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Resumo de Livros e Obras Literárias por Vestibular1

O Nariz & Outras Crônicas de Luís Fernando Veríssimo

 

Resumo O Nariz & Outras Crônicas de Luís Fernando Veríssimo

O Nariz & Outras Crônicas é uma seleção de textos que conseguem comprovar a qualidade de seu autor, Luís Fernando Veríssimo, no gênero a que se dedicou e que tanto o consagrou.

No entanto, antes de se discutir a obra em questão, faz-se necessário observar
algumas características da espécie literária em que se apresenta.
De acordo com o Dicionário Houaiss, crônica é um “texto literário breve, em geral narrativo, de trama quase sempre pouco definida e motivos, na maior parte, extraídos do cotidiano imediato”.

Seu hábitat tornou-se o meio jornalístico, o que imprimiu nela um caráter efêmero.
No entanto, algumas ganham uma elaboração artística tal que saem das páginas dos diários, entrando para o setor nobre da Literatura, fenômeno que se tornou muito mais comum principalmente após o Modernismo, quando se consagrou sob os nomes de Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade e principalmente Rubem Braga.

Luís Fernando Veríssimo, autor contemporâneo, não é exceção a esse grande grupo.
Não se deve esquecer, entretanto, que a crônica atual tem uma outra característica bastante marcante: o inusitado. Seu dom é sempre enxergar algo diferente no cotidiano ou então tornar o rotineiro diferente, curioso.

E esse é um dos elementos mais fortes em Luís Fernando Veríssimo, tanto que muitas de suas produções passam facilmente para a inversão de valores (tema básico de “O Nariz”), tal a obsessão que assume em buscar o diferente em cima do comum.

Esse instinto de destruição dos padrões abre caminho para o absurdo, no sentido de acontecimento que não se enquadra em regras e condições estabelecidas.
É um dos ingredientes do humor, elemento essencial em todas as crônicas do autor. No entanto, não se trata apenas de uma jocosidade gratuita.

Há elementos reflexivos e bastante críticos, que questionam não apenas problemas sociais, mas que penetram fundo em temáticas existenciais.
Sua grande vantagem, portanto, é caminhar por temas sérios de uma maneira leve, arejada, graças ao humor, o que torna seu alcance ideológico muito mais eficiente. Era uma técnica já utilizada em Gil Vicente nos seus autos e farsas.

Ainda assim, não se deve pensar que Luís Fernando Veríssimo produz textos anacrônicos. Muito pelo contrário. Há em suas crônicas um viço modernista, que é em primeiro lugar notado pela simplicidade de seus textos.
Esse aspecto, somado ao tamanho diminuto de sua narrativa (raramente passam de três páginas), torna suas crônicas extremamente fluentes e agradáveis.

Mas sua proeza também reside no domínio que apresenta da linguagem. Além de manipular com destreza o Português Coloquial (um dos baluartes do Modernismo), mostra ter noção (o que não significa um conhecimento inútil – para seu ofício – de terminologia gramatical, o gramatiquês) do funcionamento de nosso idioma.
Tanto que suas críticas à Gramática em “O Gigolô de Palavras” são bastante eficientes e agudas.

Mas é no trato com a palavra que o autor se mostra um grande esteta. Consegue hilariamente imitar o tom de redação de primário, mudar o contexto sociolinguístico da história do nascimento de Cristo, brincar com os chavões expressos por provérbios, parodiar as histórias de ficção científica. Em suma, a linguagem parece ser o grande foco de atenção de Veríssimo.

Dessa forma, deve-se entender que o mais importante em relação a O Nariz & Outras Crônicas é fruir o texto e deliciar-se com seu humor entre crítico e piadístico.

Portanto, o resumo de O Nariz & Outras Crônicas que será apresentado servirá apenas como uma orientação para uma retomada de estudos, que não prescinde a leitura da obra em seu original.

“Cornita” – Um pai é questionado pelo filho a respeito do significado da palavra “cornita”. Para não se sentir desautorizado por causa de sua ignorância, inventa que se trata de algo ligado à “arquitetura canônica”.
A professora contesta o pai, lembrando que se tratava de um erro de gráfica, já que a palavra era “cornija”, e que não existia a expressão “arquitetura canônica”.
O pai, para se proteger, produz um calhamaço recheado de erudição e de citações. Artifício falso, mas que impôs respeito, já que a professora imaginou ter-se enganado, passando a elogiar o embusteiro.

O Nariz & Outras Crônicas de Luís Fernando Veríssimo: “Peça Infantil” – Narra-se o caos em que se meteu uma professora para apresentar uma peça infantil representada, confusamente, por seus alunos.
A agilidade dos diálogos, das situações desencontradas e principalmente dos choques de comunicação são impagáveis.

