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Resumo de Livros e Obras Literárias por Vestibular1

O Barão de Branquinho da Fonseca

 

Resumo O Barão de Branquinho da Fonseca – parte II

Enfim, o Barão partiu em meio à escuridão da sua quinta, acompanhado por seus cães (emissários? guias?). Estavam no meio de árvores (Ariadne é a divindade das vegetações). O poderoso pediu para que fosse esperado, mas o narrador, cansado do domínio, acabou desobedecendo-o.

Tinha no seu inconsciente a Marselhesa, hino da Revolução Francesa. Queria libertar-se. Mas acabou perdendo-se. Sem cães. Sem o caminho do palacete. Começou a enxergar no meio da escuridão. Parecia afastar-se da iniciação que o Barão/Dioniso estava proporcionando.

Caminhava em meio a laranjeiras (sua fruta representa a força e a fertilidade da união amorosa). No entanto, a terra mole, encharcada, segurava os seus passos. É interessante lembrar que Dioniso tem um lado ligado a forças inferiores, do chão (chamadas crônicas), mas também representa um esforço de se livrar delas, uma obsessão por sublimação.

É um deus que se opõe à inércia do narrador, pois, evoluindo ou involuindo, denota a força desesperada por sair de onde se está. Assim, afastar-se dessa divindade é afastar-se da possibilidade de evolução talvez. Por isso o prender-se na lama.
Depois de um surto de raiva, encontrou Idalina.

O Barão de Branquinho da Fonseca: tentou conquistá-la, no que foi recusado com as alegações dela de que estava doido pela bebida. “O Barão matava-o”, frisa. A serviçal acabou reconduzindo-o ao palacete e, mesmo com a notícia de que o Barão o procurava, foi levado ao quarto que lhe fora dedicado. Acendeu um cigarro, atirou-se na cama e acabou adormecendo.

Foi acordado pelos gritos e murros do Barão na porta do quarto. Queria ver o hóspede, que não conseguia responder, pois estava quase morrendo asfixiado: encontrou-se cercado de chamas, provavelmente provocadas pelo cigarro.
Idalina tentou dissuadir o patrão em nome do suposto sono do inspetor, mas por sorte não foi atendida. O tonitroante arrombou a porta, salvando o inspetor. Mais um motivo, agora, para comemoração. Como diz o narrador, “o Barão quis festejar o meu regresso do Inferno com mais champanhe”.

Essa saída do incêndio, do Inferno, traz alusões interessantes. Em primeiro lugar, Dioniso é um deus que teve dois nascimentos. O primeiro durante a concepção, quando seu pai, Júpiter, uniu-se a Sêmele. No entanto, esta acabou queimada pelo brilho da divindade. Júpiter resgatou seu filho do ventre da amante carbonizada e terminou por gestá-lo em sua própria coxa.

O Barão de Branquinho da Fonseca: além disso, Dioniso, adulto, resgatou sua mãe do Inferno – reino dos mortos – e a levou até o plano das divindades. Esse é um dos motivos que o faz lutar por evolução – se conseguiu evoluir sua mãe morta, por que não ele próprio?

Enfim, nessa nova rodada de bebida, o narrador abriu-se, acabando por confessar a história de um grande amor sepultado havia dez anos. O Barão comoveu-se às lágrimas. Mais uma vez, deram outra volta na casa, retornando à sala de jantar.

Novamente saíram e novamente foram seguidos pelos cães. Passeavam agora pelas macieiras (seu fruto pode simbolizar o amor, o conhecimento, a libertação ou a evolução).

O Barão queria visitar sua Bela Adormecida e, para tanto, levar-lhe uma flor. Apanhou violetas. No entanto, desistiu, pois achou uma flor piegas. Na realidade, a cor dela, entre azul e vermelho, está ligada à temperança, ao equilíbrio, elemento desdenhado pelo herói.

O Barão de Branquinho da Fonseca: decidiu pela rosa branca, símbolo do renascimento, da regeneração, do dom do amor. É a representação da beleza e de tudo o que é cheio de vida. Não havia melhor presente para falar de si e para dedicar à pessoa amada.
Ocorreu, no entanto, uma atribulação.

O fidalgo sentiu alguém por trás deles. Afastou o silencioso ou imaginário espião – que poderia ser até algum criado – com seis tiros. Delírio de bêbado? Ou alguma força oculta sondava o herói, para cercear suas intenções? O mais curioso é que o próprio narrador passa a acreditar que havia alguém, pois ouviu um estalar atrás de si.

Preocupação passageira, ainda assim. O Barão passou logo a pensar em sua grande paixão. “O amor é que salva…”, confessou. Pouco depois, afirmou: “O amor é que perde…” Acabou dando mais detalhes de sua inigualável história. Mencionou até um baile em que dançara com Ela pela última vez, conforme vaticinara o pai dele, que odiava o pai dela.

