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Resumo dos livros de vestibular

Levantado do Chão de José Saramago

 

Resumo Levantado do Chão de José Saramago- parte I

Finalmente, chega o dia da festa e a cerimônia é realizada pelo padre Agamedes. O narrador deixa claro que o padre não é o mesmo do início do livro: “nem o padre é o mesmo, as pessoas não são eternas”. Na verdade, essa figura representa a igreja.
O padre começa a fazer o seu discurso: se não fôssemos nós, a igreja e o latifúndio, duas pessoas da santíssima trindade, sendo a terceira o Estado… Como sustentariam eles a alma e o corpo…” Antônio Mau-Tempo interrompe a fala do padre e faz um discurso altamente revolucionário, sabendo colocar o padre em seu lugar. O casamento se realiza e no dia seguinte, Manuel já tem que trabalhar.

As agitações políticas no latifúndio aumentam e João acaba sendo preso novamente. A família fica em lágrimas e ele é condenado a trinta dias de isolamento. Lá, sofre muito, sendo insultado e espancado nas pernas. Quando João sai da cadeia, já está velho, mas seus olhos têm o mesmo brilho azul de outrora. Antônio que estava no exército, volta para casa porque tem problemas de saúde, e vem trabalhar no latifúndio. Gracinda fica grávida e Manuel e Antônio passam a trabalhar juntos.

Levantado do Chão de José Saramago: a criança do casal representa uma mudança “Quem em tudo isso não encontrar novidades, precisa que lhe tirem as escamas dos olhos ou lhe abram um buraco na orelha”
A menina chama-se Maria Adelaide Espada, e nasce com os mesmos olhos azuis do avô. O narrador antecipa o significado disso: “quando ele chegar faremos a comparação e então ficaremos a saber de que azul enfim se trata”. João chega e vai ver a menina “João Mau-Tempo vê que seus olhos são imortais”

Historicamente, percebemos que a ditadura continua. O narrador, que domina o texto, demonstra sua tristeza por perceber que a história não mudava, porém, os latifundiários se organizam novamente e o povo passa a pedir eleições livres: “o mar levanta-se, levantam-se os braços, as mãos trazem as rédeas ou trazem pedras apanhadas do chão (…) Era uma cena de batalha digna… Esta foi a carga do vinte e três de junho fixai bem a data na memória E quando os dragões passaram João Mau-Tempo não pode segurar as lágrimas, de raiva eram e de uma grande tristeza também.
Quando será que acaba o nosso martírio” João chorava porque a ditadura não caíra com a insurreição dos camponeses.

Levantado do Chão de José Saramago: porém, mais uma vez, os trabalhadores se organizaram e foi um grande momento da história do latifúndio. Era o mês de abril, período em que aconteceu em Portugal a Revolução dos Cravos, que finalmente acabou com a ditadura. “foi-se deslaçando a sagrada aliança” João fica doente e sabe que vai morrer. A neta Maria Adelaide vem para se despedir do avô e, ao se olharem, é como se “tivessem trocado de olhos”.

A menina está crescida e desde cedo começa a trabalhar longe. Já tem 19 anos e percebe que não foi criada para ser princesa, mas tem sonhos. Um dia, quando está voltando do trabalho para casa, percebe que algo mudou. Pressente que a ditadura chegou ao fim pela revolução do povo. “é como se tivesse vivido sempre com os olhos fechados e agora, enfim, os tivesse ‘abrido’ …é dona da sua liberdade.” Maria Adelaide começa a chorar e a gritar: “Viva Portugal”.

No dia 1º de maio, dia do trabalho, ela caminha pelas ruas de seu país: está aqui escrito que o primeiro de Maio será festejado livremente, é dia feriado em todo o país “Tanto se apregoou de mudanças e de esperanças, saíram às tropas dos quartéis, coroaram-se os canhões de ramos e de eucalipto e os cravos encarnados, diga vermelhos, minha senhora, diga vermelhos, que agora já se pode”

Levantado do Chão de José Saramago: “Depois se Maria Adelaide começar a chorar não se admirem, chorará nesta mesma noite quando ouvir dizer a voz na rádio, Viva Portugal, será nesse mesmo instante, ou já terá sido antes, às primeiras notícias de ontem, quando atravessou rua para ver mais perto os solados…ela sabe, percebe que a vida mudou.” No meio da festa do povo e junto de Maria Adelaide, estão Domingos, Sara, João, Faustina, e tantos outros que morreram na luta pela liberdade e pela reforma agrária. Todos vieram ver de perto esse dia “levantado e principal”.

Levantado do Chão de José Saramago – Comentários
Mau-Tempo
Família que representa o sofrimento do homem do campo português e o mau tempo da ditadura.
“Há quem diga que sem o nome que temos não saberíamos quem somos, é um dito que parece perspicaz e filosófico.”
“Esta família Mau-Tempo parece escolhida pelo destino para negros casos”

Olhos Azuis
Certas pessoas dessa família nascem com olhos azuis
“…outra rapariga, quase quinhentos anos antes, que estando um dia sozinha na fonte a encher sua infusa, viu chegar-se um daqueles estrangeiros que… desatendendo aos gritos e rogos da donzela, a levou a uma espessura de fetos, onde, a seu prazer, a forçou.
Era um galhardo homem de pele branca e olhos azuis, que não tinha outra culpa que o atiçado no sangue… Assim, durante quatro séculos estes olhos azuis vindos da Germânia apareceram e desapareceram, tal como cometas que se perdem no caminho e regressam quando com eles já não se conta…”

História de Portugal
Monarquia/República: “O trono caíra, o altar dizia que por ora não era este reino o seu mundo, o latifúndio percebeu tudo e deixou-se estar, e um litro de azeite custava mais de dois mil réis, dez vezes a jornada de um homem. Viva a República! Viva o patrão!”
Guerra: “É a guerra aquele monstro que primeiro devore os homens lhes despeja os bolos, um por um, moeda atrás de moeda… Em alguns lugares ao redor houve gente que pôs o luto, o nosso parente morreu na guerra. O governo mandava condolências, sentidos pêsames e dizia que a pátria.”