“Auto Entrevista” – Crônica que apresenta uma entrevista em que o disparate se baseia na total incongruência entre pergunta e resposta.

“Minhas Férias” – Imitando aquelas notórias e ao mesmo tempo malditas redações de colégio, temos o relato pelo viés infantil de umas férias no camping que se processaram como um verdadeiro desastre, apesar de o autor, ingenuamente, não o ter percebido.

“Na Fila” – O humor dessa crônica baseia-se na confusão de comunicação que se estabelece numa fila para a visitação do caixão de D. Pedro I, após a inauguração de um viaduto de mesmo nome.

“Ela” – Um homem embriagado conta como aos poucos a televisão entrou em seu lar e passou a não só conquistar espaço, mas também a dominar a família dele.

O Nariz & Outras Crônicas: “O Mágico” – Trata-se da história de um mágico que se viu no fracasso porque não conseguiu transformar sua assistente em pássaro.
Procura outra profissão, mas é pior, pois em toda carreira seus dotes mágicos desmoralizam-no.

Até que um dia consegue transformar sua amada em pássaro. No entanto, por intriga da dona do imóvel em que morava, acaba sendo preso.
Ao ser solto, toma conhecimento de que todos os pássaros haviam sido soltos, o que incluía a esposa dele. Dedica a vida a transformar pássaros em mulheres, sem nunca obter sucesso.

“O Santinho” – Outro texto metalinguístico. Relembrando sua infância, em que tinha fama de “bem-comportado”, o narrador tenta recordar porque chegou a ser castigado, o que mereceu a alcunha de “santinho do pau oco”.
Tudo o que consegue recuperar de seu passado distante era uma redação que tinha de fazer cujo tema era a ociosidade. Não sabendo o significado dessa palavra, produziu uma composição absurda sobre um aluno que precisava fazer uma redação sobre a ociosidade. Zero fragoroso.

“A História, Mais ou Menos” – Narração da história do nascimento de Cristo, mas sob uma óptica e linguagem atualizadas, cheia de gírias, neologismos e demais modernidades.

O Nariz & Outras Crônicas: “Incidente na Casa do Ferreiro” – Crônica que se baseia na brincadeira que se estabelece em montar uma narrativa calcada em vários provérbios.

“Os Moralistas” – Narram-se os esforços de um grupo de amigos em fazer com que um dos seus integrantes não se separasse.
No final é que se toma conhecimento do porquê de tanto zelo: o quase solteiro era um excelente goleiro e o time dos casados estava em seus jogos decisivos.

“Aptidão” – Crônica do absurdo. Um computador ineficiente avalia um funcionário antigo e competente de uma empresa e descobre que a aptidão deste era outra, infelizmente inexistente na firma, o que provocou sua demissão.

“Os Homenzinhos de Grork” – Texto que se propõe a inverter as histórias de ficção científica, na medida em que apresenta alienígenas que são atrapalhadamente por demais atrasados em relação à raça humana.

“A Que Ponto” – Disputa sangrenta entre duas respeitadas donas de casa por causa de uma lata de óleo, última da prateleira de um supermercado.

“O Homem que Vivia Anedotas” – Trata-se da história de um personagem que viveu literalmente por toda a existência inúmeras piadas, o que, se para os outros era motivo de riso, para ele era de tragédia. Sua sina seguiu-se até às portas do Céu, diante de S. Pedro.

O Nariz & Outras Crônicas: “O Estranho Procedimento de Dona Dolores” – Narrativa que apresenta a história de Dolores, uma dona de casa que de repente surta e passa a interpretar os inúmeros comerciais de televisão, do café da manhã até a hora de dormir, fazendo propaganda de tudo o que está ao seu redor, diante de uma câmera imaginária.

“Artes Marciais” – Relato sobre a arte Borra-dô, criada pelo monge Tsetsuo Tofora, vulgo O Pulha de Osaka, e que consiste em evitar ao máximo o combate, baseando-se em técnicas de simulação e fuga. Covardia, em última palavra.

“Bobos I” – Provavelmente, mais outra história que envolve a linguagem. Um bobo é contratado para animar um rei.
Poderia fazer humor sobre tudo, com exceção da papada da rainha, de arqueiros e muito menos apresentar sugestão, sutileza, insinuação. Estava obtendo sucesso, até que perguntou qual era o peixe que mais agradava as mulheres.

Por causa disso fora condenado à morte. Tentou buscar explicações com o Procurador Geral, que disse que o bobo havia insinuado uma graça com os arqueiros. O coitado não percebeu a relação entre bacalhau (a resposta da charada) e arqueiros.
O oficial espantou-se, pois supunha, como o rei, que a resposta da piada era “namorado”. Aproximação por demais sutil, e absurda, mas que provocou a morte.

