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Páginas Recolhidas de Machado de Assis

 

Páginas Recolhidas de Machado de Assis

Páginas Recolhidas de Machado de Assis é uma coletânea composta de 8 contos e publicado em 1889:

O Caso Da Vara
O Dicionário
Um Erradio
Eterno!
Missa Do Galo
Ideias Do Canário
Lágrimas De Xerxes
Papéis Velhos

Páginas Recolhidas de Machado de Assis é considerada uma das suas melhores obras no gênero. As histórias aí contidas
Os contos tornaram se clássicos, sendo considerada uma de suas melhores obras do gênero.
Conforme explica o próprio Machado no Prefácio, estas páginas são “escolhidas dentre muitas, por achar que ainda agora possam interessar”.

Assim, a coletânea Páginas Recolhidas de Machado de Assis, apresenta contos além do o discurso da cerimônia do lançamento da primeira pedra da estátua de José de Alencar.
O Caso da Vara é um dos seus contos mais famosos. Conta à história de um seminarista fugitivo, Damião, que tem muito medo de voltar para casa e tem uma escolha difícil a fazer.

Trechos do Prefácio de Páginas Recolhidas de Machado de Assis
O que importa unicamente é dizer a origem destas páginas. Umas são contos e novelas, figuras que vi ou imaginei, ou simples ideias que me deu na cabeça reduzir a linguagem. …Também vai aqui Tu só, tu, Puro Amor… Comédia escrita para as festas centenárias de Camões, e representada por essa ocasião. … Uma análise da correspondência de Renan com sua irmã Henriqueta, e um debuxo do nosso antigo Senado foram dados na Revista Brasileira, tão brilhantemente dirigida pelo meu ilustre e prezado amigo José Veríssimo. Sai também um pequeno discurso, lido quando se lançou a primeira pedra da estátua de Alencar. …Tudo é pretexto para recolher folhas amigas.
Machado de Assis

Trecho escolhido do conto O Caso da Vara de Páginas Recolhidas de Machado de Assis

O pior era a batina; se Sinhá Rita lhe pudesse arranjar um rodaque, uma sobrecasaca velha… Sinhá Rita dispunha justamente de um rodaque, lembrança ou esquecimento de João Carneiro. — Tenho um rodaque do meu defunto, disse ela, rindo; mas para que está com esses sustos? Tudo se há de arranjar, descanse.

Afinal, à boca da noite, apareceu um escravo do padrinho, com uma carta para Sinhá Rita. O negócio ainda não estava composto; o pai ficou furioso e quis quebrar tudo; bradou que não, senhor, que o peralta havia de ir para o seminário, ou então metia-o no Aljube ou na presiganga.

João Carneiro lutou muito para conseguir que o compadre não resolvesse logo, que dormisse a noite, e meditasse bem se era conveniente dar à religião um sujeito tão rebelde e vicioso. Explicava na carta que falou assim para melhor ganhar a causa.

Não a tinha por ganha; mas no dia seguinte lá iria ver o homem, e teimar de novo. Concluía dizendo que o moço fosse para a casa dele. Damião acabou de ler a carta e olhou para Sinhá Rita. Não tenho outra tábua de salvação, pensou ele. Sinhá Rita mandou vir um tinteiro de chifre, e na meia folha da própria carta escreveu esta resposta: “Joãozinho, ou você salva o moço, ou nunca mais nos vemos”.
Fechou a carta com obreia, e deu-a ao escravo, para que a levasse depressa. Voltou a reanimar o seminarista, que estava outra vez no capuz da humildade e da consternação. Disse-lhe que sossegasse, que aquele negócio era agora dela.

— Hão de ver para quanto presto! Não, que eu não sou de brincadeiras!
Era a hora de recolher os trabalhos. Sinhá Rita examinou-os; todas as discípulas tinham concluído a tarefa. Só Lucrecia estava ainda à almofada, meneando os bilros, já sem ver; Sinhá Rita chegou-se a ela, viu que a tarefa não estava acabada, ficou furiosa, e agarrou-a por uma orelha.

— Ah! malandra!
— Nhanhã, nhanhã! pelo amor de Deus! por Nossa Senhora que está no céu.
— Malandra! Nossa Senhora não protege vadias!

Lucrecia fez um esforço, soltou-se das mãos da senhora, e fugiu para dentro; a senhora foi atrás e agarrou-a. — Anda cá! — Minha senhora, me perdoe! tossia a negrinha.

— Não perdoo, não. Onde está a vara?

E tornaram ambas à sala, uma presa pela orelha, debatendo-se, chorando e pedindo; a outra dizendo que não, que a havia de castigar.
— Onde está a vara?
A vara estava à cabeceira da marquesa, do outro lado da sala.

Sinhá Rita, não querendo soltar a pequena, bradou ao seminarista.
— Sr. Damião, dê-me aquela vara, faz favor?
Damião ficou frio… Cruel instante! Uma nuvem passou-lhe pelos olhos. Sim, tinha jurado apadrinhar a pequena, que por causa dele, atrasara o trabalho…
— Dê-me a vara, Sr. Damião!
Damião chegou a caminhar na direção da marquesa.

A negrinha pediu-lhe então por tudo o que houvesse mais sagrado, pela mãe, pelo pai, por Nosso Senhor…
— Me acuda, meu sinhô moço!

Sinhá Rita, com a cara em fogo e os olhos esbugalhados, instava pela vara, sem largar a negrinha, agora presa de um acesso de tosse.

Damião sentiu-se compungido; mas ele precisava tanto sair do seminário! Chegou à marquesa, pegou na vara e entregou-a a Sinhá Rita.

Leia também a biografia de Machado de Assis

 

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Publicado em:Resumos de livros

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