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Resumo de Livro Obra por Vestibular1

O Sertanejo de José de Alencar

 

Resumo O Sertanejo de José de Alencar

Publicado em 1875, ano em que também publica o seu melhor romance urbano de atualidade, Senhora, O Sertanejo de José de Alencar é um dos últimos trabalhos de ficção do autor.

Classificado entre os romances regionalistas, por ser ambientando no sertão do Ceará, também pertence ao ciclo dos romances históricos, pois sua ação se desenvolve na segunda metade do século XVIII.

Segundo o projeto explicitado na nota de abertura do romance Sonhos d’Ouro, o regionalismo permitiria descobrir, nas regiões onde não se propaga com rapidez a luz da civilização, as tradições, os costumes e a linguagem de timbre brasileiro.

O Sertanejo de José de Alencar é um dos romances bastantes brasileiros em que Alencar dá expansão ao seu gênero de pincelador retratando com belas e radiantes cores a paisagem do sertão um destemido vaqueiro a serviço capitão-mor Arnaldo Campelo que enfrenta os mais sérios riscos na esperança de constar a simpatia da filha do fazendeiro.

Arnaldo tem destaque nas cavalhadas à maneira medieval de Ivone famosas liças. Marcos Fragoso se faz seu único rival.

Afinal Dona Flor é prometida a Leandro Barbilho. No instante casamento, surgem os inimigos de Campelo.

Encerra o tiroteio, morre Leandro Barbalho, Dona Flor lamente enquanto Arnaldo tenta consolá-la. O trecho selecionado permitirá a análise do relacionamento existente entre Arnaldo e D. Flôr. Possibilitando-nos a comparação com o trecho de Inocência.

O Sertanejo de José de Alencar – XV – Tentação

“Já tinham soado no sino da capela as últimas badaladas do toque de recolher.
Por toda a fazenda da Oiticica, sujeita a certo regime militar, apagavam-se os fogos e cessava o burburinho da labutação quotidiana.

Só nas noites de festa dispensava o capitão-mor essa rigorosa disciplina, e dava licença para os sambas que então por desforra atravessavam de sol a sol.

Era uma noite de escuro; mas como o são as noites do sertão, recamadas de estrelas rutilantes, cujas centelhas se cruzam e urdem como a finíssima teia de uma lhama acetinada.

A casa principal acabava de fechar-se e das portas e janelas apenas escapavam-se pelos interstícios umas réstias de luz, que iam a pouco extinguindo-se.
Nesse momento um vulto oscilou na sombra, e coseu-se à parece que olhava para o nascente.

Era Arnaldo. Resvalando ao longo do outão, chegara à janela do camarim de D. Flôr, e uma força irresistível o deteve ali. No gradil das rótulas recendia um breve perfume, como se por ali tivesse coado a brisa carregada das exalações da baunilha.

Arnaldo adivinhou que a donzela antes de recolher-se, viera respirar a frescura da noite e encostara a gentil cabeça na gelosia, onde ficara a fragrância de seus cabelos e de sua cútis acetinada.

Então o sertanejo, que não se animaria nunca a tocar esses cabelos e essa cútis, beijou as grades para colher aquela emanação de D. Flôr, e não trocaria decerto a delícia daquela adoração pelas voluptuosas carícias da mulher mais formosa.

Aplicando o ouvido percebeu o sertanejo no interior do aposento um frolico de roupas, acompanhado pelo rumor de um passo breve e sutil. D. Flôr volvia pelo aposento. Naturalmente ocupada nos vários aprestos do repouso da noite.

Um doce sussurro, como da abelha ao seio do rosal, advertiu a Arnaldo que a donzela rezava antes de deitar-se e involuntariamente também ajoelhou-se para rogar a Deus por ela.
Mas acabou suplicando a flôr perdão para a sua ternura. Terminada a prece a donzela aproximou-se do leito.

O amarrotar das cambraias a atulharem-se indicou ao sertanejo que Flor despia as suas vestes e ia trocá-las pela roupa de dormir.

Através das abas da janela, que lhe escondiam o aposento, enxergou com os olhos d’alma a donzela, naquele instante em que os castos véus a abandonavam; porém seu puro o céu azul ao deslize de uma nuvem branca de jaspe surgisse uma estrela.

A trepidação da luz cega; e tece um véu cintilante, porém mais espesso do que a seda e o linho. Cessaram de todo os rumores do aposento, sinal de que D.Flôr se havia deitado.

Ouvindo um respiro brando e sutil como de um passarinho, conheceu Arnaldo que a donzela dormia o sono plácido e feliz.
Só então afastou-se para acudir ao emprazamento que recebera.

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O Sertanejo de José de Alencar

Publicado em:Resumos de livros

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