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Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

 

Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

Os poemas de Gilberto Mendonça Teles fazem parte da 3ª geração modernista e se desenvolvem em linguagem formal, artesanal, uma recuperação neomoderna do estilo clássico.

Na sua obra poética se observa a linguagem do poema como expressão do ideal poético:

Tão justa e essencial a trajetória
da noite se organiza, fabulosa
crescem cactos de fogo no silêncio
da linguagem perdida.
Só o material de espuma, a forma
primitiva das coisas permanece
girando sobre si, anterior
à descoberta.

Observa-se, enfim, certo saudosismo, que nos fica claro ao lamentar a perda da linguagem primordial, linguagem momentaneamente perdida, mas possivelmente recuperável, já que a forma primitiva das coisas permanece girando sobre si, anterior à descoberta.

Esta linguagem primordial é o caminho para a recuperação do ideal poético, porque há evidentemente em seus versos uma hegeliana arte poética.

Este sentimento de falta de algo valioso que se possuiu, no âmbito da linguagem poética, mas que ainda faz muita falta, só se tornará visível por meio de uma análise rigorosa, esclarecedora, destacando os referentes que iluminarão as descobertas teóricas do analista.

Com mais de 40 anos de percurso, a obra poética de Gilberto Mendonça Teles alcança um grande amadurecimento formal e técnico sem, no entanto, ter de abandonar as conquistas vanguardistas e experimentais.

Sua escrita procura aliar o amplo cabedal que lhe confere a participação ativa na vida literária do país, tanto como poeta quanto como ensaísta e professor, a uma disposição de estar continuamente fazendo o novo.

Em virtude de sua grande habilidade técnica, a poética de GMT transita com bastante naturalidade entre um regionalismo de sabor originário e uma postura mais experimentalista, de cunho universal, como, por exemplo, o trabalho com a visualidade do poema, onde valoriza o signo e a materialidade da palavra.

Isso significa que, além do cuidado com o sentido, seus poemas podem ocupar a página numa configuração gráfica inusitada. O poeta também se excede na construção de sonetos e de poemas de maior rigor métrico.

Além da vertente poética propriamente dita, destacam-se importantes ensaios sobre a poesia brasileira e seus poetas mais importantes.

Por meio da análise cientificista, destaca-se, neste poema de Gilberto Mendonça Teles, à noite como  referência, representando esse ideal, como expressão da alma, como conteúdo substancial, como forma retirada do exterior, não da natureza, mas do próprio ideal.

É nesta referência que se evidencia a lamentação do sujeito poético, pois a palavra noite, além de representar a expressão da alma do ideal, representa o essencial da arte, enquanto abstração proveniente do próprio ideal.

Por esta razão, crescem cactos de fogo no silêncio / da linguagem perdida, porque  há empecilhos à expressão da linguagem que representa o silêncio, morada da alma. Não há mais a linguagem da alma no mundo moderno e na moderna poesia, não há mais a forma primitiva dos objetos, das  coisas, forma que permanece girando sobre si, porque livre e infinita, anterior à descoberta.

Neste estágio de criação, o poeta questiona as transformações vanguardistas, as novas formas de estruturação da linguagem poética, o método, a clareza suplantando o enigma, a falta de liberdade, alma livre, jamais perdida, segundo Hegel, as limitações linguísticas.

Nota-se que, anteriormente, para a revelação da poesia, a única limitação era a forma.

Há tanto silêncio necessitando de palavras, porque imposições estéticas? Porque esta imposição de caminhar, deslizantes, sobre flores e feltros disponíveis? Há demasiada pureza neste luar oblíquo, demasiada claridade nesta noite sem fundo.

Por que não valorizar a poesia que se irrompe das sombras / como um corpo livre de túnel, de túmulo e tudo que retém seu mais obscuro / poder de liberdade e movimento? Há muita luz, as coisas lindas e amoráveis / são noturnas e crescem à flor de lagos subterrâneos.

O poeta lamenta a perda momentânea da poesia, a perda da linguagem poética enquanto expressão de algo livre e ilimitado, único meio de se alcançar os mais remotos estágios do transcendente.

Como ver o lado oblíquo do luar? Como sentir o mistério da noite sem fundo? Como perceber a sintaxe invisível, se os poetas se encontram preocupados em construir palavras em páginas desertas?

E o poeta, herdeiro da geração de 45, se vê dividido. Preso a conflitos que não fazem parte de sua formação, caminha entre palavras e páginas desertas, ignorando-as, consciente de que irá preenchê-las com sua autêntica criatividade, construindo, experimentando, atualizando-se, continuando infinito em si mesmo.

Em meio ao vazio não criador, tem consciência de que está só, mesmo encontrando-se ligado afetivamente ao grupo de 45.

É importante ter geração, como ele mesmo disse em um de seus belos poemas, mas é melhor ter sossego, escrever a seu modo, num grande amor… Sem geração, expressando a realidade do ideal, realizando a poesia, depois de tê-la intuído e transformado.

 

Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

Publicado em:Resumos de livros

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