Levantado do Chão de José Saramago - Vestibular1

Levantado do Chão de José Saramago

Levantado do Chão de José Saramago

 

Resumo Levantado do Chão de José Saramago- parte I

Levantado do Chão de José Saramago – Introdução
Sobre seu estilo, o próprio Saramago define como um momento “dos mais belos de sua vida de escritor”. Quando escrevia Levantado do Chão (1982), seu primeiro sucesso editorial, na forma de um texto convencional, ele conta: “Sem saber como, sem ter pensado nisso, começo a escrever como se tivesse contando aquela história, e contando aquela história, conto-a sem pontuação, da mesma maneira como falamos, com sons e pausas“. E complementa: “Abolir a pontuação não foi decidido por alguém que quer escrever algo novo. Foi resultado lógico da aceitação de um tipo de narração que se confunde muito com a oralidade, tem a ver com essa mágica do conto oral. (…) O que eu quero é que o leitor ouça… ouça aquilo que está no livro” (ZERO HORA, 1998).

Levantado do Chão de José Saramago – O título
Levantado do Chão de José Saramago, de 1980, título que simboliza, nesta hora, com perfeição, a vida e a produção literária de um autor que conheceu o desalento e a incompreensão, mas que soube porfiar, erguendo-se do chão, qual fértil campo espiritual que Saramago cultivou e que neste dia frutificou de uma forma perene. Nesta obra de 1980, Saramago eleva em epopeia a vida dos trabalhadores alentejanos, em três gerações de dor e sofrimento, viajando como narrador (que se trata a si próprio como «o narrador») entre o passado do século XV e o tempo do presente acompanhando Domingos Mau-Tempo, o seu filho João, os seus netos António e Gracinda, casada com António Espada, personagem importante na diérese.

Levantado do Chão de José Saramago – Narrador
A diferenciação existente entre Levantado do Chão e a tradição do romance histórico é mais nítida no estatuto do narrador e nas funções das personagens. Quanto ao primeiro aspecto, notamos a existência de um narrador que acompanha a ação, comenta e critica, em onisciência, que usa o aforismo ou a profecia levando o leitor a incorporar-se no texto numa dialética ativa entre passado, presente e futuro, na qual ele é guia e consciência.
As personagens são alvo da análise objetiva até à exposição do estatuto fictício e de inverosimilhança numa mistura de realista e ficcional, que é apresentada ao leitor revelando a metaficção histórica.
A reconstrução do romance histórico em Saramago tem na personagem, como já indiciamos, outro exemplo de subversão. Na tradicional ordenação das personagens do romance histórico, podíamos encontrar o protagonista-tipo, representante das evoluções do momento histórico-social e as figuras históricas típicas. Estes elementos são a antítese em Saramago.

Levantado do Chão de José Saramago – Tempo
A história contada por Saramago atravessa vários períodos de Portugal, desde a época da monarquia, no início do século XX, o fim da monarquia, a república, a ditadura e a volta da liberdade no final do século XX.

Levantado do Chão de José Saramago – Espaço
Portugal – Alentejo

Levantado do Chão de José Saramago – Personagens
1ª geração: Tempo de silêncio. São pessoas acuadas pela religião, pela opressão do governo e exploradas pelos donos das terras. A vida é marcada pelo conformismo e não veem nenhuma perspectiva de mudança. É representada por Domingos Mau-Tempo

2ª geração: tempo das perguntas. Os homens passam a questionar sua situação e a ver que algo pode mudar e que a mudança depende deles, da sua coragem para enfrentar os donos das terras, o governo e se revoltar contra a Igreja. É representada por João Mau-Tempo

3ª geração: Tempo da luta. Os homens passam a fazer greves e a lutar pelas mudanças que desejam. Nesse período, muitos são presos e outros tantos morrem. Manuel Espada é o revolucionário que marca essa época.
Maria Adelaide é a possível resposta para o tempo das perguntas, porque assiste ao fim da ditadura e da geração dela para frente, tudo pode ser construído de maneira diferente, só depende dela.

