Menu fechado
Resumo dos livros de vestibular

Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

 

Memórias Póstumas de Brás Cubas – parte II

No entanto, muito depois um homem vai-se tornar amante de D. Plácida e levará todo o seu dinheiro, fazendo-a morrer na pobreza. Então, para que ela viveu? Só para sofrer? Só para passar dificuldades? Só para servir? Mais reflexões que escapam à compreensão.

Ainda assim, mesmo com a ajuda da pobre mulher, essa calmaria durou pouco. Lobo Neves está para ser indicado presidente de província, o que poderá separar os amantes. Virgília resolve a situação, convencendo seu marido a nomear Brás secretário. Mas tudo em Machado de Assis é dilemático. Ao mesmo tempo em que esse ato ajuda-os, atrapalha em igual monta. É o que percebemos com a visita de Sabina, irmã de Cubas.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: os dois estavam brigados por causa da divisão da herança do finado pai. Agora o reatar é realizado graças à preocupação dela com o nome da família: o triângulo amoroso é comentário em toda a Corte; seria o cúmulo levar isso em frente com a ida à província.
Para evitar essa vergonha, chega a arranjar casamento com Eulália, jovem vinda dos “novos-ricos”. Mais uma vez o matrimônio funcionando como escada social, pois seria uma forma da menina obter o que faltava aos seus – nobreza –, mesmo que graças a tal expediente.

Complicações rondam não só a possível noiva. Parecem também cercar Lobo Neves. Há várias pistas na obra que nos fazem desconfiar de que ele sabe que está sendo traído. Mas, por que não toma atitude? A explicação revela um aspecto vil da personagem: agir seria acabar com sua carreira política. É o status atropelando a honra.

A catástrofe moral não ocorreu. O candidato apresentou uma estranha alegação supersticiosa ligada ao 13 que o fez recusar a nomeação. Ao que parece, foi a melhor saída para a situação em que se encontrava a narrativa: se ele aceitasse, o adultério viraria desavergonhado; se recusasse Brás Cubas como secretário, levantaria incômodas suspeitas.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: sem obstáculos, o relacionamento adulterino cai num marasmo que vem para arrefecer tudo. Tanto que Lobo Neves foi mais uma vez escolhido presidente de província (num decreto que sai no dia 31) e parte levando Virgília sem causar grandes fraturas – já estava tudo esgarçado.

A partir daí acelera-se o fim das memórias. Brás Cubas embarca na política, mas demonstra um desempenho ridículo e vergonhoso. É também nessa época que reencontra Quincas Borba, colega de infância que fora rico, virara mendigo – chegou a roubar um relógio do protagonista – e que agora estava afortunado novamente, graças a uma herança de um tio de Barbacena.

E vinha apaixonado por uma filosofia que havia inventado, destinada a derrubar todas as outras: Humanitismo. Na realidade, era nada menos do que uma paródia de Machado de Assis em cima das inúmeras teorias que surgiram no final do século XIX, principalmente o Positivismo, o Darwinismo e a sua ideia de seleção natural.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Quincas, que havia escolhido seu amigo como discípulo, no final acaba enlouquecendo. Então Brás dedica-se a um projeto que se torna ideia fixa: a criação de um emplasto que eliminaria da humanidade todo sofrimento.
Mais uma vez o tema do espadim, pois tal descoberta, aparentemente altruísta, nada mais era do que fruto de um pensamento egoísta: o desejo de ter o seu nome impresso em todo vidrinho de remédio em cada casa da nossa civilização.

Esse sonho torna-se tão obsessivo que o pesquisador chega a apanhar um resfriado e nem se preocupa em se cuidar. Complica-se numa pneumonia que o coloca às portas da morte. É nesse momento que Virgília, já senhora, vem reconciliar-se. É também o instante em que ele tem um delírio.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: é um capítulo importantíssimo para a obra. Nele, Brás Cubas viaja à origem dos séculos até encontrar a Natureza, com quem estabelece um diálogo em que são expressas claramente as ideias básicas do romance, como o vazio da existência humana, baseada na dor, miséria e sofrimento.

