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Resumo de Livro Obras por Vestibular1

Prosas Seguidas de Odes Mínimas de José Paulo Paes

 

Resumo Prosas Seguidas de Odes Mínimas de José Paulo Paes – parte I
“Neste livro Prosas Seguidas de Odes Mínimas, José Paulo Paes evita, de um lado, a efusão confessional de um sentimentalismo estranho à nossa época; recusa, de outro, a frieza dos meros exercícios virtuosísticos de linguagem.

Com extremo apuro técnico, mas sobretudo com o que se poderia chamar de ‘distinção’ de alma – um recanto, uma compostura, uma serenidade frente às próprias emoções -, o autor faz uma poesia que, sem ser confessional, é íntima, cheia de lembranças e experiências biográficas. Fala de seus pais, de amigos mortos, da perna que teve de amputar, mas não cede nunca às tentações da autopiedade e do desespero. É o livro de quem aprendeu a pesar com calma o próprio sofrimento, e depois o expressa, com intensidade, a meia voz.”
Marcelo Coelho – Cia. das Letras – 88 pág. – brochura

I – Comentários gerais – Prosas Seguidas de Odes Mínimas:
O primeiro livro representado nesta coletânea é “O aluno”, de 1947. No poema, existe uma alusão direta ao poeta Manuel Bandeira. Neste mesmo poema, revela todas as suas paixões literárias desse tempo.

Da mesma forma nos outros poemas existe uma forte influência de outros autores, como Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda e outros. “O aluno” é o início de sua obra refletida numa visível herança do Modernismo. Outras poesias como Drummondiana e Muriliana, são verdadeiras homenagens diretas a esses autores e constituem-se na forma epigramática.

Estão nesta coletânea: “Canção do afogado”, “Drummondiana”, “Balada”, “O poeta e seu mestre”, “Muriliana” e “O aluno”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – O aluno

[…] São meus também os líricos sapatos
De Rimbaud, e no fundo dos meus atos
Canta a doçura triste de Bandeira.
Drummond me empresta sempre o seu bigode.
Com Neruda, meu pobre verso explode
E as borboletas dançam na algibeira.

O livro “Cúmplices”, de 1951, traz poemas já com uma linguagem mais própria e independente. Libertando-se da forte influência que seus autores prediletos. Adquire uma tendência fortemente epigramática, porém ainda pouco satírica. (fato que ocorreria depois)

Quase todos os poemas têm a presença de Dora, sua grande musa inspiradora. Para este livro foram selecionados os seguintes poemas: “Madrigal”, “Canção sensata”, “Pequeno retrato”, “Poema circense”, “Ode pacífica” e “Epigrama”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Madrigal
Meu amor é simples, Dora,
Como a água e o pão.

Como o céu refletido
Nas pupilas de um cão.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Epigrama
Entre sonho e lucidez, as incertezas.
Entre delírio e dever, as tempestades.
Ai, para sempre serei teu prisioneiro
Neste patíbulo amargo de saudades…

Em “Novas cartas chilenas”, de 1954, a principal característica é a qualidade de sua sintetização das ideias através dos epigramas. Seus poemas são sarcásticos e existe uma tendência crítica aos postulados religiosos como em “L’affaire sardinha” e a questão da discriminação da cultura negra em “Palmares”. Critica os reis e a trajetória brasileira da sua colonização e os vários estados instituídos (Monarquia e República).
Foram selecionados os poemas: “Ode prévia”, “Os navegantes”, “A carta”, “A mão de obra”, L’affaire sardinha”, “A cristandade”, “Palmares”, “A fuga”, “Cem anos depois” e “Porque me ufano”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – L’affaire sardinha
O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia.

E como um dia faltasse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Palmares (Fragmentado)
I
No alto da serra,
A palmeira ao vento.
Palmeira, mastro
De bandeira, cruz
[…]

[…]
Os ratos
Não clamam, os ratos
Não acusam, os ratos
Escondem
O crime de Palmares.

O livro “Epigramas”, de 1958, como o próprio nome já diz, é epigramático com características sarcásticas seus poemas são sintéticos e de forte espírito satírico. Há ainda uma homenagem ao escritor Edgar Allan Poe. Toda sua forma poética começa a se definir de maneira madura e própria.
São poemas dessa coletânea: “Poética”, “A Edgar Alan Poe”, “Bucólica”, “Il poverello”, “Baladilha”, “Ivan Ilitch, 1958” e “A Clausewitz”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Bucólica
O camponês sem terra
Detém a charrua
E pensa em colheitas
Que nunca serão suas

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – A Clausewitz
O marechal de campo
Sonha um universo
Sem paz nem hemorroidas.

O livro “Anatomias”, de 1967, exemplifica bem como José Paulo Paes inventou uma forma muito própria e particular de se exprimir. É único seu modo de ser na poesia, que obedece a uma coerência interna. Há um especial destaque para a sintetização: a palavra isolada, remontagens vocabulares, trocadilhos e a síntese político-social em “À moda da casa”, que à maneira de Oswald de Andrade, testemunha em quatro palavras a situação nacional da época (após o movimento político de 1964).

