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Resumos dos livros para Vestibular

Martin Cererê de Cassiano Ricardo

 

Martin Cererê de Cassiano Ricardo

Publicado em 1928 (ano do Manifesto Antropófago de Macunaíma e do radicalismo primitivista) , representa o ponto alto da vertente nacionalista e ufanista do verdeamarealismo.
Constituído de poemas de ritmo e forma vária, como um “livro de figuras”, aproxima-se da técnica do desenho animado ou da estória em quadrinhos.

O caráter épico e narrativo de Martin Cererê de Cassiano Ricardo tem sido alvo de inúmeros trabalhos que procuram dimensionar a participação desses elementos, de qualquer modo, identificáveis no lendário, na visão estética do mito, na universalidade do sentimento que vai buscar o elemento estrangeiro para salientar o elemento nacional, especialmente nas aproximações com o Ulisses grego: “Certo dia, chegou um marinheiro e ouviu o canto da Uiara, não se faz amarrar ao mastro do navio, nem mandou tapar os ouvidos dos demais marinheiros.

Saltou logo em terra e ofereceu-se para casar com ela”. O enredo desenvolve a lenda do surgimento da noite e do desenvolvimento do Brasil. O índio Aimberê e o marinheiro branco Martim apaixonam- se pela Uiara, que se propõe a se casar com aquele que lhe trouxesse a noite.

Martim vai à África e traz a noite que são os negros escravos. Da união, surgem os bandeirantes, que desbravam; os sertões, plantam o mar verde dos cafezais e constroem as fábricas e arranha-céus da metrópole paulistana.
O poema tematiza formação do Brasil, resultante da oposição entre o mundo primitivo, da fantasia, dos mitos (ontem”) e “a vida rodando fremindo batendo martelo (hoje).

Dentro da proposta do Verdeamarelismo e do grupo da Anta, para se chegar ao progresso foi necessário “engolir” as matas, o índio, o café e tudo o que ousasse interromper a marcha do progresso. “
Os tupis desceram para ser absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente nova” (Manifesto da Anta) Observe que o Totem dos tupis , a anta não é carnívora.
Observe também a oposição entre as propostas da corrente nacionalista e da primitivista (antropofagia).

Martin Cererê de Cassiano Ricardo – A noite africana

O inhambú chororó chorou
o sacy pererê assobiou

e a Uiára que nunca ouvira
declaração de amor tão cheia
de rouxinóes e outras espécies de mentira
assim falou, ao novo pretendente:

— A manhã é muito clara…
ha cochichos no mato…
todo cheio de bichos.
(Pois de primeira era só dia,
noite não havia)
Não ha noite na terra e, francamente,
sem noite não me caso com você
porque faz muito sol…
o dia espia a gente
pelo vãos da folhagem…
as jaçanans da madrugada cantaram
agora mesmo pedindo mais sol!

Só casarei cm aquelle que primeiro
me trouxer a Noite..
Vá buscar a Noite”.
***
Então o marujo
partiu em seu navio aventureiro
e foi buscar a Noite…

 

Martin Cererê de Cassiano Ricardo

Publicado em:Resumos de livros

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