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Quincas Borba de Machado de Assis

 

Resumo Quincas Borba de Machado de Assis – parte II

A outra complicação surge com a presença de Carlos Maria, a vaidade em pessoa. Em outro baile, esse jovem passa a noite dançando com Sofia, o que deixa até no ar a possibilidade do surgimento de um adultério. Mas houve apenas a satisfação de dois egos: ela, por se sentir idolatrada; ele, por ter em suas mãos a mais bela mulher do salão.

E tudo esfria, não surgindo mais nenhum laço forte além da dança.
No entanto, duas personagens imaginaram que o episódio tinha gerado consequências mais terríveis. O primeiro foi Rubião, que se sente enciumado. Em sua mente, aceita dividir Sofia com Cristiano, marido. Mas não aceita com outro amante. A outra personagem é Maria Benedita, prima de Sofia, criada no interior, alheia à civilização, mas que desperta o desejo de evoluir graças ao interesse que sente por Carlos Maria. Sente-se, pois, arrasada ao pensar que a senhora Palha indignamente havia-lhe passado a perna.

Mas, se a menina mergulha na melancolia passiva, Rubião é um pouco mais ativo. Começa a ter delírios paranoicos. Imagina, com base numa história contada (e provavelmente inventada) por um cocheiro, que Sofia se encontrava com Carlos Maria num bairro distante.

E o clímax é quando imagina ter como prova uma carta dela para o suposto amante, missiva que nem sequer abrira. Se tivesse, descobriria que era apenas um comunicado sobre a Comissão de Alagoas (o ciúme doentio colhendo provas por demais questionáveis de adultério é justamente a base de outro romance machadiano, Dom Casmurro.

Mais uma vez, a aparência faz montar um conceito mais forte do que o próprio fato em si, contrário, mas que acaba perdendo valor. Vivemos num mundo em que a opinião é mais importante do que o fato. Esse é o tema do conto “O Segredo do Bonzo”, do mesmo autor).

Tocou-se, pois, num passo importante da narrativa: a Comissão de Alagoas. Em primeiro lugar, esse episódio vai lembrar a morte da avó de Quincas Borba. Por causa do flagelo que houve na província nordestina, Sofia faz parte de um grupo de caridade composto de senhoras da alta sociedade da corte.

Começa, pois, a fincar seu lugar ao sol, graças à desgraça alheia. É também por meio desse grupo que sai conseguir o casamento de Maria Benedita com Carlos Maria, parente de D. Fernanda, mulher conceituadíssima.

Torna-se nítido, nesse ponto, uma característica muito comum às narrativas machadianas: os mecanismos de favor. No Brasil da época de Machado de Assis, muitas vezes a ascensão social não era obtida por meio da competência. Entravam em campo tais mecanismos.

Quem estava por baixo, geralmente gente da classe média, como profissionais liberais ou comerciantes (o caso do casal Palha), esforça-se para conquistar a simpatia de quem está por cima, ricos proprietários da classe alta (o caso de D. Fernanda).

Nesse tipo de relacionamento não há exploração indecorosa, pois os dois lados saem ganhando. O favorecido consegue seu espaço numa sociedade em que eficiência não garante sobrevivência, além da boa fama de gravitar na órbita do favorecedor. E este ganha, além da boa conceituação ao exibir sua influência, a gratidão e a subserviência do favorecido.

Eis, pois, o que enxergamos na relação entre a poderosa D. Fernanda e Maria Benedita, que culminou no casamento desta, alavancando-a para a alta esfera social. Vemos isso também na entrada de Sofia na Comissão de Alagoas. É por meio desse grupo que angaria a simpatia das damas abastadas, principalmente de D. Fernanda, mais uma vez (essa personagem, impositiva, adora exercer seu poder de influência sobre as pessoas), tornando-se uma delas.

Em Quincas Borba de Machado de Assis, vale a pena notar que o flagelo alagoano foi bastante útil. Não se fala aqui da indústria da seca, problema ainda atual, em que setores acabam lucrando com a miséria nordestina. O que se deve levantar é que por meio dessa desgraça, Sofia e Maria Benedita garantiram sua sobrevivência confortável em seu meio. É, portanto, uma repetição da história de Quincas Borba sobre a morte de sua avó. É Humanitas garantindo sua sobrevivência.

