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Resumo dos livros de vestibular

Meus Verdes Anos de José Lins do Rego

 

Resumo Meus Verdes Anos de José Lins do Rego – parte I

Foi publicado pela José Olympio em 1956, tendo sua 2ª edição já no ano seguinte, pela mesma casa editora.
O manuscrito desse livro encontra-se em João Pessoa (PB), no Museu José Lins do Rego, e vem sendo estudado pela equipe do projeto “Ateliê de José Lins do Rego”.
O autor utilizou como suporte mais de três cadernos pautados do tipo espiral, que depois foram desfeitos e encadernados.

São 232 folhas, numeradas até 241; a diferença de nove folhas entre o número real de unidades do volume e a numeração registrada deve-se a uma incorreção do autor, que após o número 40 passa a registrar o número 50, seguindo até 241; tendo percebido o equívoco, renumera as folhas de 41 a 49, quando interrompeu a correção; por isso a numeração continuou seguindo a partir de 59 até 241(Agra, 1992, p. 11).
O documento não tem data e nem assinatura. O melhor atestado de sua autoria está na primeira folha, em cuja margem superior foi acrescentada a dedicatória: Para Naná, minha fonte de vida.

De acordo com a documentação da Fundação Espaço Cultural da Paraíba, a que pertence o Museu José Lins do Rego, o documento foi entregue à instituição por Francisco José Lins do Rego Santos, neto do autor, no dia 9 de setembro de 1987 (Agra, p.11).

Meus Verdes Anos de José Lins do Rego: o manuscrito propriamente dito não tem um título geral, sua identificação definitiva resulta de colação com a publicação Meus verdes anos.
O volume, tendo sido encadernado em couro vermelho, traz no dorso as informações de título e de autoria. Na folha [1], além da dedicatória acrescentada na margem superior, lê-se, na primeira linha, como título provável de uma parte ou de uma primeira parte: A casa do meu avô.

Sempre respeitando apenas a margem superior, exceto no caso da folha [1] com o acréscimo da dedicatória, o autor utilizou todo o espaço da frente de cada folha, invadindo mesmo as margens esquerda e inferior.

Não escreveu no verso das folhas. O registro gráfico faz-se de forma contínua, sem marcas de parágrafo ou de divisão de partes ou capítulos da obra.
No movimento da escrita, muitas vezes o autor abre aspas, mas não as fecha, ou fecha aspas que não havia aberto.
Trata-se de falas de personagens a quem é concedido o discurso direto livre; na publicação, o discurso direto livre está assinalado pelo travessão no início do parágrafo.

O autor passa de um quadro ou de um episódio a outro sem qualquer marca de limite da mudança do tema do discurso narrativo.
A escrita sem interrupções gráficas de partes, parágrafos e sem travessões, e com apenas uma das partes do aspeamento, dá a impressão de ter sido lançada de um jato, da primeira linha ao ponto final.

Todavia, a sua extensão não autoriza essa hipótese. As diferentes tonalidades da tinta utilizada assim como as ocorrências nas entrelinhas contrariam a aparência inicial e asseguram que o documento foi escrito no curso de bom espaço de tempo, tendo havido retomadas de releitura para modificações.

Meus Verdes Anos de José Lins do Rego: identificado o documento, a providência inicial foi proceder a sua decifração, para transcrição e organização do prototexto, instrumento de trabalho da equipe, respeitando-se a passagem de uma folha para outra do original.

Segundo Maria Lúcia de Souza (Agra, p. 26) , a ortografia presente em Meus verdes anos “segue os princípios do sistema ortográfico de 1943, trazendo, contudo, resquícios do sistema misto.”

Além disso, José Lins do Rego apresenta certa indisciplina ortográfica, deixando mesmo de grafar alguns acentos.
Esses fatos podem ser indicativos de uma maior ou menor atenção durante a escrita ou do ritmo do trabalho de escrever, ou ainda de certa despreocupação de José Lins do Rego, confiante no editor.

Meus Verdes Anos de José Lins do Rego: o manuscrito conhecido não é, contudo, o texto entregue ao editor e publicado em 1956. A colação entre o manuscrito e a primeira edição revela diferenças de texto que merecem destaque. Citamos duas das ocorrências. No manuscrito , temos, na folha 5:
Tivera filhos com as negras e a mulher criara [os filhos] <as crias bastardas.>

Meus Verdes Anos de José Lins do Rego: a substituição de filhos por crias bastardas não se confirma na publicação, em cuja página 16 lemos:
Tivera filhos com as negras e a mulher criara os rebentos bastardos.
Logo no início da narrativa, lemos no manuscrito:

Dona Amélia morreu de [perda] [<parto>] <febre> de menino morto. (f. 2) as sucessivas hesitações traduzem um processo metonímico que aproxima o agente do resultado, para se concluir, na publicação, como:
Dona Amélia morreu de menino nascido morto. (p. 11).

Entendemos, portanto, que o manuscrito entregue à Paraíba corresponde a uma fase muito inicial da escritura, tendo havido pelo menos um outro texto, no qual o sintagma crias bastardas foi substituído por rebentos bastardos, e as alternativas para apontar a causa da morte tenham sido colocadas em contiguidade com menino nascido morto, sendo assim entregue à editora.

Segundo esclarecimento que nos foi prestado por José Aderaldo Castello, baseado em informação de Daniel Pereira, irmão de José Olympio e uma das pessoas mais importantes da Editora, José Lins do Rego entregava os originais manuscritos ao datilógrafo e, frequentemente, acompanhava o trabalho de passar a limpo o texto; provavelmente, fazia alterações ao ditar o texto ao datilógrafo.
Logo, houve uma cópia datilografada entre o manuscrito e a primeira edição de Meus verdes anos.

Nesse original datilografado entregue para a publicação, o autor deve ter superado a falta de parágrafos e outros problemas que apontamos anteriormente, assim como deve ter estabelecido a divisão das partes nas quais o livro se organiza, numerando-as em romanos, depois de ter eliminado o título inicial A casa do meu avô. Nesse documento desconhecido, deve constar o título Meus verdes anos.

O documento tem sido objeto de estudo, no curso do projeto “Ateliê de José Lins do Rego” e algumas modificações verificadas na escritura já se encontram analisadas.
Por exemplo, no que se refere aos elementos agenciadores da narrativa, particularmente quanto à construção do narrador e do narratário, foi realizado amplo estudo por Maria Lúcia de Souza Agra (1992).

 

 

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Publicado em:Resumos de livros

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