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Resumos dos livros para Vestibular

O Bicho e Nova Poética de Manuel Bandeira

 

O Bicho e Nova Poética de Manuel Bandeira

O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

O Bicho e Nova Poética de Manuel Bandeira – Comentário

O poeta penetra a temática da poesia, contudo, sua apreciação é lírica. O sofrimento não é o do homem, mas o do poeta, ele mesmo.

Por isso, sem protesto, sem investir contra a miséria, nem contra as classes dominantes, o poeta sofre por ver tão rebaixada a condição do homem, que está abaixo do rato.

O Bicho e Nova Poética de Manuel Bandeira – Nova Poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma
nódoa de lama:

É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas,
as virgens cem por cento e as amadas que
envelheceram sem maldade

O Bicho e Nova Poética de Manuel Bandeira – Comentário

O que caracteriza o poeta sórdido é apenas a marca suja da vida. Não será, por certo, a vida porca, mas a vida sem motivo de satisfação, a vida que só traz tristezas.

Se assim não fosse, não se justificaria a comparação com poesia orvalho, que não é poesia a transpirar pureza, mas ao contrário, da poesia dos que sofrem, é aquela dos que se sentem felizes, sem a mácula do impacto das coisas tristes, a poesia para as menininhas e para as amadas de vida cor-de-rosa. Esta não foi a poesia de Manuel Bandeira.

 

O Bicho e Nova Poética de Manuel Bandeira

Publicado em:Resumos de livros

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