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resumo livro Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III

 

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III – A turma do “Sossego”

Várias personagens estão ligadas à permanência de Quaresma no sitio:

7. Felizardo – muito trabalhador, foi contratado por Quaresma. Casado com a curandeira Sinhá Chica. “Era magro, alto, de longos braços, longas pernas, como um símio”. Muito conversador, leva-e-traz. Rebentando a revolta da Esquadra, ocultou-se para fugir ao recrutamento.

8. Mané Candeeiro – outro contratado. Era claro e tinha umas feições regulares, cesarianas, duras e fortes, um tanto amolecidas pelo sangue africano. Falava pouco e cantava muito.

9. Sinhá Chica – mulher de Felizardo, “velha cafuza, espécie de Medeia esquelética, cuja fama de rezadeira pairava por todo o município”. “Vivia sempre mergulhada no seu sonho divino, abismada nos misteriosos poderes dos feitiços, sentada sobre as pernas cruzadas, olhos baixos, fixos, de fraco brilho, parecendo esmalte de olhos de múmia, tanto ela era encarquilhada e seca.”

10. Tenente Antonino Dutra– escrivão da Coletoria de Curuzu, encarna, juntamente com o Dr. Campos, os piores vícios de nossa política do interior. Apareceu no “Sossego” sob o pretexto de angariar donativos para Nossa Senhora da Conceição e, na realidade, para tirar suas conclusões sobre a “política” do Quaresma. Atacou o Major pela imprensa e intimou-o a pagar 500.000 réis de multa, por ter enviado umas batatas para o Rio. A sua gordura “tinha um aspecto desonesto. Parecia que a fizera de repente e comia a mais não poder, com medo de perdê-la de um dia para outro”.

11. Dr. Campos – médico, presidente da Câmara Municipal de Curuzu. “Jovial, manso, de grande corpo, era alto e gordo, pançudo um pouco, olhos castanhos, quase a flor do rosto, uma testa média e reta; o nariz, mal feito”. Um tanto trigueiro, cabelos corridos e já grisalhos – era um caboclo, mas o bigode era crespo. Tinha de cor uma meia dúzia de receitas, nas quais conseguira enquadrar as doenças locais. Tendo proposto um golpe a Quaresma, como este recusasse, passou a persegui-lo.

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III – A turma do Albernaz: Um numeroso grupo de personagens está ligado à casa do General Albernaz ou ao próprio: por amizade, parentesco, casamento com suas filhas…

12. Gal. Albernaz- “Nada tinha de marcial, nem mesmo o uniforme que talvez não possuísse. Durante toda a sua carreira militar, não viu uma única batalha, não tivera um comando, nada fizera que tivesse relação com a sua profissão e o seu curso de artilheiro”. “O altissonante título de general… ficava mal naquele homem plácido, medíocre, bonachão, cuja única preocupação era casar as cinco filhas e arranjar pistolões para fazer passar o filho nos exames do Colégio Militar”. “Era alto, o pescoço enterrado nos ombros, e o seu pince-nez era preso por um trancelim (corrente) de ouro que lhe passava por de trás da orelha esquerda. Em suas conversas, era indispensável uma referência a Guerra do Paraguai, dramatizada, importante”. – O Sr. esteve lá, não foi, General ?”
“- Não, adoeci antes e voltei ao Brasil. Mas o Camisão esteve…”

13. Era casado com Dona Maricota:”Muito ativa, muito inteligente, não havia dona de casa mais econômica, mais poupada e que fizesse render mais o dinheiro do marido e o serviço das criadas”. A pequena cabeça de cabelos pretos contrastava muito com o seu corpo enorme.

Ismênia, Quinota, Zizi, Lalá e Lulu eram os filhos do casal. Ismênia era noiva de Cavalcanti, Quinota casou-se com Genelício e Lalá noivava com o tenente Fontes.

14. Ismênia – o autor acompanha o desenrolar do seu drama. “Era até simpática, com a sua fisionomia de pequenos traços mal desenhados e cobertos de umas tintas de bondade”. Seu noivado com Cavalcanti durava anos: havia cinco que ele arrastava um curso de Odontologia de dois anos. “Na vida, para ela, só havia uma coisa importante: casar-se; mas pressa não tinha, nada nela a pedia”. “Amorenada, o seu traço de beleza dominante era os seus cabelos castanhos, com tons de ouro, sedosos ate ao olhar”. Psicologicamente, era de uma natureza pobre, incapaz de qualquer vibração sentimental. Mostrava uma bondade passiva, indolência de corpo, de ideias e de sentidos .Ante a fuga do noivo, cujo pedido de casamento fora tão comemorado, viu desmoronar o sentido de sua vida. Incapaz de reunir forças para reagir, humilhou-se, entristeceu-se, definhou, enlouqueceu, morreu.

