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resumo livro Os Melhores Contos de Lima Barreto

Os Melhores Contos de Lima Barreto II

 

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – “Miss” Edith e seu Tio
Personagens: Mme. Barbosa, Mlle Irene, Angélica, Miss Edith, Mr. George Mac Nabs, Magalhães
Espaço: Rio de Janeiro
Narrado em 3ª pessoa – onisciente, tem o enredo: Mme Barbosa é proprietária da pensão familiar Boa vista, e mãe de Mlle Irene. O retrato que o narrador nos apresenta das duas acentua fortemente os traços de materialismo e interesse, que levam Irene, inclusive, a colecionar noivos, estudantes das mais variadas profissões com os quais não conseguiu se unir definitivamente, acabando por estar noiva do funcionário público Magalhães, burocrata mediano, perto do que sonhara para a sua vida, mas que, retirados os contras, recebia bem e lhe respeitava.
A mãe não era diferente ambicionando sempre muito mais do que possuía ou poderia possuir. Eis que chega à pensão um casal de ingleses que se apresentaram como tio e sobrinha, alugando dois quartos da pensão, um próximo do outro.O tratamento dispensado aos demais hóspedes é modificado, com as atenções recaindo agora somente sobre o casal de estrangeiros, que devem ser muito bem tratados, segundo pensa a dona da pensão, para poderem falar bem do estabelecimento e trazer mais ingleses para ele, tudo na expectativa de um lucro maior.
Após inúmeros exemplos de submissão e adoração aos ingleses, principalmente protagonizados pela empregada Angélica, que desenvolveu verdadeira devoção por Miss Edith, surge à descoberta fatídica e frustrante. Certa manhã, como fazia todos os dias, Angélica foi ao quarto de Miss Edith despertá-la e levar-lhe uma xícara de chocolate quente, mas não a encontrou no quarto e se espantou por encontrara cama arrumada. Lembrou-se logo de ter visto a porta do banheiro aberta, e que Miss também lá não estava. Tal foi seu espanto quando saindo para o corredor e viu a inglesa saindo do quarto do tio em trajes menores.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Como o Homem Chegou
Personagens:Delegado Cunsono, Doutor Sili, Douto Melaço, Doutor Jati, Fernando, Doutor Barrado e outros
Espaço:Rio de Janeiro e Manaus
Narrado em 3ª pessoa, com intervenções irônicas em 1ª pessoa, o enredo se desenrola fazendo uma violenta crítica à burocracia do serviço público e à ineficiência de seus funcionários, apontando um caso no qual a inépcia de um Delegado e de seus auxiliares levou um inocente, que havia sido preso sob a acusação de ser louco, viesse a falecer.
Um homem em Manaus, chamado Fernando foi acusado de demência por estudar astronomia e divulgar conhecimentos misteriosos acerca dos astros, o que causou indignação ao Doutor Barrado, uma espécie de referência intelectual do lugar, que se revoltou com a súbita aparição de alguém com a ousadia de pensar e investigar. O trabalho de prendê-lo coube à equipe do Delegado Cunsono, que faz jus ao nome, e designou alguns elementos que buscaram Fernando no Amazonas. Com a informação de que o demente era perigoso e violento, ficou decidido que a prisão deveria ser efetuada em um carro forte, que traria o homem sem riscos aos que o prenderiam.

Para chegar a Manaus operou-se uma verdadeira epopeia, com carro blindado afundando e sendo retirado da água, sendo colocado no restaurante de um barco, até que enfim chegou ao destino. Após mais alguns problemas de percurso, que aliás, sempre quando surgiam, levavam os auxiliares do delegado a enviar um telegrama a ele, no Rio, pedindo orientação sobre como proceder, e este celeremente enviava a resposta, para que somente após isso, o bloco seguisse rumo, com destino ao Rio de Janeiro. Ao fim de pouco mais de dois anos de viagem, o carro chega ao Rio, com o prisioneiro morto. O detalhe é que os encarregados de trazer Fernando, “o demente perigoso”, já algum tempo desconfiavam de que ele poderia estar morto, mas não ousavam quebrar os procedimentos, que indicavam a incomunicabilidade do preso e seu encarceramento total e constante. Dificilmente outro texto que procure denunciar a lentidão, a morosidade e a incompetência da burocracia pública o fará com tamanha perfeição, e tampouco estenderá um processo por tanto tempo quanto o visto neste conto.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Harakashy e as Escolas de Java
Personagens:o narrador, Harakashy, Doutor Karitschá Lanhi
Espaço (fictício): Batávia, na ilha de Java