Igreja
“… afinal o padre Agamedes é humaníssimo padre, como em todos os tempos e lugares ao longo desta história se viu, e há de estimar, mesmo sem por hoje pensar nas necessidades de mão de obra do latifúndio, variáveis há de estimar que este homem se junte a esta mulher e façam filhos… e algum benefício trarão à igreja em nascimento, casamento e morte, como assistentes já deram e hão de dar.”

Latifundiários
São os “bertos” (brilho). Mantêm a estrutura medieval em Portugal “Em casa de Norberto, as senhoras tinham as delicadezas do sexo, bebiam seu chá, faziam sua malha… Sobre o canapés da sala demoravam-se as revistas de moda de Paris, onde estava decidido que a família iria…”
“Isso é conversa antiquíssima, já no tempo dos senhores reis assim se dizia, e a república não mudou nada, não são coisas que se mude por tirar um rei e pôr um presidente, o mal está noutras monarquias, de Lamberto nasceu Dagoberto, da Dagoberto nasceu Alberto, de Alberto nasceu Florisberto, e depois veio Norberto, Berto, Sigisberto, Adalberto, Gilberto, Ansberto, Contraberto, que admiração é terem tão parecidos nomes, é o mesmo quer dizer latifúndio e dono dele.”
“Lamberto não é homem para trabalhar esta grande terra com suas próprias mãos.”

Levantado do Chão de José Saramago – Enredo
Introdução: O autor faz reflexões sobre a questão agrária: “o que mais há na terra é paisagem” e a importância do dinheiro: “o lugar do dinheiro é um céu, um alto lugar onde os santos mudam de nome quando vem a ter que ser, mas o latifúndio não.” Propõe-se, então, a contar uma história diferente de toda a situação de amargura de desespero do homem do campo: crescei e multiplicai-me, diz o latifúndio Mas tudo pode ser contado de outra maneira.”

Levantado do Chão de José Saramago – 1ª geração: Domingos Mau-Tempo e Sara da Conceição
O livro tem início com uma grande chuva, que marca a chegada da família em São Cristóvão: “Chamo-me Domingos Mau-Tempo e sou sapateiro Disse um dos homens sentados a sua graça, Mau tempo trouxe vocemecê.” Essa família saiu de Monte Lavre porque a vida estava difícil. A mulher, Sara da Conceição, é extremamente oprimida pelo mundo masculino. O marido entra na taberna e ela é obrigada a ficar com o filho João do lado de fora, pois “a taberna é sítio dos homens”. Depois de saírem de lá, buscam um lugar para ficar, e encontram uma casa simples, sem janelas. Sara sente que está grávida novamente, mas teme comentar com o marido.
O primeiro filho do casal, João Mau-Tempo, se dá muito bem com a mãe. Ele foi a causa do casamento de Sara e Domingos, pois ela se entregou a ele, solteira, no meio dos trigos, no mês de Maio, ficando grávida. O menino nasceu com olhos azuis e o autor nos explica que isso é uma descendência germânica que aparece em alguns membros dessa família.
Com o passar do tempo, Domingos começa a beber muito e Sara constantemente é obrigada a ir buscá-lo no meio da noite, em lágrimas.

Devido às dívidas que Domingos fez na taberna, a família foi obrigada a se mudar novamente e Sara dá a luz a Anselmo, no meio de muita dor e sofrimento.
Na outra cidade, Landeira, Domingos é acolhido pela Igreja do padre Agamedes, mas não abandona a bebida a acaba cobiçando uma mulher que vivia com o padre. Devido a isso, passou a ser mal visto na paróquia, mas jurou que se vingaria do padre, que o havia repreendido. Nomeio de uma missa, brigou com o pároco e eles rolaram as escadas da Igreja.

Por causa desse acontecimento, a família se viu obrigada a se mudar para outro lugar.
Nesse momento, o narrador interrompe a história para localizar o leitor no momento histórico que Portugal atravessava. A monarquia havia caído e chegara à República, mas nada mudou na vida do homem do campo: “ente o latifúndio monárquico e o latifúndio republicano, não se viam diferenças.”

