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Resumo de Livro de Leitura Obrigatória para Vestibular

Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa

 

Resumo Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa – parte II

Como vi que ele me olhava com aquela enorme paciência – calma de que minha dor passasse ; e que podia esperar muito longo tempo. O que vendo, tive vergonha, assaz.
Mas, por fim, eu tomei coragem, e tudo perguntei:
-“O senhor acha que a minha alma eu vendi, pactário ? ”
Então ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu:
-“Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que são as quase iguais…”
(…)
Cerro. O senhor vê. Contei tudo. Agora estou aqui, quase barranqueiro. (…) Amável senhor me ouviu, minha ideia confirmou : que o Diabo não existe. Pois não ? O senhor é um homem soberano, circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo não há ! É o que eu digo, se for… Existe é homem humano. Travessia.

Grande Sertão Veredas – Linguagem
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz uma recriação da linguagem, “recondicionando-a inventivamente, saindo do lugar-comum a fim de dar maior grandeza ao discurso. Nu da cintura para os queixos (ao invés de nu da cintura para cima) e ainda Não sabiam de nada coisíssima (no lugar de não sabiam de coisa nenhuma) constituem exemplos do apuramento da linguagem Roseana.

Em Grande Sertão Veredas, toda a narrativa é marcada pela oralidade (Riobaldo conta seus casos a um interlocutor), portanto, sem possibilidades de ser reformulado, já que é emitido instantaneamente. Ainda tem-se as dúvidas do narrador e suas divagações, onde é percebido a intenção de Riobaldo em reafirmar o que diz utilizando a própria linguagem.

O falar mineiro associado a arcaísmos, brasileirismos e neologismos faz com que o autor de Sagarana extrapole os limites geográficos de Minas. A linguagem ultrapassa os limites “prosaicos”para ganhar dimensão poético-filosófica (principalmente ao relatar os sentimentos para com Diadorim ou a tirar conclusões sobre o ocorrido através de seus aforismos).

Grande Sertão Veredas – Aforismos
1- Viver é muito perigoso
2- Deus é paciência
3- Sertão. O senhor sabe: sertão onde manda quem é forte, com as astúcias.
4- …sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar.
5- …toda saudade é uma espécie de velhice
6- Jagunço é isso. Jagunço não se escabreia com perda nem derrota – quase tudo para ele é o igual.
7- Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.
8- Viver é um descuido prosseguido.
9- sertão é do tamanho do mundo
10- Vingar, digo ao senhor : é lamber, frio, o que o outro cozinhou quente demais.
11- Quem desconfia, fica sábio.
12- Sertão é o sozinho.
13- Sertão : é dentro da gente.
14- …sertão é sem lugar.
15-Para as coisas que há de pior, a gente não alca edil;a fechar as portas.
16- Vivendo, se aprende ; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.
17- …amor só mente para dizer maior verdade.
18- Paciência de velho tem muito valor.
19- Sossego traz desejos.
20- … quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.

Grande Sertão Veredas – Estrutura Narrativa
I – TEMPO
Psicológico. A narrativa é irregular (enredo não linear), sendo acrescidos vários casos pequenos.

II – FOCO NARRATIVO
Primeira pessoa – narrador-personagem – utilizando-se do discurso direto e indireto livre.

III – ESPAÇO
A trama ocorre no sertão mineiro (norte), sul da Bahia e Goiás. No entanto, por se tratar de uma narrativa densa, repleta de reflexões e divagações, ganha um caráter universal – “o sertão é o mundo”.

IV – PERSONAGENS

Grande Sertão Veredas – Principal:
Riobaldo: personagem-narrador que conta sua estória a um doutor que nunca aparece. Riobaldo sente dificuldades em narrar, seja por sua precariedade em organizar os fatos, seja por sua dificuldade em entendê-los. Relata sua infância, a breve carreira de professor (de Zé Bebelo), até sua entrada no cangaço (de jagunço Tatarana a chefe Urutu-Branco), estabelecendo-se às margens do São Francisco como um pacato fazendeiro.
Grande Sertão Veredas- Secundários:
Diadorim: é o jagunço Reinaldo, integrante do bando de Joca Ramiro. Esconde sua identidade real (Maria Deodorina) travestindo-se de homem. Sua identidade é descoberta ao final do romance, com sua morte.
Zé Bebelo: personalidade com anseios políticos que acaba por formar bando de jagunços para combater Joca Ramiro. sai perdedor, sendo exilado para Goiás e acaba por retornar com a morte do grande chefe para vingar o seu assassinato.
Joca Ramiro: é o maior chefe dos jagunços, mostrando um senso de justiça e ponderação no julgamento de Zé Bebelo, sendo bastante admirado.
Medeiro Vaz: chefe de jagunços que se une aos homens de Joca Ramiro para combater contra Hermógenes e Ricardão por conta da morte do grande chefe.
Hermógenes e Ricardão: são os traidores, sendo chamados de “judas”, que acabam por matar Joca Ramiro. Muitos jagunços acreditavam que Hermógenes havia feito o pacto com o Diabo.
Só Candelário: outro chefe que ajuda na vingança. Possuía grande temor de contrair lepra.
Quelemém de Góis: compadre e confidente de Riobaldo, que o ajuda em suas dúvidas e inquietações sobre o Homem e o mundo.

Grande Sertão Veredas – As três faces amorosas de Riobaldo:
Nhorinhá: prostituta, representa o amor físico. O seu caráter profano e sensual atrai Riobaldo, mas somente no aspecto carnal.
Otacília: contrária a Nhorinhá, Riobaldo destina a ela o seu amor verdadeiro (sentimental). É constantemente evocada pelo narrador quando este se encontrava desolado e saudoso durante sua vida de jagunço. Recebe a pedra de topázio de “seô Habão”, simbolizando o noivado.
Diadorim: representa o amor impossível, proibido. Ao mesmo tempo em que se mostra bastante sensível com uma bela paisagem, é capaz de matar a sangue frio. É ela que causa grande conflito em Riobaldo , sendo objeto de desejo e repulsa (por conta de sua pseudo identidade).

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Grande Sertão Veredas

Publicado em:Resumos de livros

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