“Relógio Digital” – Pai resolve apresentar ao filho e seu amiguinho uma explicação sobre sexo. Admirados com tanto conhecimento, os meninos começam a perguntar sobre tudo, até funcionamento de relógio digital, assuntos sobre os quais o progenitor não tinha conhecimento.
O humor está no aspecto desfocado de o filho decepcionar-se com o pai, quando o mais importante seria justamente enaltecer a tão prodigiosa explicação que arranjou sobre orientação sexual.

“O Povo” – Crônica de ironia cáustica. O povo é apresentado como dotado de inúmeros defeitos, como doença, analfabetismo, miséria, o que faz seu autor desejar que esse elemento seja eliminado para o engrandecimento da nação.

“Critério” – Discussão interminável entre náufragos sobre quem deveria servir de alimento para os sobreviventes, ou seja, quem seria o menos útil para a sociedade, se poetas, filósofos, primeira classe, terceira classe.
Em suma, qual o critério para determinar quem é útil e quem é inútil. Tudo termina com o barco virando e todos sendo devorados por tubarões, que não possuíam critério algum.

“Vida em Manchetes” – Impressionado com as manchetes sobre mortes e tragédias, uma personagem decide não andar mais de avião, de carro, na calçada, usar gás, eletricidade, etc.
Conclui que a única maneira de escapar da morte, que espreita a todo lado, é buscando o suicídio.

O Nariz & Outras Crônicas: “Nepotismo” – Um político resolve se defender das acusações de corrupção e nepotismo da forma mais hilária possível. O cúmulo é buscar a etimologia da palavra “nepotismo”, que remonta à ideia de “sobrinho do papa”. De fato, ele tinha empregado em sua prefeitura inúmeros parentes, muitos sem função alguma, mas nenhum era sobrinho do papa.

“O Homem Sitiado” – O protagonista dessa crônica decide isolar-se cada vez mais do mundo. Começa a não sair mais na rua, depois a não mais ser visto pela vizinhança.
Até que se isola na sua biblioteca, mas era sempre incomodado pelas tarefas do dia-a-dia. Mergulha num romance, desaparecendo para o mundo dos homens e entrando para a regularidade de uma história que ele conhecia muito bem, graças às suas inúmeras leituras. No entanto, as traças já começavam a invadir e destruir o livro e seu universo.

O Nariz & Outras Crônicas: “O Nariz” – Crônica interessantíssima que apresenta uma crítica social muito forte. Um dentista e pai de família de renome e tradição resolve usar um nariz postiço, daqueles muito comuns em Carnaval.
Apenas um detalhe e nada mais havia mudado em sua personalidade. No entanto, acaba perdendo clientela, respeito no prédio e na família. É um texto que serve de excelente questionamento sobre intolerância e preconceito.

“O Gigolô das Palavras” – Famosa crônica metalinguística que serve como libelo contra a ditadura da Gramática Normativa. A principal tese do texto é que escrever bem é escrever claramente, sem que as regras gramaticais se intrometam, complicando a fluência da comunicação.
Devemos nos preocupar com essa disciplina apenas para evitar que se cometam erros gritantes contra a língua.

“Sementinha” – Professora se vê embaraçada quando um aluno pergunta: “Professora, sabe sexo explícito?”. Vence sua situação vexatória e começa uma ampla explanação sobre sexualidade humana.
É interrompida pelos alunos com a informação de que tudo aquilo eles já sabiam. O que o garoto queria fazer era uma piada: “Passarinho faz sexo expíucito”.

“Defenestração” – Mais uma crônica metalinguística, que gira ao redor das ideias que certas palavras geram, quando não se sabe o significado delas.
O centro das discussões do escritor é o vocábulo “defenestração”. Imagina inúmeras aplicações, algumas imorais, para esse termo, mas se decepciona ao descobrir que significava apenas “atirar objetos pela janela”.

“Evolução” ¬– No futuro, de acordo com a crônica, quando chegar uma imensa crise, os fracos é que serão os mais fortes, pois há muito eles estão acostumados a uma existência cheia de dificuldades.
O autor, dedica-se, a partir de então, a imaginar inúmeras situações hilárias em que os pobres serão superiores aos ricos.

“Corrente de Santo Eurides” – Imitação parodística bem humorada das correntes que grassam pela net e que prometem felicidade para quem as espalhar para mais sete pessoas.

 

O Nariz & Outras Crônicas de Luís Fernando Veríssimo

Publicado em:Resumos de livros

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