Levantado do Chão de José Saramago – Ditadura de Salazar: “Viva Portugal…estamos aqui reunidos…como continuadores da grande gesta lusa e daqueles nossos maiores que deram novos mundos ao mundo e dilataram a fé e o império, mais dizemos que ao toque do clarim nos reunimos como um só homem, ao redor de Salazar, o gênio que consagrou a sua vida, aqui tudo grita Salazar Salazar, …abaixo o comunismo, morram os traidores da pátria , morram…”

Levantado do Chão de José Saramago – Fim da Ditadura: Revolução dos Cravos
É importante lembrar que o período revolucionário dos Cravos tem início com as conturbações dos anos sessenta; passa pela eclosão do 25 de Abril de 1974 e chega a uma fase vista como de repercussão do processo revolucionário, de abertura político-social, que cobre toda a década seguinte.
Na relação com o contexto social, essa narrativa ficcional é, por um lado, impulsionada pelas circunstâncias históricas e, por outro lado, é impulsionadora da reflexão crítica sobre o processo revolucionário.

Posição da Mulher
Percebe-se que a mulher também se levanta do chão. Sara é oprimida pelo mundo masculino; Faustina tem maior participação na vida da família e na vida do marido; Gracinda é mais decidida e tem opinião forte, personalidade; Maria Adelaide marca o levantar da mulher na sociedade, porque é independente, trabalha desde cedo e recebe a missão de mudar (olhos azuis).

“De mulheres nem vale a pena falar, tão constante é o seu fado de parideiras e animais de carga” (Sara)
“De homens se continuará a falar, mas também cada vez mais de mulheres… é que os tempos vêm aí…” (Faustina)
“afinal não é tão grande a diferença assim entre mulher e homem, a não ser o salário.” (Gracinda)
“ela sabe, percebe que a vida mudou.” (Maria Adelaide)

Levantado do Chão de José Saramago – Latifúndio X mar
“O latifúndio é o mar interior. Tem seus cardumes de peixes miúdos e comestíveis, suas barrancudas e piranhas de má morte… É mediterrâneo… dizer que o latifúndio é um mar… se esta água agitarmos, toda a outra em redor se move, às vezes de tão longe que os olhos o negam, por isso chamaríamos enganadamente pântano a este mar, e o que fosse… Este é o grande mar do latifúndio… A este mar do latifúndio chegam ressacas, pancadas, empurrões das águas e quando às vezes basta derrubar um muro, ou simplesmente saltá-lo… muito se irá falar do latifúndio, qual mar, qual nada, o que isto é, é terra as mais das vezes seca, por isso é que os homens dizem quando será que matamos a sede.

Levantado do Chão de José Saramago – Camões X Fernando Pessoa X José Saramago
Tanto Camões quanto Fernando Pessoa relacionam Portugal com o mar.
Camões escreveu OS LUSÍADAS no momento em que Portugal atingia sua soberania, conseguida através das grandes navegações
Fernando Pessoa escreveu MENSAGEM. Nessa obra poética, ele defende que o Rei D. Sebastião, que sumiu em uma batalha voltaria pelo mar e salvaria Portugal da decadência.
Saramago inova, porque com o livro LEVANTADO DO CHÃO, demonstra que a única solução para Portugal é “levantar do chão”. Deixar de aguardar soluções maravilhosas e míticas e lutar pelo país.

Santíssima Trindade do Latifúndio
Latifúndio X Igreja X Governo

Levantado do Chão de José Saramago – Utilização da Parábolas
“Primeiro há de encontrar uma boa pedra plana, com mão travessa de altura e larga bastante par ameia folha de jornal. O dia não será de vento, para que se não espalhe o montinho de pimenta que, na confusão dos títulos e a da letrinha miúda itálica e redonda, vai ser o gatilho desta espingarda. Como toda a gente sabe, a lebre é curiosa.

Ainda mais do que o gato; Nem há comparação basta dizer-se que o gato não quer saber do que vai pelo mundo, a ele tanto se lhe dá, ao passo que a lebre não pode ver um jornal caído numa estrada que não vá logo ver o que se passa, e tanto assim, que há caçadores que descobriram um sistema, põem-se atalaia atrás dum valado que quando a lebre se chega para saber as notícias, trás, fogo nela, o pior é que o jornal fica esfarrapado…o sítio é mau para as lebres, às vezes acontece daí a pouco aparece a primeira lebre, aos saltos, morde além, trinca por este lado, e de repente fica com as orelhas espetadas, viu o jornal, Que faz ela, Coitada, nem desconfia , vai naquela ânsia de saber notícias, corre para o jornal e começa a ler, é uma lebre feliz, contente, não lhe escapa uma linha , E o que é que acontece…Pergunte a quem quiser, até uma criança de colo sabe essas coisas.

São os homens feitos de maneira que mesmo quando mentem dizem outra verdade, se pelo contrário é a verdade que querem lançar da boca para fora, vai sempre com ela uma forma de mentir, mesmo não havendo o propósito… Querem ver que vocemecê também é como as lebres.”

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Levantado do Chão de José Saramago

Publicado em:Resumos de livros

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