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O Humano, Lugar do Sagrado de Antonio Martini

 

Resumo O Humano, Lugar do Sagrado de Antonio Martini – parte II

O Humano, Lugar do Sagrado – Capítulo 5: Mergulhar na totalidade –  continuação:
Boa parte da concepção sobre religião é alienação, mas do fundo dos tempos, as religiões vêm contribuindo par a organização de suas sociedades.

Hoje, o valor dos bens e produtos já não deriva do trabalho, mas da cotação que lhe é atribuída, o que nos induz a viver como produtores e consumidores e acaba sendo o produtor dominado pela mercadoria. A própria experiência mística acaba sendo uma mercadoria.

Deus passa a ser um comerciante. Os envolvidos em tais manifestações espetaculares, capazes de dominar que mostram ser espíritos malignos, talvez nem consigam explicar o que os motiva.

Talvez a busca de imersão num grupo ou algo que o ajude a romper com a dimensão fascinante da existência, perdendo a lucidez e assumindo uma condição de não ser.

Assim, tentam romper com a realidade sem perspectivas, cuja única alternativa de participação acaba sendo o papel de consumidor.

Para todas as pessoas, o atual momento da humanidade se apresenta como a realização do projeto de emancipação. Os recursos tecnológicos parecem dispor da solução para todos os males. Parece uma era de “ouro e liberdade, igualdade e fraternidade”.

Mas, no entanto, quais são os custos da vida paradisíaca que a minoria atingiu? Quanto de potencial humano é sacrificado em nome dessa tal felicidade?
Vivemos brutalizados na luta por condições de competitividade na arena da vida e o individualismo subjetivista reafirma assim os valores e a violência da sociedade burguesa liberal consumidora, reduzindo-nos a um artigo de consumo no mercado de trabalho.

É preciso uma consciência crítica, de cumplicidade com o humano, abrir espaço a utopias, abrindo espaço a desalienação e justiça. Dentro desse quadro, se abrem amplas possibilidades e desafios para a religião, cuja palavra significa “ligar outra vez e para sempre”.

As religiões sempre ajudaram os homens a compreender a si mesmos e o que está em sua volta, bem como os vínculos de responsabilidade individual e coletiva. Assim foi possível amenizar a ignorância, tematizar o mistério da existência.

Precisamos de uma religação com a Totalidade, que nos inclui num movimento de constante transformação, para perceber o lugar da religião na trajetória humana, possibilitando ser resgatados do individualismo fechado e ir em direção do nosso transcendente vir-a-ser.

O Humano, Lugar do Sagrado – Capítulo 6: O homem contemporâneo e a sacralidade
O ser humano é formado por múltiplas dimensões. As ciências sobre o humano tentam captar esse campo abrangente. Também o conhecimento Teológico procura compreender o homem, e essa tarefa recoloca em discussão um elemento perene: a questão do sentido da existência.

O sagrado está presente no cotidiano das sociedades independente de crença individual. Ele supõe uma religação com o mundo, trata-se de uma totalidade de sentido integradora do humano e que lhe confere inteligibilidade. O rito é a práxis do mito.

Na sociedade contemporânea o ser humano anseia por vida em plenitude, mas concretamente se vê mergulhado num sistema de guerras, corrupção, desemprego, poluição, desigualdade sociais.

Dentro deste cenário convulsionado, uma das maneiras de encarar as crises é recorrer a promessas imediatas de uma vida melhor, como essas novas religiões, que como estratégia de marketing prometem a salvação individual, como posse e consumo do sagrado. Assim, em vez de superar o desligamento, este se aprofunda.

Como uma das características do sagrado é transcender, este envolve a ultrapassagem das aparências imediatas, entender a existência enquanto vir-a-ser, enquanto processo.

O sagrado é assim, o sentimento religioso que aflora, é o caráter sagrado preexistente que provoca o sentimento.

Um objeto ou uma pessoa não é apenas aquilo que se vê, é sempre “sacramento”, sinal sensível de outra coisa: e por isso permitem o acesso ao sagrado e a comunhão com ele, por isso o respeito a tudo e a todos.

O sagrado não é um estágio primitivo na evolução da consciência do homem, mas é intrínseca à estrutura da subjetividade humana. Pretendemos ter iluminado a necessidade de construir vínculos sagrados com a vida.

O Humano, Lugar do Sagrado – Capítulo 7: O diálogo pelo avesso
O desafio representado pela Modernidade trás às igrejas angústias e esperanças que exigem respostas urgentes, uma das tarefas à reflexão teológica é descobrir pontos de encontro entre cultura moderna e experiência religiosa.

Atualmente o ser humano considera ter condições de tornar-se artífice de si mesmo e participante da História, que se deve ao olhar racional sobre o mundo, que antes era contemplativo.

A modernidade não se define como uma construção ideologicamente articulada: ela resulta de uma evolução histórico-cultural não linear e ao que parece, irreversível.

Sensível aos interesses privados a sociedade organiza-se num sistema integrado, capaz de saciar e garantir a realização individual.

O mercado tende a aprofundar cada vez mais à distância entre as classes sociais, patrocinando o espetáculo vergonhoso de nichos de opulência em pleno palco da miséria.

Com frequência, ocorrem distribuições de benesses descomunais e especuladores e empreiteiros e cortes nos recursos destinados a serviços públicos, transformando a cidadania em mera fantasmagoria. As consequências danosas do individualismo abrem espaço para seu questionamento.

A resistência da Teologia às mudanças provocadas pela Modernidade é compreensível, pois o mundo pré-moderno organizou-se em torno do eixo religioso.
A secularização, buscando explicações racionais para fenômenos naturais, afirma o domínio da imanência sobre a transcendência, resultando um exílio do sagrado, da experiência religiosa e Teologias tradicionais.

Com o Concílio Vaticano II surgiram reflexões inovadoras que procuravam dar uma resposta à exigência do evangelho de encarnar-se no tempo, indo ao encontro das esperanças e angústias do homem moderno.

A partir das ciências humanas, o homem começou a ser visto em sua totalidade, como ser de carne e espírito, como indivíduo e como ser social.

Da Teologia aproximada às Ciências Humanas, encontram um lugar adequado para haver uma relação mais frutuosa: a pessoa Jesus Cristo. O Verbo se fez carne.

Só uma reflexão teológica capaz de explicitar a sabedoria e o Amor de Deus pela humanidade atual, estará em condições de dialogar com a Modernidade.

É preciso intervir ativamente nas estruturas da sociedade. Há um modo de reflexão Teológica, a latino-americana, enraizada em nossa sociedade conflitiva e empobrecida, que pensa na libertação do homem em sua totalidade, incluindo a fé.

A Teologia da Libertação iniciou um diálogo com a Modernidade, partindo dos marginalizados.

Só quem reconhecer que participando da aventura humana, da consciência de pertencer a essa espécie errante que abre seu caminho no Universo, pode perceber as novas epifanias do sagrado.

 

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Publicado em:Resumos de livros

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