Narrado em 1ª pessoa (personagem) este conto é na verdade uma sátira às escolas brasileiras e a nossa Academia e Letras, metamorfoseadas nas respectivas instituições de Java, como já foi visto em O Homem que Sabia Javanês. Lima Barreto destila aqui todo o seu ressentimento, seu rancor e sua mágoa por ter sido barrado na Academia e ter sofrido na Escola Politécnica, na qual estudou Engenharia sem conseguir, contudo, a formatura.
Há críticas à ciência produzida em Java.
No conto há uma figura interessante que muito lembra Lima Barreto, pela trajetória de sua vida contada pelo narrador. Trata-se do jovem Harakashy, que foi preterido pelas escolas de Java por não adequar-se aos seus perfis.
Não é difícil perceber o caráter pessoal destas palavras, bem como as utilizadas em O Filho da Gabriela, revelando mais uma vez que o tom irônico de Lima Barreto, não poucas vezes, obedece a impulsos de origem íntima, frutos da mágoa e da do sentimento e inferioridade que passou a sentir após a sequência de fatos negativos de sua vida pessoal.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Cló
Personagens: Isabel, Clódia (Cló), Dr. André, Dr. Maximiliano, Fred
Espaço: Rio de Janeiro
Narrado em 3ª pessoa onisciente, o conto retrata a decadência moral de uma família durante o carnaval no Rio, tendo como centro a personagem Cló, filha do casal Isabel e Maximiliano, irmã de Fred, que procura deliberadamente se insinuar para o Dr. André, um amigo da família que é casado. No entanto, o narrador procura fazer demoradas descrições dos hábitos mundanos e lascivos da sociedade durante os festejos da carne, na clara intenção de nos oferecer um retrato moral dessa sociedade, que certamente se confronta com aquilo que publicam e normalmente as pessoas procuram demonstrar, emergindo então a ideia da hipocrisia, da leviandade, e do falso moralismo que impera inabalável nos reinos familiares cariocas.
Em determinado momento, Doutor Maximiliano começa a reclamar das dificuldades da vida, principalmente das financeiras, e o Doutor André lhe estende uma polpuda nota, que o primeiro recusa molemente aceitando por fim após a insistência de André. Parece que o que liga André à casa de Maximiliano e Isabel é mesmo o despudor explícito de Cló, que a ele se insinua com cada vez mais clareza, como nos revela o final, que é, do ponto de vista da família melancólico.
Ao acabar, era com prazer especial, cheia de dengues nos olhos e na voz, com um longo gozo íntimo que ela, sacudindo as ancas e pondo as mãos dobradas pelas costas na cintura, curvava-se para o Doutor André e dizia vagamente:
Mi compra ioiô!
E repetia com mais volúpia, ainda uma vez:
Mi compra ioiô!”

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Adélia
Personagens: Adélia, Gertrudes e Giuseppe (seus pais), Dr. Castrioto ( do dispensário)
Espaço: Rio de Janeiro
O artifício empregado por Lima Barreto, criando um diálogo entre dois personagens cujos nomes sequer aparecem, em que um procura convencer o outro de algo, e lhe conta a história que lemos como argumento. Lemos uma história dentro de outra história, como aquelas bonecas de pano, que guardam dentro de si inúmeras outras iguais, só que em tamanhos menores.