15. Cavalcanti – Tinha olhos esgazeados, o nariz duro e fortemente ósseo. Durante o curso fora financiado nos livros, taxas e comida pelo futuro sogro. Formado, dirigiu-se para o interior e nunca mais deu notícias à noiva.

16. Contra-almirante Caldas- Digno êmulo do Albernaz, nunca embarcara, a não ser por pouco tempo, na Guerra do Paraguai. Certa vez, deram-lhe o comando de um navio inexistente. Como não conseguisse encontrá-lo, apresentou-se aos superiores e foi preso e submetido a julgamento. Absolvido, nunca mais caiu nas graças deles. Levou quarenta anos para chegar a capitão de fragata. Reformado no posto imediato, “todo o seu azedume contra a Marinha se concentrou num longo trabalho de estudar leis, decretos, alvarás, avisos, consultas que se referiam à promoção de oficiais. “Os requerimentos, pedindo a modificação de sua reforma, choviam sobre os sucessivos ministros… Viu fugir a última esperança por ocasião da revolta da esquadra, quando ficou ao lado de Floriano, calculando que ele necessitaria de militares daquela arma, ensejando-lhe, afinal, a oportunidade de comandar uma frota.“

17. Inocêncio Bustamante – Tinha a mesma mania demandista do Caldas. Renitente, teimoso, mas servil e humilde. Antigo voluntário da pátria, possuindo honras de major honorário, vivia com requerimentos pedindo diversas coisas: medalhas, honras de tenente-coronel…

A rebelião foi a sua oportunidade de ouro: imaginou e organizou o batalhão “Cruzeiro do Sul”, cuja responsabilidade ficou de fato nos ombros de Quaresma, mas que deu, a ele, a patente tão ambicionada. No seu uniforme, talhado segundo os moldes dos guerreiros da Crimeia, com uma banda roxa e casaquinha curta, “parecia ter saído, fugido, saltado de uma tela de Vítor Meireles… “Tinha uma, barba ‘mosaica’ e a sua especialidade, no batalhão, era cuidar da escrita, com caligrafia caprichada, tinta azul e vermelha.

18. Doutor Florêncio – encontramo-lo na festa do noivado de Ismênia. “Os anos e o sossego da vida lhe tinham feito perder todo o saber que porventura pudesse ter tido ao sair da escola. Era mais um guarda de encanamentos que mesmo um engenheiro”.

19. Genelício – Se bem que um dos personagens mais importantes do livro, e estereotipado, convencional, caricatural. Nitidamente “plano”, e brindado com todos os defeitos que mais aborreciam o próprio Lima Barreto: “Empregado do Tesouro, já no meio da carreira, moço de menos de trinta anos, ameaçava ter um grande futuro”. “Não havia ninguém mais bajulador do que ele. Nenhum pudor , nenhuma vergonha!” “Sabia todos os recursos para se valorizar perante os chefes. “Na bajulação e nas manobras para subir, tinha verdadeiramente gênio. Era tido em grande conta, e juntava a sua segura posição administrativa um curso de direito a acabar”. “Pequeno, já um tanto curva do, chupado de rosto, com um pince-nez azulado, todo ele traía a profissão, os seus gostos e hábitos. Era um escriturário”.

20. Tenente Fontes – Noivo de Lalá, a terceira filha do Albernaz. Entendia de artilharia e serviu, na revolta, sob o comando de Quaresma – a quem, aliás, não se subordinava. “Era positivista e tinha de sua República uma ideia religiosa e transcendente. Fazia repousar nela toda a felicidade humana…”
“Era magro, moreno carregado e a oval do seu rosto estava amassada aqui e ali”. Falava com unção, a voz arrastada e nasal em tom de sermonário.

