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Resumo de Livro Obra por Vestibular1

Poemas de Gregório de Matos

 

Poemas de Gregório de Matos

Poemas de Gregório de Matos – Agradecimento de uns Doces a sua Freira

Senhora minha, se de tais clausuras
Tantos doces mandais a uma formiga,
Que esperais vós agora que eu vos diga
Se não forem murchíssimas doçuras?

Eu esperei de Amor outras venturas,
Mas ei-lo vai, tudo o que é dar obriga,
Ou já ceia de amor, ou já da figa,
Da vossa mão são tudo ambrósias puras.

O vosso doce a todos diz: comei-me,
De cheiroso, perfeito e asseado;
Eu por gosto lhe dar comi e fartei-me.

Em este se acabando irá recado,
E se vos parecer glutão, sofrei-me
Enquanto vos não peço outro bocado.

Poemas de Gregório de Matos – Epitáfio para o Marquês de Marialva

Em três partes enterrado
está o corpo do Marquês
de Marialva: porque em dez
mil seu nome é venerado:
e foi destino acertado,
que em tanta parte estivesse,
para que o mundo soubesse,
que este valeroso Marte
morto assiste em qualquer parte,
como se ainda vivesse.

Poemas de Gregório de Matos – Pintura Admirável de uma Beleza

Vês esse Sol de luzes coroado?
Em pérolas a Aurora convertida?
Vês a Lua de estrelas guarnecida?
Vês o Céu de Planetas adorado?

O Céu deixemos; vês naquele prado
A Rosa com razão desvanecida?
A Açucena por alva presumida?
O Cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado; vem cá, minha adorada,
Vês de esse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina?
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Caterina.

Poemas de Gregório de Matos – Esse farol do Céu, fímbria luzida

Esse farol do céu, fímbria luzida,
Esse lenho das ondas, pompa inchada,
Essa flor da manhã, delicia amada,
Esse tronco de abril, galha florida,

É desmaio da noite escurecida,
É destroço da penha retirada,
É lastima da tarde abreviada,
É despojo da chama enfurecida.

Se o sol, se a nau, se a flor, se a planta toda
A ruína maior nunca se veda;
Se em seu mal a fortuna sempre roda;

Se alguém das vaidades não se arreda,
Há de ver (se nas pompas mais se engoda),
Do sol, da nau, da flor, da planta, a queda.

 

Poemas de Gregório de Matos

Publicado em:Resumos de livros

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