Fora assim que o progenitor matara o seu próprio filho, conforme confessa:
“Sou uma flor e um escarro… Um dia hei de contar-te tudo. Mas hoje estou bêbedo; hoje não. E foi por pouco… por tão pouco!… Mas diante d’Ela eu era uma criança, eu que sou capaz de tudo… E tinha sido tão fácil!… Mas depois já não… E espojei-me no lodo. Fazia-me bem. Quanto mais lodo melhor… Dava-me distância… adormecia o leão na jaula… Julgas que eu era assim como sou hoje? Fiz-me assim para Ela não se arrepender, para Ela não ser mais infeliz… O amor é que nos salva… ou que nos perde… Eu sei… Não sei amar, mas sei o que é… Quando digo esta palavra dói-me aqui dentro. Mas digo. Dói, mas digo. É uma facada… Nunca reparaste que tem assim uma luz com um sol?… Gostas mais do Sol ou das estrelas? Eu não, eu gosto mais das estrelas…”

O Barão de Branquinho da Fonseca: ocorrem aqui mais dois pontos de contato com Dioniso. O primeiro está na valorização das estrelas. Ariadne havia recebido do deus uma coroa de louros que, após a morte dela, fora atirada ao céu e se transformado nas estrelas.
Outro ponto de contato é o fato de contar, mesmo que incompleta e difusamente, essa história era uma forma de revivê-la (“E assim vivo outra vez…” – confessa). Viver outra vez – esse é o grande feito de Dioniso.

Algo estava por acontecer, tanto que os cães – animais sensíveis ao invisível e metafísico – começaram a ladrar. O Barão tratou-os com estupidez. Estava diante do muro – símbolo da limitação, da prisão, do obstáculo.
Iria transpor limites. Mas, antes, pediu para o comparsa segurar os quatro cães que estavam ali. Como, se eram muito grandes? Para quê? Como guardiães, impediriam? O Barão arranjou arame, o que para o narrador era algo pândego.

Quando começou a usar os arames nos animais, ficamos sabendo o nome de dois deles: Tejo e Mondego. Há algo de nativismo aqui, pois estes são os rios mais tradicionais de Portugal. O primeiro já era citado por Camões, inspirando até o nome de suas musas – Tágides.

O Barão de Branquinho da Fonseca: o segundo, principal rio de Coimbra, ficou célebre no episódio de Inês de Castro – outra história de um amor impossível. Essas são referências a uma obra dedicada aos barões (!) de Portugal: Os Lusíadas.

Como o narrador não queria segurar os cães, acabou havendo um desentendimento. A reação do nobre foi intempestiva: jogou seu oponente contra o chão, no meio dos cachorros. Partiu logo depois.

Na escuridão, o inspetor não conseguia achar o nobre. Estava sedento de vingança. Começou a dizer obscenidades. E chegou a pensar num absurdo quando se lembrou de que estava com um revólver. Arrependeu-se logo do que ousou imaginar. Era ingratidão imensa. A razão voltava a se estabelecer.

Começou a ver as estrelas – a escuridão completa era afastada. Passou a se sentir outro – como se a queda o libertasse. Estava amanhecendo. Começava a voltar ao plano da realidade. Mas estava cansado e tinha muito o que andar. Conseguiu alugar um burro, que o conduziu até o solar. Já era dia avançado.

Foi recebido com o espanto dos empregados, que o imaginavam também vítima do mesmo desastre que atingira. Nada estava claro no meio da azáfama. Foi ver, portanto, o fidalgo, e o descobriu acamado, com tiro no ombro e fratura no crânio. Mas ainda teve tempo de sussurrar para o iniciado: “– Mas ficou… na janela…” Esvaíram-se aí suas forças.

O Barão de Branquinho da Fonseca: esvaíram-se também as forças do conto, que termina com o seguinte trecho, um último suspiro diante das emoções que explodiram à nossa frente:
“Mais tarde tive notícias dele. Mandava-me dizer que lá me esperava.
“Sim, Barão!… Hei-de voltar, um dia. E havemos de tornar a perder-nos pelos caminhos sombrios do nosso sonho e da nossa loucura; e mais uma vez havemos de cantar às estrelas, e dar a vida para ires depor outro botão de rosa lá na alta janela da tua Bela-Adormecida!…”

A dor do Barão é mítica, principalmente se temos em mente que o seu nome é a designação para homem, varão. Sua sina é a sina do homem (não só português), descendente de um ideal de nobreza agora decadente e solitário, preso a um solar antigo e isolado, perdido no mundo.

Busca sua libertação e sublimação, mas sofre, pois ainda não as alcançou. Mas continuará entregando sua rosa, pois é um apaixonado.

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O Barão de Branquinho da Fonseca

Publicado em:Resumos de livros

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