Nessa época, os camponeses resolveram se juntar e irem até o administrador da fazenda, pedir melhores condições de vida. Lamberto, dono do latifúndio chama a polícia e muitos apanham e são presos e mortos.
Retomando a narrativa, percebemos que Sara têm mais dois filhos, Maria da Conceição e Domingos, entretanto, somente João tinha olhos azuis.

Com a passar dos anos, Domingos começou a desaparecer por algum tempo e depois voltar para casa. Sara, desesperada, voltou para a casa dos pais com os filhos. Domingos chegou a procurá-la algumas vezes, mas ela se separou definitivamente e se escondia dele. Sem ver sentido em sua vida, Domingos se enforca. Sara ainda cuida dos filhos e dos netos, mas passa a ter sonhos com Domingos e acaba ficando louca e morrendo doente.

Levantado do Chão de José Saramago -2ª geração: João Mau-Tempo e Faustina
João, como filho mais velho, assume a família e começa a trabalhar desde pequeno. O mundo está em guerra e eles passam muitas dificuldades. “João não tem corpo de herói. É um pelém de dez anos retacos, um cavaco de gente que ainda olha as árvores… É uma injustiça que se lhe faz obrigá-lo a levantar-se ainda noite fechada, andar meio a dormir e com o estômago frouxo o pouco ou muito caminho que o separa do lugar de trabalho e depois dia fora, até o sol posto, para tornar a casa outra vez de noite, morto de fadiga, se isto é ainda fadiga, se não é já transe de morte.”

Um pouco mais velho, João, então, conhece seu grande amor, Faustina, e decidem se casar. A família da menina não permitiu a união e eles fugiram, levando um pedaço de pão e chouriço para comer: “Em pouco tempo perdeu Faustina a sua donzela, e, quando terminaram lembrou-se João do pão de do chouriço, e como marido e mulher o repartiram”

Enquanto isso, o povo continuava a viver oprimido pelos bertos, apanhando muito do feitor da fazenda, sem poder reclamar.
João e Faustina têm três filhos, Antônio, Amélia e Gracinda. Antônio começa a trabalhar desde cedo, como o pai. O trabalho no campo é duro e os homens começam a se organizar em torno do comunismo. Sobre isso, o narrador afirma: “Outros, porém, já se levantaram, não no sentido próprio de quem suspirando se arranca do doloroso conforto… mas naquele outro e singular sentido que é acordar em pleno meio dia e descobrir que um minuto antes ainda era noite.” João acaba se envolvendo em um manifesto e vai preso.

Historicamente, Salazar tinha assumido o poder em Portugal. O padre Agamedes, continuava trabalhando para oprimir o povo e tinha sempre um discurso de conformismo, fazendo os homens aceitarem a situação. Nesse período, um jovem idealista, chamado Manuel Espada se destaca, por ser revolucionário e querer mudanças para a vida do trabalhador. Ele e Antônio, filho de João Mau-Tempo, tornam-se amigos.

Movidos pelo discurso comunista, Manuel, João e outro vão aos patrões para reclamar das condições de trabalho e pedir melhores salários. Acabam sendo presos por muito tempo. Faustina vai até lá, juntamente com as filhas Gracinda e Amélia. Manuel Espada e Gracinda se veem e se apaixonam. Todos acabam voltando livres para casa e Manuel e Gracinda começam a namorar, apesar dele ser sete anos mais velho que ela.

Levantado do Chão de José Saramago – 3ª geração: Manuel Espada e Gracinda Mau-Tempo
O casal não pode se unir de imediato, porque Gracinda é muito jovem e não tinha enxoval. Nesse período, Manuel é tido como o primeiro grevista de Monte Lavre, porque não aceita a opressão dos latifundiários. Gracinda, depois de três anos, sente-se pronta para casar e demonstra ter um pressentimento de que sua criança seria especial.

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