21. Dr. Armando Borges, outro tipo caricatural, como o Genelício. Casado com Olga, e por isso enriquecido, não se satisfazia: “a ambição de dinheiro e o desejo de nomeada esporeavam-no”. Médico do Hospital Sírio, em meia hora atendia a trinta ou mais doentes. Seu grande sonho era ser médico do Estado, e valeu-se da rebelião para alcançar seus objetivos. Desonesto, roubara escandalosamente de uma órfã rica – o que lhe valeu o desafeto da esposa. Achava que o seu pergaminho e o anel de doutor tornavam-no superior aos mortais comuns. Procurava ficar sempre em evidência, por amizades com jornalistas e publicação periódica de artigos, “estiradas compilações, em que não havia nada de próprio”. Para dar a impressão à esposa e aos outros de que estudava muito, arranjava para ler novelas de Paulo de Kock em lombadas de títulos trocados… Sua última invenção para se manter superior foi a de “traduzir para o clássico as coisas que escrevia, invertendo os termos da oração, repicando-a com vírgulas e entremeando-a com meia dúzia de vocábulos arcaicos.

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III – Uma observação final: O leitor deve ter percebido que Lima Barreto critica impiedosamente os seus personagens. Pouquíssimos são poupados: Olga, dona Adelaide… Mesmo aqueles, como Quaresma, que representavam algo puro, ingênuo, honesto, são implacavelmente expostos ao ridículo. Outros já parecem criados de propósito para se obter unicamente esse efeito.

Certamente, temos aí um dos aspectos do homem deslocado e revoltado que foi Lima Barreto. Nos tipos caricaturais, sobretudo, ele dá vazão aos seus ressentimentos.

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III – problemática: A problemática central da obra e relativamente simples. Mas as questões levantadas secundariamente, como de passagem, por Lima Barreto, são tão numerosas:

. O Tema da Loucura – há descrições e tentativas de entender o fenômeno da loucura, que é abordado em páginas comovedoras traindo, sem dúvida, a experiência amarga e a convivência do autor com a deficiência mental.

2. A Burocracia – outro aspecto ligado à experiência pessoal do autor. A burocracia é impiedosamente satirizada: na dificuldade em se “liquidar uma aposentadoria”; no ambiente nivelador e anônimo; no vale-tudo para se obter promoção e nas manobras do “especialista” Genelício.

3. Política no Interior do Brasil- Os “golpes” nos adversários; a política rasteira, de fofocas, perseguições; a utilização do cipoal de leis, decretos, portarias em vinganças mesquinhas contra os desafetos, desestimulando as iniciativas e a produção…

4. Os casamentos interesseiros da burguesia – o esforço de Albernaz para levar a bom termo o casamento das filhas. O casamento de Quinota com Genelício: “Creio que casei bem minha filha…” Armando Borges meditando a sua ascensão social e financeira pelo matrimônio. A educação errada das mulheres para o casamento, como se fosse o sentido da vida – o que explica o drama de Ismênia.

5 O Mito do “doutor”– contra ele Lima Barreto assesta suas baterias mais causticas e contundentes: Cavalcanti, na festa do pedido de casamento, e cercado por uma turma de basbaques, quase a adorá-lo como a um deus, pela simples razão de ter concluído o curso de Odontologia.

Armando Borges, formado, passando a conversar “pausadamente, sentenciosamente, dogmaticamente”, revirando no dedo o seu anelam, para marcar a infinita distancia que o separava de Quaresma. Ele resistia à ideia de ir visitar o padrinho da esposa, “gente sem fortuna e sem título, de outra esfera”.

6. Miséria e improdutividade do interior – “O que mais a impressionou foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido, da gente pobre”. “Por que ao redor dessas casas, não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil, trabalho de horas?”

“De resto, a situação geral que o cercava, aquela miséria da população campestre que nunca suspeitara, aquele abandono de terras a improdutividade, encaminhavam sua alma de patriota meditativo a preocupações angustiosas. Via o Major com tristeza não existir naquela gente humilde sentimento de solidariedade, de apoio mútuo. Não se associavam para cousa alguma…”

7. Literatura do tempo – A “charge” do Dr. Armando Borges escrevendo seus artigos em “língua comum” e depois “traduzindo-os para o clássico” mediante alguns truques, e mais expressiva do que longas considerações. O famoso requerimento de Quaresma pedindo a oficialização do tupi não deixa de dar também uma alfinetada:

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III: …certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, aliás, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante a correção gramatical…

