Reflexões
Ninguém fica indiferente ao Fédon, e o mesmo se passou comigo. Antes de o ler, acreditava que a nossa vida era esta e acabava assim que o nosso corpo morresse, já que com ele morreríamos nós também, a nossa essência, o nosso eu.
O Fédon abriu em mim novas portas e novas perspectivas relativamente à alma mas até que ponto é que acredito que ela é imortal é que já tenho algumas dúvidas. Esses problemas são, então:
Se a alma é imortal, então para onde vai? Irá vaguear por aí sozinha sem destino definido? ou, pelo contrário, irá para um local como o paraíso de Ellie (do filme Contacto)?
E se a alma for mortal? Morre assim que o corpo morrer, desaparecendo uma identidade completa, talvez lembrada pelos filhos e netos, mas depois disso…
O que a obra fez foi despertar-me para esta questão e para uma crença que deverá existir em nós pois só ela dá lugar às reflexões acerca de tudo o que nos rodeia. Neste caso, a morte e a possível perenidade da personalidade/alma. São estes nossos sonhos e reflexões que vão fazer com que ponderemos sobre aquilo que nos espera, sobre o futuro e que nos levam a tornar as coisas o mais agradável possível. Como diz o poeta “Quando o homem sonha o Mundo pula e avança”. Assim sendo, aqueles que acreditam que a vida e existência acabam no exato momento da nossa morte, têm como grande objetivo tornar os seus dias felizes, na companhia de quem gostam e a fazer o que gostam. É essa a sua grande preocupação, ou pelo menos deverá ser. Pelo contrário, aqueles que, tal como Sócrates, acreditam numa vida melhor para além da morte, o seu dia-a-dia torna-se mais descansado tendo como preocupação mínima a prática do Bem que os conduzirá a essa tal vida mais feliz e pura.

Fédon de Platão: quanto a mim, penso que me insiro nas duas perspectivas, na medida em que não sei em que acreditar. Se uns dias acredito plenamente na transcendência e numa outra existência para além da morte, outros dias sinto-me como um pedaço de vida (um ser com vida) com consciência que anda aqui porque tem de ir à Escola, porque quer tirar um curso de Direito e porque também quer, tal como os seus pais, construir uma família, ser feliz e ter uma vida pouco agitada, assim como lhe ensinaram.
O Fédon funcionou, então, como um despertar de consciência para uma possível realidade que é a imortalidade da alma. Não quero com isto dizer que sou uma fiel seguidora de Sócrates e de Platão e que acredito em toda a sua argumentação e teoria. O que pretendo afirmar é apenas que novos problemas me foram colocados e com os quais não me preocupava muito.

Fédon de Platão: toda esta situação criou em mim uma grande confusão por já não saber em que acreditar ou que tese seguir. Talvez se acreditasse em Deus, a ideia de que depois da morte teremos uma nova vida consoante os nossos atos na Terra seria por mim mais bem aceite. Mas, não tendo qualquer religião em que acreditar, caminho um pouco às escuras, pois não tenho mais nada a servir de ponto de partida que não seja a minha própria existência e tudo aquilo que ela já me ensinou.

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Fédon de Platão

Publicado em:Resumos de livros

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