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Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira

 

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – parte II

4. A Sensualidade – Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira
Na poesia de MB, a exploração dos elementos sensoriais (visão, audição, tato, olfato, gustação) é marcante. Herdeiro da musicalidade simbolista, sempre se preocupou com a sonoridade, harmônica ou dissonante, dando um efeito mais agressivo, sincopado, a quaisquer temas.

Nos textos eminentemente sensuais, é interessante notar a linguagem coloquial, anti retórica, despojada, a grandiloquência, as metáforas arrojadas, muito usadas por poetas da nossa língua (Castro Alves, Olavo Bilac…)

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – Poemeto Erótico
Teu corpo claro e perfeito.
– Teu corpo de maravilha.
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha…
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa… flor de laranjeira…
Teu corpo, branco e macio.
É como um véu de noivado…
Teu corpo é pomo doirado…
Rosal queimado do estilo,
Desfalecido em perfume…
Teu corpo é a brasa do lume…
Teu corpo é chama e flameja
Com à tarde os horizontes…
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantiga se derrama…
Volúpia da água e da chama…
A todo o momento o vejo…
Teu corpo… a única ilha
No oceano do meu desejo…
Teu corpo é tudo que brilha.
Teu corpo é tudo que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…
(A cinza das horas)

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – Arte de Amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Belo belo)

5. A Evasão, A Utopia, A Busca de Elementos da Infância – Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira
A opressão da realidade, a impossibilidade de uma existência plena, a dificuldade financeira, aliada à doença e a uma solidão de base neorromântica, têm como consequência vários poemas em que se procuram os bens perdidos: os entes familiares queridos, a saúde, a felicidade, a plenitude, o absoluto.

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada(1)
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da hora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei e bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada…
(Libertinagem)

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – Evocação do Recife
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos amadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois –
Recife das revoluções literárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância

A Rua da União onde eu brincava de chicotinho-queimado e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viega Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras, mexericos, namorados, risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!
À distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – A Estrela
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria !
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Põe que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
(Lira dos cinquent’anos)

A estrela é uma imagem obsessiva na poesia de Bandeira, metaforizando o absoluto, o inatingível, a luz que orienta, na mesma linha da poesia romântica e simbolista. Algumas vezes, significa a mulher, sensual e distante, ansiosamente aguardada (“estrela da manhã”).

Em “A estrela”, notam-se as posições entre a vida vazia do poeta e o brilho do astro inacessível, utópico. Os contrastes aparecem no plano espacial e cromático (“Era uma estrela sozinha Luzindo no fim do dia”, “E ouvi-a na sombra funda”).
Nos últimos versos há ironia, pois a estrela reitera a sua distancia insuperável, dando ao “eu” lírico uma esperança triste, uma vez que ele a contempla sem a menor possibilidade de aproximação.

6. O Virtuosismo – Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira
A poesia de MB apresenta, segundo Antônio Cândido, uma “amplitude de âmbito, testemunhado uma variedade criadora que vem do Parnasianismo crepuscular até as experiências concretistas, do soneto às formas mais audazes de expressão”.
Os Sinos
Sino de Belém,
Sino de Belém,
Sino da paixão…
Sino de Belém,
Sino da paixão…
Sino do Bonfim!…
Sino do Bonfim!…
Sino de Belém, pelos que ainda vêm!
Sino de Belém, bate bem-bem-bem.
Sino da paixão, pelos que ainda vão!
Sino da paixão, bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, por que chora assim?…
Sino de Belém, que graça ele tem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão. – pela minha irmã!
Sino da paixão. – pela minha mãe!
Sino do Bonfim, que vai ser de mim?…
Sino de Belém, como soa bem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão… Por meu pai?…-Não! Não!
Sino da paixão bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, baterás por mim?…
Sino de Belém,
Sino da paixão…
Sino da paixão, pelo meu irmão…
Sino da paixão,
Sino do Bonfim…
Sino do Bonfim, ai de mim, por mim!
Sino de Belém, que graça ele tem!

7. Cotidiano – Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira
A poesia tem um tom pessoal, intimista, coloquial, sempre resvalando ou abordando diretamente o cotidiano. Cita-se o poema Testamento
…”Criou-me desde menino
Para arquiteto meu pai,
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-se arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!”

Meus Poemas Preferidos de Manuel Bandeira – Poema do Beco
Que importa a paisagem, a Gloria, a baía, a linha do horizonte?
-O que eu vejo é o beco.

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Publicado em:Resumos de livros

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