É bom atentar-se também para o evidente concretismo em “Epitáfio para um banqueiro” e a poesia visual em “Anatomia da musa”.
Estão selecionados nesta coletânea: “Epitáfio para um banqueiro”, “De senectude”, “Trova do poeta de vanguarda ou The medium is the massage”, “Epitalâmio”, “Ocidental”, “A Maiacóvski”, “À moda da casa”, “O poeta ao espelho, barbeando-se”, “Anatomia da musa” e “O suicida ou Descartes às avessas”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – À moda da casa
feijoada
marmelada
goleada
quartelada

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Epitáfio para um banqueiro
negócio
ego
ócio
cio
0

Em “Meia palavra”, de 1973, a obra é no todo intensificada. Expressa-se em sua poesia uma forma de enxergar-se o grande no pequeno como se o autor quisesse representar o universo em um só pingo d’água. Distancia-se pois, totalmente da tradição modernista ainda refletida nos livros anteriores. O chiste, termo melhor encontrado para designar a característica de ironia e pilhéria de seus versos é consolidado como grande forma de expressão.

Podemos destacar a satírica “Canção de exílio facilitada” [paródia à “Canção do exílio” de Gonçalves Dias], “Seu léxico” e “Termo de responsabilidade”.
Estão também neste livro: “Sick transit”, “Ars amandi”, “Minicatinga d’amigo”, “Auto escola Vênus”, “Lição de casa sobre um tema de apollinaire”, “Entropia”, “Saldo”, “Declaração de bens” e “Antiturística”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Canção de exílio facilitada
lá?
ah!sabiá…
papá…
maná…
sofá…
sinhá…cá?
bah!

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Seu léxico
economiopia
desenvolvimentir
utopiada
consumidoidos
patriotários
suicidadãos

“Resíduo”, de 1980, segue as características do livro anterior e reforça a maturidade, concentrado na forma incisiva do epigrama reduzido ao extremo.

O poema “Um sonho americano” é composto do título e do sintagma: “Cia limitada”. Isso representa uma redução sintética que leva sua poesia destituir-se do verbo, numa composição sem ação. Em contraposição, “Les mains sales” é composta de uma sentença de total ação em relação a seu título: “mãos à obra!”. Podemos destacar também: “Grafito” e “Hino ao sono”.
São também selecionados para esta coletânea: “Epitáfio para Rui”, “Neopaulística”, “Brecht revisitado” e “Do novíssimo testamento”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Um sonho americano
CIA limitada

Les mains sales
mãos à obra!

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Hino ao sono
sem a pequena morte
de toda noite
como sobreviver à vida
de cada dia?

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Grafito
neste lugar solitário
o homem toda manhã

Em “Calendário perplexo”, de 1983, tece uma crônica poética, estilizando em sua sintetização epigramática, todas as datas importantes do ano. É satírico, irônico e crítico diante de todos os momentos que destaca.
A coletânea traz os seguintes poemas: “Brinde”, “Dúvida revolucionária”, “Dia do índio”, “Etimologia”, “A verdadeira festa” e “A marcha das utopias”.

Prosas Seguidas de Odes Mínimas – Dia do índio (19 de abril)

os dias dos que têm
os seus dias contados
A marcha das utopias [15 de novembro]

não era esta a independência que eu sonhava
não era esta a república que eu sonhava
não era este o socialismo que eu sonhava
não era este o apocalipse que eu sonhava

Em “A poesia está morta mas juro que não fui eu”, de 1988, o autor vive uma fase de plenitude e amadurecimento de sua obra. Os poemetos ganham maior força e o poeta se expressa de maneira única e criativa na consolidação de uma linguagem própria e pessoal. Cada poema, cada fragmento, compõe uma parte do todo de sua obra. Entende-se José Paulo Paes, pelo todo compreendido em cada um de seus poemas separadamente.

Em “Acima de qualquer suspeita”, Paes se transcreve imitador de si próprio, juntamente com todos os outros autores que o influenciaram. Há também o bom uso dos trocadilhos, que sempre tomam como propósito a crítica poética e tem a forma sarcástica e irônica, a exemplo de “Poética” e em “Curitiba”, sua crítica é social e regionalista, quando usa a metáfora do estado como um pinheiro inabalável, referindo-se à vegetação tradicional do Paraná. Também em “Curitiba”, exalta artistas locais, como Dalton Trevisan, que sempre criticou a academia de letras. “Curitiba” sintetiza sua crítica social e poética através do epigrama.

São também destacados nesta coletânea: “Fêtes galantes”, “Taquaritinga”, “Lisboa: aventuras”, “Pisa: a torre”, “Florença: antediluviana”, “Duas elegias bibliográficas” e “Epitáfio para um sociólogo”.
Acima de qualquer suspeita

a poesia está morta
mas juro que não fui eu
eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la

imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres
carlos drummond de andrade manuel bandeira
murilo mendes vladimir maiakóviski joão cabral de
melo neto paul éluard oswald de andrade guillaume
apolinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto
de campos

não adiantou nada (…)

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Prosas Seguidas de Odes Mínimas de José Paulo Paes

Publicado em:Resumos de livros

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