É um discurso que faz lembrar Schopenhauer, filósofo que influenciou a literatura machadiana. No final, o personagem pede mais tempo de sobrevivência, no que é atendido. Fica a impressão de que a Natureza nos concede a vida como um grande escárnio do qual se deleita.

O personagem aguenta mais alguns dias, o suficiente para conviver um pouco mais com Virgília. Logo depois, morre. Daí nasce o narrador. É importante lembrar neste ponto alguns conceitos básicos quanto à estrutura narrativa do livro.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: em primeiro lugar, há dois Brás Cubas. O primeiro é o personagem das memórias, dono de caráter que vacila entre o preocupar-se com a opinião alheia e o deixar-se levar pelo sabor do acaso. Falta-lhe, pois, consciência firme, tornando-se, assim, um fraco.

Esse ser sem vigor acaba sendo superado pelo narrador Brás Cubas. É dotado de enorme sagacidade e espírito crítico. Suas observações são agudas e saborosas. O seu toque de Midas dá enorme valor estético ao relato de uma existência medíocre.

Nota-se, portanto, como é necessário diferenciar narrador de personagem. Este respeita a opinião alheia. Aquele a desdenha e tem motivos para tanto: já está morto. Não deve nada a ninguém. Por isso, é capaz de analisar a sociedade e a existência humanas.

Ainda dentro desse aspecto, crucial se faz discriminar o tempo do enunciado e o tempo da enunciação.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: tempo do enunciado refere-se à história narrada. Pertence, portanto, à personagem. No caso do romance, é o pretérito, pois está ligado a ações anteriores ao ato de produção textual.

Tempo da enunciação está ligado ao ato de narrar. No caso do romance é, na maior parte das vezes, o presente, seja por ser a forma mais adequada para a intemporalidade da narrativa, pois quem a redige caiu na eternidade da undiscovered country, seja porque é o que mais adequada e eficientemente reporta o ato da escritura.

Há mais outro aspecto interessante, que é justamente a presença de elementos que antecipam o Modernismo. Trata-se dos capítulos que abusam dos aspectos iconográficos, como “De Como Não Fui Ministro”, “O Velho Diálogo de Adão e Eva” e “Epitáfio”. Neles, o leitor é levado a completar a mensagem, num esquema que lembra a iconoclastia de um Oswald de Andrade e António de Alcântara Machado.

Memórias Póstumas de Brás Cubas: do balanço da obra fica a análise social aguda que não se restringe ao mundo carioca, muito menos ao final do século XIX. Alguns dos seus problemas ainda podem ser vistos em boa parte do mundo. O primeiro é a luta incessante por prestígio, numa preocupação exagerada com a opinião e o conceito alheios. É algo que o próprio “Velho do Restelo” já havia criticado.

Outro elemento a ser levado em conta é o absurdo da sociedade em que vivia Brás Cubas: escravocrata, apesar de defender o liberalismo, concentradora violenta de renda e exploradora da miséria alheia. Há também absurdo na questão existencial. A vida parece ilógica.

Tentar entender esses elementos, expostos nos dois parágrafos anteriores, é encaminhar-se para a loucura – tema muito comum na obra – ou como válvula de escape a indicar que a mente falhou (o mundo é incompreensível), ou como chegada a um nível superior a indicar que a mente evoluiu (o mundo é compreensível).

Qualquer que seja o ponto de vista a ser assumido, não há como não enxergar que essa obra é um monumento da Literatura Brasileira, por fazer uma análise profunda e ainda atual da condição humana.

Voltar a ler o resumo Memórias Póstumas de Brás Cubas – parte I

Aproveite e leia também a biografia de Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

Publicado em:Resumos de livros

Você pode gostar também