Este é um conto com forte carga social denunciativa, apontando os problemas do sistema de filantropia, com base na crítica a um hábito que parecia ser comum para a época, de haver casamento das garotas recolhidas à Casa de Expostos no dia de Santa Isabel. Duas pessoas conversam sobre o assunto e uma procura comprovar para a outra o caráter negativo destas instituições, por protegerem as crianças que lá chegam aos primeiros anos de vida, para depois lhes soltarem, sem nada que lhes assegure um futuro garantido.
Para tentar convencer seu interlocutor, o personagem conta a história de Adélia, que fora deixada pelos pais no dispensário (orfanato) e se casou no dia de Santa Isabel, sem amor ou nada com ele parecido. No princípio a vida sexual ativa lhe animou e deu formas. Mas passados dois anos de casamento, o marido lhe cai enfermo com uma tosse incurável da qual será vítima. Ela, insatisfeita com a vida de enfermeira de alguém a quem ela não ama, acaba cedendo a um convite recebido, que é feito e aceito repetidas vezes depois, até que Adélia adquire hábitos novos, aparece com novas roupas, sapatos e outros elementos de vestuário.
Na verdade a mulher começou a se prostituir, ganhou dinheiro, presentes, comprou objetos e roupas mas perto dos 30 anos começou a emagrecer, a definhar, a perder o viço e a beleza que lhe garantiam o sustento, e acabou morrendo. Mas mesmo no período em que estava bem, em que era cobiçada e comercializava seus amores, nunca perdeu o olhar vago e perdido que cultivou desde o início da vida, desde que foi deixada na Casa de Expostos e que foi casada no dia de santa Isabel.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Lívia
Personagens Lívia e seus pais, Godofredo, Siqueira
Espaço: Rio de Janeiro
Narrado em 3ª pessoa onisciente, tem o seguinte enredo: Lívia é uma rapariga pobre e desarranjada, que já teve inúmeros namoros mas nenhum resultou em casamento, e que fica em casa a arrumar, varrer, pegar objetos para os outros, preparar o café da família, amesquinhada por uma vida medíocre e angustiada com isso. Passa o dia alimentando-se de devaneios, nos quais consegue sua libertação da condição miserável em que se encontra, sempre através de um bom partido, de um casamento que lhe redime e lhe garante boa condição econômico-social. Seus delírios eram protagonizados ora por Godofredo, ora por Siqueira, mas sempre recheados com fantasias luxuosas e requintadas, ambientados na Europa e com tudo mais que uma mente sonhadora quer e deseja.
Trata-se de um conto curto, no qual repousa uma crítica contundente contra os casamentos arranjados, por mera e pura conveniência, e destinados a solucionar problemas econômicos e alavancar socialmente as pessoas.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Mágoa que Rala
Personagens: Dr. Mota Garção, Grauben, Lourenço
Espaço: Rio de Janeiro
O conto é dividido em duas partes bastante distintas, com a primeira servindo somente para ambientar as ações, que serão narradas na segunda parte, e também para o narrador manifestar suas críticas e denúncias, centradas especificamente na burguesia carioca.
Ainda na primeira parte, vem à tona o assassinato de uma mulher, uma alemã chamada Grauben, cujo corpo foi encontrado no Jardim Botânico, ao lado de um punhal em que estava grafada a expressão: “Soy yo!” O delegado encarregado do caso, Dr. Matos Garção fora nomeado por indicação, sem apresentar qualquer indício da capacidade para ocupar o posto. O inquérito já havia se arrastado por várias semanas, muito por obra da inépcia do delegado, até que um jovem, chamado Lourenço da Mota Orestes resolve ir delegacia e confessar a autoria do homicídio. Com a apresentação voluntária do assassino o Delegado o encarcerou, e convocou a Imprensa pra revelar o desfecho do caso, sem mesmo ter ouvido detalhadamente o réu confesso.
Todas as pessoas ouvidas em depoimento, umas mais outras menos, colaboraram na construção da ausência de responsabilidade do jovem, o que contrastava com sua confissão, e cria um caso estranhíssimo para todos, já que tudo indicava que o jovem não era culpado, menos sua confissão. Foi a Júri, mas ninguém, nem mesmo o Promotor, tinha convicção da sua culpa, o que acabou levando, com certa facilidade até, a sua absolvição. Contudo, o jovem ainda protestou contra a decisão do Júri, dizendo ser necessária à aplicação de uma punição a uma pessoa como ele delituosa e vil. Um artigo publicado em uma pequena revista deu conta de um caso análogo ocorrido na Alemanha, no qual um rapaz, tendo praticado um pequeno furto, arrependeu-se por ter manchado o nome da família e maculado a imagem dos pais e assumiu a autoria de um homicídio que não cometeu, com o intuito de aplacar a consciência.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Uma Vagabunda
Personagens: Frederico, Chaves, Alzira
Espaço: Rio de Janeiro
Novamente Lima Barreto utiliza o artifício do narrador que relata uma história que ouviu alguém contar a uma terceira pessoa, apresentando uma 1ª pessoa em quase todo o texto, pra no final, ou em pequenas e discretas passagens em seu interior, manifestar-se em 3ª pessoa.
Dois companheiros conversam em um bar, e Frederico resolve contar a Chaves a história de Alzira, uma vagabunda que certa vez lhe pedira dinheiro emprestado, mais precisamente 5 mil-réis, após terem se encontrado em uma bar. Logo após, vendo-o pagar a conta com um volumoso monte de cédulas, pediu-lhe mais 5 mil, que Frederico negou prontamente. Alzira indignou-se e lhe atirou os cinco mil que lhe haviam sido emprestados no rosto de Frederico. No entanto, em a outra ocasião, Frederico, sujo, maltrapilho, vivendo uma péssima fase, entra em um bar no qual Alzira está. Ela lhe cumprimenta educadamente e lhe oferece a passagem do bonde. Frederico procurou negar, mas Alzira a ofereceu com tanta veemência que lhe foi impossível recusar. O detalhe mais significativo é o choque da cena final com a ideia que faziam a mulher, demonstrando a imperfeição dos juízos sem provas dos pré-conceitos.

Os Melhores Contos de Lima Barreto II – Sua Excelência
Personagens: Ministro e cocheiro
Espaço: Baile da Embaixada
Narrado em 3ª pessoa onisciente, este é um conto diferenciado dos demais, sobretudo por seu caráter psicológico e a variedade de interpretações que suscita.É notável, em sua temática a denúncia da vaidade, o narcisismo, da autolatria manifestada pelo Ministro no início do conto, em que fica a repetir, para a própria consciência, trechos do discurso que acabara de proferir. No mais, a interpretação a meu ver mais clara é a de que o ministro entra em um estado de delírio, de transe, de devaneio, que o faz perder os sentidos, e nesse delírio, ele vê a si mesmo descendo as mesmas escadarias que instantes atrás ele descera, só que agora ele se sentia na pele de um reles cocheiro, perguntando a sua própria imagem se queria o carro, como se o devaneio indicasse o caráter ambíguo da realidade e o fato de que a baixeza, a inferioridade, a submissão também fazem parte do nosso mundo, da nossa realidade, e que, às vezes, as pessoa poderiam passar pelos dois momentos, sentindo e sofrendo na pele com algo que sempre impeliu aos outros.

EQUIPE FERANET21

 

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