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Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões

 

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões

O Soneto foi dedicado a Dinamene, amante oriental de Camões. O poeta de encontra numa situação conflitiva pela perda irreparável da amada, do que decorre a condição dolorosa da vida e a noção de que a morte é a condição dolorosa da vida e a noção de que a morte é a única forma de esperança.

Há, pelo  dualismo, pelo tom fatalista, pela oposição vida x morte, passado x presente, visível antecipação de certas características barrocas.

As características gerais arroladas nos comentários sobre o texto anterior são também aqui identificáveis:

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões – Platonismo: – o poeta contempla a amada  transubstanciada em puro espírito (“lá  no assento etéreo”) – por via do muito amar, o  apelo aos sentidos é trascendentalizado, imaterializado  buscando Dinamene no Céu, em Deus, entendidos como valores filosóficos, místicos e não  apenas religiosos ou católicos.

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões – Imitações: – O soneto é derivação do modelo petrarquiano: “Questa anima gentil  che si diparte” e “Anima bella, da quel nodo sciolta”.

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões – O Equilíbrio  entre  a emoção e a razão é evidente na contenção do sentimento, modelado por um agudo senso de medida, e afastado do “descabelamento” e desespero dos românticos.

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões – O Universalismo se projeta na busca do eterno, do transcendente. Partindo de seus transes existenciais, Camões projeta a reflexão e a emoção à universalidade do homem no tempo e no espaço.

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões

“Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
É vivo eu cá na terra sempre triste.

Se lá no  assento etéreo , onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
“Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor  que me ficou
Da mágoa, sem  remédio, de perder-te

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te.
Quão cedo de meus olhos te levou.”

 

Soneto Dedicado a Dinamene de Luís de Camões

Publicado em:Resumos de livros

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