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Resumo de Livro Obra por Vestibular1

 

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias

 

Resumo Primeiros Cantos de Gonçalves Dias

Livro Primeiros Cantos de Gonçalves Dias, de estréia do poeta, foi publicado no Rio de Janeiro em 1846. Dividido em duas partes, abre com uma seção de seis poemas, sob a denominação Poesias americanas; os outros, quase quarenta, agrupam-se em duas seções: Poesias diversas e Hinos.

A obra Primeiros Cantos de Gonçalves Dias, foi imediatamente elogiada por um dos maiores escritores do tempo, Alexandre Herculano, num texto intitulado Futuro Literário de Portugal e do Brasil, que o poeta incorporou como introdução do volume Cantos : coleção de poesias (1857).

Trechos de Primeiros Cantos de Gonçalves Dias

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias – Prólogo
Dei o nome de Primeiros Cantos às poesias que agora publico, porque espero que não serão as últimas.
Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir.
Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas em épocas diversas – debaixo de céu diverso – e sob a influência de impressões momentâneas.

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias – O Canto do Guerreiro
I
Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
– Ouvi-me, Guerreiros.
– Ouvi meu cantar.
II
Valente na guerra
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
– Guerreiros, ouvi-me;
– Quem há, como eu sou?
….
IX
E então se de novo
Eu toco o Boré;
Qual fonte que salta
De rocha empinada,
Que vai marulhosa,
Fremente e queixosa,
Que a raiva apagada
De todo não é,
Tal eles se escoam
Aos sons do Boré.
– Guerreiros, dizei-me,
– Tão forte quem é?

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias – Poesias diversas – A Leviana
Souvent femme varie, Bien fol est qui s’y fie.
— Francisco
I
És engraçada e formosa
Como a rosa,
Como a rosa em mês d’Abril;
És como a nuvem doirada
Deslizada,
Deslizada em céus d’anil.
Tu és vária e melindrosa,
Qual formosa
Borboleta num jardim,
Que as flores todas afaga,
E divaga
Em devaneio sem fim.

Tal os sepulcros colora
Bela aurora
De fulgores radiante;
Tal a vaga mariposa
Brinca e pousa
Dum cadáver no semblante.

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias – Seus Olhos
Oh! rouvre tes grands yeux, dont la paupiére tremble,
Tes yeux pleins de langueur;
Leur regard est si beau quand nous sommes ensemble!
Rouvre-les; ce regard manque à ma vie, il semble
Que tu fermes ton coeur.
— Turquety
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias – Adeus Aos meus amigos do Maranhão

Rasgado o coração de pena acerba,
Transido de aflições, cheio de mágoa,
Miserando parti! tal quando réprobo,
Adão, cobrindo os olhos co’as mãos ambas,
Em meio a sua dor só descobria
Do Arcanjo os candidíssimos vestidos,
E os lampejos da espada fulminante,
Que o Éden tão mimoso lhe vedava.
Porém quando algum dia o colorido
Das vivas ilusões, que inda conservo,
Sem força esmorecer, – e as tão viçosas
Esp’ranças, que eu educo, se afundarem
Em mar de desenganos; – a desgraça
Do naufrágio da vida há de arrojar-me
A praia tão querida, que ora deixo,
Tal parte o desterrado: um dia as vagas
Hão de os seus restos rejeitar na praia,
Donde tão novo se partira, e onde
Procura a cinza fria achar jazigo.

 

Primeiros Cantos de Gonçalves Dias

Publicado em:Resumos de livros

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