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Resumos dos livros para Vestibular

Novelas Paulistanas de Alcântara Machado

 

Novelas Paulistanas de Alcântara Machado

Nos anos 20, São Paulo era uma cidade tão brasileira quanto Nápoles. Desde o final do século, imigrantes italianos chegavam ao Porto de Santos e de lá se dirigiam às fazendas de café do interior do Estado.

Logo faziam o caminho oposto, integrando-se e transformando a cidade. Antes a quadrinha era esta: “Carcamano pé-de-chumbo/Calcanhar de frigideira/Quem te deu a confiança/De casar com brasileira?”

Depois foi esta: “Italiano grita/Brasileiro fala/Viva o Brasil/E a bandeira da Itália!” São Paulo civilizava-se e italianizava-se, como o modernista Antônio de Alcântara Machado (1901-1935) fixou no livro Brás, Bexiga e Barra Funda (1927), sua principal obra, enfeixada em Novelas Paulistanas.

Alcântara Machado pertencia a tradicional família paulistana, mas, em vez de torcer o nariz para aquela gente, foi sensível ao fenômeno socioeconômico a ponto de idealizar a figura dos “intalianinhos”.

Nos contos de Brás, Bexiga e Barra Funda, eles são tutti buona gente, ainda que revelem uma face sombria ou suspeita.
Afora a idealização, como se quisesse criar um Xangrilá étnico às margens do Tietê, o autor captou com humor os sonhos e as ambições dos Gaetaninhos, Carmelas e tutti quanti que sacudiam a modorrenta São Paulo. Ou San Paolo.

Novelas Paulistanas de Alcântara Machado reúne a obra ficcional de Alcântara Machado. Além de Brás, Bexiga e Barra Funda, o livro inclui Laranja da China (1928), contos, e Mana Maria (1936, póstumo), romance incompleto, mais quatro contos avulsos. Alcântara Machado teve intensa atividade jornalística, mas escreveu pouca literatura.

Morreu de uma operação de apendicite aos 34 anos, tempo suficiente para que traduzisse como ninguém a alma da cidade.
Em Laranja da China, deixou de lado os personagens ítalo-paulistas e elegeu figuras luso-brasileiras, mais próximas de sua história pessoal. Em contos mais longos, elaborou as alegrias e as dores da cidade.

Enquanto o doutor Washington se ufana do Brasil, dona Cornélia engravida e não sabe o que fazer. De Mana Maria, a história da moça que passa a comandar a família e se esquece de si, subsistem 12 capítulos que mostram as qualidades do narrador.

Novelas Paulistanas de Alcântara Machado: entre os contos avulsos, “Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria”, no qual um cego, devido à falta de luz, inicia um motim num trem. Típico humor alcântara-machadiano.

Novelas Paulistanas de Alcântara Machado tem um quê de obra datada, que antes reforça seu valor. É o retrato de São Paulo a caminho de ser a “cidade que mais cresce no mundo”, tamanha a transformação que interage com os personagens e define um jeito de viver.

A propósito, o autor não fala por seus personagens, mas dá voz a eles. É um mestre do diálogo, da observação, da síntese, exemplo do que a ficção modernista poderia ter sido e nem sempre foi.

Alcântara Machado deu à literatura brasileira um estilo novo, moderno, jornalístico, feito de sentenças curtas, palavras simples mas profunda observação psicológica.
Saudado por Mário de Andrade como “o mais universal dos paulistanos” e por João Ribeiro como “um dos maiores nomes da literatura contemporânea”, os contos retratam a vida paulistana no início do século XX.

Desde 1961, Brás, Bexiga e Barra Funda , juntamente com Laranja da China, formam as chamadas Novelas Paulistanas.

Leia a biografia de Alcântara Machado

 

Novelas Paulistanas de Alcântara Machado

Publicado em:Resumos de livros

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