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Resumos dos livros para Vestibular

O crime do Padre Amaro de Eça de Queirós

 

Resumo O crime do Padre Amaro de Eça de Queirós – parte II

O problema é que João Eduardo é que estava para ser noivo da menina. Quando se sente preterido e enxerga o motivo disso tudo no pároco, descarrega sua ira num artigo de jornal, em que assina “Um Liberal” e expõe a público a podridão que grassava no clero (na verdade, estava movido muito mais pelo despeito do que por causas mais nobres e reformistas).

É um episódio que serve para revelar o caráter dos religiosos, que, ao invés de “oferecerem a outra face”, mostram instintos vingativos. Brito quer rachar o autor do artigo. Natário é quem vai mostrar um lado pior, por ser mais dissimulado. Faz as pazes com o padre Silvério só para obter o nome do autor do artigo, já que este padre era confessor da esposa do diretor do jornal em que a verrina havia sido publicada.

Ou seja, o caráter sagrado do segredo de confissão havia sido violado. E a consequência – detonam a vida do opositor apaixonado – também é elemento que revela a falta de espírito cristão daqueles que justamente deveriam ser bastiões desse sentimento.

Livre o caminho, Amaro consegue finalmente a conjuração carnal. Só que tudo se passou na casa dele, num momento em que havia aproveitado um temporal para conseguir um momento a sós com ela. A empregada do pároco – ex-prostituta – aconselha-o a tomar mais cuidado. Estabelece-se um esquema bastante complexo, montado pela ex-meretriz.

Os dois passam a se encontrar na casa do sineiro de sua paróquia, o tio Esguelhas. A desculpa (mais uma vez a hipocrisia e a ironia em cena!) era a de que ele precisava um lugar recolhido para despertar o dom religioso dela e a moça iria se dedicar a uma missão santa de alfabetizar e catequizar a filha do sineiro, Totó, uma paralítica entrevada na cama. Na realidade, cumpriam brevemente essa tarefa e subiam para o quarto, onde se entregavam à luxúria.

No entanto, se por um lado esse expediente foi um grande facilitador, trouxe complicações. A paralítica chegou a se interessar por Amaro, mas ficou possessa ao descobrir que as intenções do padre eram outras. Passa a ter ataques, que aterrorizam a alma supersticiosa de Amélia. Já se imagina ser um caso de possessão, o que chega aos ouvidos do Cônego Dias. Quando vai visitar a deficiente, ouve desta a declaração do que o casal andava fazendo.

O engraçado é que o padre mestre vai chamar a atenção de Amaro, mas este, ao invés de se fazer culpado, rebate a acusação com outra, lembrando o relacionamento que Dias estabelecia com S. Joaneira. Desarma o opositor e tudo acaba num tom amistoso, o que reforça a decadência do clero.

Amaro atinge, assim, um período de tranquilidade, atrapalhada de vez em quando pela preocupação de Amélia em estar desencaminhando a carreira eclesiástica do seu amante, o que a faz ansiar para que ele seja um excelente padre, o que aplacaria a ira divina. Mas no momento em que se entregavam um ao outro, tudo isso desaparecia.
Mas surge um complicador: Amélia engravida.

O pároco pede imediatamente ajuda ao seu padre mestre. Montam, então, o seguinte esquema: o cônego passará uma temporada com S. Joaneira numa estação de águas, Vieira, enquanto Amélia ficará com a irmã convalescente de Dias em uma quinta na zona rural de Leiria, escondendo a gravidez. Nascida à criança, seria entregue para adoção. Tudo aparentemente perfeito.

O crime do Padre Amaro: a parte mais sofredora em tudo será Amélia. Praticamente abandonada por Amaro, será entregue a uma mulher de religiosidade tacanha, que tratará muito mal a menina, por considerá-la uma pecadora. Trata-se de uma senhora incapaz de caridade, bondade e benevolência cristãs e que ainda se considera religiosa. Mais uma vez uma crítica feroz às beatas.

Os momentos de paz serão proporcionados com a chegada do Abade Ferrão. Essa figura é a segunda personagem positiva do romance (a outra é o Dr. Gouveia. Juntos parecem representar a ciência e a religião em seus aspectos positivos), representando uma religiosidade limpa de superstições, em que Deus é apresentado não como o punidor, mas como pai benevolente, em que o misticismo busca o bem-estar e não o terror.

Por causa disso, é discriminado dentro da própria diocese, sendo relegado a uma paróquia de zona rural, apesar de ser reconhecidamente um dos melhores teólogos de Portugal. Esse religioso é quem resgatará Amélia, afastando-a da influência perniciosa de Amaro.

Entretanto, a menina tem suas recaídas, o que, somado ao mau tratamento e ao medo de ser surpreendida no seu “estado interessante”, irá complicar sua gravidez e, consequentemente, seu parto. Acaba morrendo ao dar à luz. Amaro entrega o seu filho a uma “tecedeira de anjos”, ou seja, mulher encarregada de dar fim a crianças não desejadas. Chega a se arrepender, mas já era tarde: o bebê já havia falecido.

Como é comum nos romances de Eça de Queirós, há um salto no tempo, em que encontramos Amaro e Dias em Lisboa. O jovem padre está mais uma vez usando suas influências para conseguir outra transferência de paróquia, desta vez para um local mais próximo da capital.

E confessa ao seu padre mestre, de forma galhofeira, que passara a confessar só mulheres casadas. Ou seja, não houve evolução moral nas personagens, muito pelo contrário, estavam sendo premiadas apesar (ou por causa) de suas deficiências, na medida em que a transferência de Amaro para uma paróquia mais próxima da capital implicava evolução.

Magistral é o desfecho do romance O crime do Padre Amaro. O conde de Ribamar faz um discurso ufanista, elogiando a tranquilidade e a pretensa superioridade de Portugal, que passava ao largo de todas as revoluções de Paris (um levante comunista) que chegavam pelos jornais.

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O crime do Padre Amaro de Eça de Queirós

Publicado em:Resumos de livros

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