Dentro de tal ponto de vista, os mais fortes é que devem sobreviver. O casal Palha, de acordo com isso, é destinado à vitória. Sabe gerar capital (deve-se entender que capital é diferente de dinheiro. O primeiro tem a função não de possibilitar gastos, mais de ser investido e trazer mais dinheiro).
O dinheiro adquirido graças à sociedade com Rubião é investido, originando progresso financeiro. O enriquecimento fica notório na sequencia de mudança de residências: de Santa Teresa vão para a praia do Flamengo e de lá finalmente instalam-se no Palacete do Botafogo.

Rubião é destinado à exploração, à derrota. É o gastador. É o sugado. Sua riqueza esvai-se em empréstimos a fundo perdido, em investimentos no jornal do político Camacho, no grupo de comensais que frequentam sua casa, aproveitando-se de jantares, charutos e demais benesses.

O mais incrível é que no momento em que a derrocada do protagonista se mostra mais nítida é que ele assume delírios de grandeza, provavelmente provocados pela situação incoerente entre não ter o seu amor por Sofia correspondido e não ser claramente dispensado por ela (o que pode explicar essa incoerência é a vaidade de Sofia. Sente-se lisonjeada ao saber que alguém a venera, por isso não corta os laços, desde que não se comprometa sua reputação (mais uma vez a vaidade).

É o que aconteceu com Carlos Maria. Enquanto ele a cortejava, ela sentia-se bem. Abandonada, pois este se casa com Maria Benedita, sente despeito. Não ia praticar o adultério, mas se incomoda em muito com a ideia de ser passada para trás).

Chega até a desenvolver um ciúme doentio, imaginando em suas mãos não uma prova do adultério de sua amada com Carlos Maria: a carta fechada que esta havia mandado ao jovem e que fora desleixadamente perdida por um empregado em frente à casa de Rubião.

O interessante é que, num momento de mistura entre ciúme e decência (mais uma vez, a mistura de elementos dilemáticos orientando as ações humanas), entrega a missiva à Sofia, com a intenção de passar-lhe uma lição de moral. A mulher chega até a ficar corada, mas imediatamente recompõe o domínio da situação, mostrando-se tranquila. Atitude típica das heroínas machadianas.

Para Rubião, tudo era prova substanciosa do adultério. Mas consistia só em aparência. A carta nada mais era do que um convite a Carlos Maria para contribuir na famosa Comissão de Alagoas. Note como uma ampla realidade foi montada em cima apenas da aparência. Vivemos desgraçadamente num mundo em que a aparência tem mais importância que a essência.

Mas o fato é que Sofia, tempos depois, desfaz para Rubião o mal entendido. Na cabeça dele, tal esforço indicaria que ela tem interesse em não perder o respeito e quem sabe algo mais diante dele. Para ela, não quer perder a reputação e, quem sabe, a admiração dele lavando-lhe o ego.

Confirmando a discrepância entre aparência e essência, Rubião vai à falência enquanto imagina ser Napoleão. Chega a receber a ajuda caritativa de D. Fernanda e do casal Palha (estes, mais preocupados com a imagem social, pois já nem havia mais sociedade, desfeita providencialmente às vésperas da derrocada).

No fim, o protagonista foge do hospício em que fora internado. Volta para Barbacena, em companhia de seu inseparável cão (pode ser vista aqui uma representação do princípio da eternidade do Humanitismo, que sobrevive a tudo. Quincas filósofo teria sido transferido para o Quincas cão, acompanhando Rubião. Mas também se deve notar que este era o único ser que esteve ao lado do protagonista, tanto na riqueza, quanto na pobreza). Expõe-se à chuva da madrugada, o que o conduz à pneumonia, que lhe é fatal. Três dias depois o seu cão morre.

Tudo cai no esquecimento, na indiferença do tempo. Humanitas mais uma vez garantia sua sobrevivência, dando vida ao forte, eliminando os mais fracos.

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Quincas Borba de Machado de Assis

Publicado em:Resumos de livros

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