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Resumo de Livro Obra por Vestibular1

Os Timbiras de Gonçalves Dias

 

Resumo Os Timbiras de Gonçalves Dias –  poema americano

O poeta idealizara o poema em seis cantos, mas apenas publicou os quatro primeiros, num volume de 1857. O restante se perdeu ou ficou por escrever. Trata-se da parte menos realizada do seu indianismo e só a urgência do projeto cultural do Império em possuir uma epopeia nacional pode explicar que tivesse publicado, e ainda parcialmente, esses dois terços da obra.

Os Timbiras de Gonçalves Dias – Introdução

Quem poderá, guerreiro, nos seus cantos
A voz dos piagas teus um só momento
Repetir; essa voz que nas montanhas
Valente retumbava, e dentro d’alma
Vos ia derramando arrojo e brios,
Melhor que taças de cauim fortíssimo?!
Outra vez a chapada e o bosque ouviram
Dos filhos de Tupã a voz e os feitos
Dentro do circo, onde o fatal delito
Expia o malfadado prisioneiro,
Qu’enxerga a maça e sente a muçurana
Cingir-lhe os rins a enodoar-lhe o corpo:
E sós de os escutar mais forte acento
Haveriam de achar nos seus refolhos
O monte e a selva e novamente os ecos.
Os Timbiras de Gonçalves Dias – Canto Primeiro

“A tua vida a minha glória insulta!
Grita ao rival, e já de mais viveste.”
Disse, e como o condor, descendo a prumo
Dos astros, sobre o lhama descuidoso
Pávido o prende nas torcidas garras,
E sobe audaz onde não chega o raio…
Voa Itajubá sobre o rei das selvas,
Cinge-o nos braços, contra si o aperta
Com força incrível: o colosso verga,
Inclina-se, desaba, cai de chofre,
E o pó levanta e atroa forte os ecos.
Assim cai na floresta um tronco anoso,
E o som da queda se propaga ao longe!
O fero vencedor um pé alçando,
Morre! – lhe brada – e o nome teu contigo!
O pé desceu, batendo a arca do peito
Do exânime vencido: os olhos turvos,
Levou, a extrema vez, o desditoso
Àqueles céus d’azul, àquelas matas,
Doce cobertas de verdura e flores!

Os Timbiras de Gonçalves Dias – Canto segundo

Al sente o bravo; outro pensar o ocupa!
Nem Aresqui,nem sangue se lhe antolha,
Nem resolve consigo ardis de guerra,
Nem combates, nem lágrimas medita:
Sentiu calar-lhe n’alma em sentimento
Gelado e mudo, como o véu da noite.
Jatir, dos olhos negros, onde pára?
Que faz que lida: ou que fortuna corre?
Três sóis já são passados: quanto espaço,
Quanto azar não correu nos amplos bosques
O impróvido mancebo aventureiro?
Ali na relva a cascavel se esconde,
Ali, das ramas debruçado, o tigre
Aferra traiçoeiro a presa incauta!
Reserve-lhe Tupã mais fama e glória,
E voz amiga de cantor suave
C’os altos feitos lhe embalsame o nome!

Os Timbiras de Gonçalves Dias – Canto terceiro

Ama o filho do bosque contemplar-te,
Risonha aurora, – ama acordar contigo;
Ama espreitar nos céus a luz que nasce,
Ou rósea ou branca, já carmim, já fogo,
Já tímidos reflexos, já torrentes
De luz, que fere oblíqua os altos cimos.
Amavam contemplar-te os de Itajubá
Impávidos guerreiros, quando as tabas
Imensas, que Jaguar fundou primeiro
Cresciam, como crescem gigantescos
Cedros nas matas, prolongando a sombra
Longes nos vales, – e na copa excelsa
Do sol estivo os abrasados raios
Parando em vasto leito de esmeraldas.

 

Os Timbiras de Gonçalves Dias – Canto Quarto

“É seguro entre vós guerreiro inerme,
E mais seguro o mensageiro estranho!
Disse com riso mofador nos lábios.
Aceito o arco, ó chefe, e a treda flecha,
Que vos hei-de tornar, ultriz da ofensa
Infame, que Aimorés nunca sonharam!
Ide , correi, quem cós impede a marcha?
Vingai esta corrente, não mui longe
Os Timbiras estão! – Voltai da empresa
Com este feito heróico rematado;
Fugi, se vos apraz; fugi, cobarde!
Vida por gota pagareis meu sangue;
Por onde quer que fordes de fugida
Vai o fero Itajubá perseguir-vos
Por água ou terra, ou campos, ou florestas;
Tremei!…
E como o raio em noite escura
Cegou, desapareceu! De timorato
Procura Gurupema o autor do crime,
E autor lhe não descobre; inquire… embalde!
Ninguém foi, ninguém sabe, e todos viram.

 

Os Timbiras de Gonçalves Dias

 

Publicado em:Resumos de livros

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