8. Críticas ao governo – Avolumam-se, a propósito de cada deficiência social, econômica ou política observada no romance. A política de colonização, com abandono dos brasileiros e favorecimento dos imigrantes: as taxas e impostos que esmagavam o produtor agrícola, deixado, por outro lado, as mãos dos atravessadores monopolistas. O ensino brasileiro, incapaz de formar doutores que pudessem combater uma simples peste de galinheiro…

9. A República– Sabe-se que Lima Barreto sempre guardou profunda mágoa da República, cuja implantação deixou o seu pai sem emprego, sobrevivendo à custa de favores de amigos. Espetáculos de prisões, de saques, de assassinatos, ele também viu, desde menino, na invasão da Ilha do Governador – episódio que, aliás, e mencionado neste romance. Isto tudo ajuda a explicar as muitas criticas e sátiras endereçadas ao novo regime, em contraste com acentuada benevolência em relação à Monarquia do Segundo Reinado. O positivismo, em particular, do qual eram adeptos os “pais da República”, e asperamente estigmatizado, no seu culto à falsa ordem, a tirania, a ditadura, ao próprio regime, como se este fosse a chave da felicidade geral da humanidade.

O Mal. Floriano e o seu governo são impiedosamente dissecados: a apatia e a falsa auréola do Marechal, a bajulação que o cercava; as perseguições aos adversários, as prisões; a corrida interesseira para se colherem os frutos da rebelião da esquadra: promoções, patentes, comissões extras”.

10. A Imprensa Frívola – atacada na campanha de insultos, troças e zombarias promovida contra o major Quaresma, no episódio do tupi, língua brasileira: “Não ficaram nisso; a curiosidade malsã quis mais. Indagou-se quem era, de que vivia, se era casado, se era solteiro. Uma ilustração semanal publicou-lhe a caricatura e o Major foi apontado na rua. Os pequenos jornais alegres, esses semanários de espírito e troça, então! eram de um encarniçamento atroz com o pobre major. Com uma abundância que marcava a felicidade dos redatores em terem encontrado um assunto fácil, o texto vinha cheio dele…”

11. Superstições – em duas ocasiões especiais, são mencionadas e satirizadas: nos esforços de Albernaz para curar Ismênia, recorrendo a espíritas, médiuns e feiticeiros ex-escravos; e na descrição de Sinhá Chica e seus “dotes”.

12. O Tema principal: o choque de um patriota sonhador com a realidade

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III: Sob esse aspecto, o tema do romance e desdobrado em três movimentos principais, correspondentes a três partes da obra.

a. Primeira etapa: predomínio da fantasia.

O major Quaresma nos é apresentado como indivíduo sem amigos, levando vida reclusa, incubando e engordando seu extraordinário patriotismo em leituras sem fim, em reflexões “me ufanistas”. Acredita piamente nos livros e, no seu pequeno mundo, vive do que é “nacional”.

Observa-se que esta fase, de máxima defasagem entre sonho e realidade, também se veste de máxima comicidade: o sisudo Quaresma representando o Tangolomango, ou reproduzindo o livro goitacá de boas maneiras, só faltando chegar a “alta costura” de Adão; ou ainda, acreditando na oficialização do tupi-guarani…

A loucura é o resultado lógico de tamanha ruptura entre o sonho e a realidade.

b. Segunda etapa: equilíbrio entre realidade e fantasia.

Esta é a fase do Quaresma agrícola. E ainda cômico ver a concepção e a execução de sua estratégia agrária: os minuciosos cálculos baseados nos boletins da Associação de Agricultura Nacional; a parafernália de hidrômetros, pluviômetros, anemômetros, barômetros e outras inutilidades domésticas, logo dribladas pela realidade; a crença inabalável nas “terras mais ubérrimas do mundo”; a tenacidade com que tenta dominar os altos segredos do emprego da enxada, no que mais de uma vez teve de “beijar a terra, mãe dos frutos e dos homens”…

E o impossível acontece. Quaresma é tão honesto, tão puro, que sua aparentemente inexpugnável fortaleza de crenças não resiste ao assalto da realidade: as decepções se sucedem, e ele as acolhe, com um sofrido espanto; as formigas, as intempéries, os atravessadores, as perseguições de coletores e políticos em disponibilidade…

É o segundo choque de Quaresma; “a luz se lhe fez no pensamento…” a rede de posturas, códigos e preceitos, nas mãos de tais caciques, transformada em “instrumentos de suplícios para torturar os inimigos, oprimir as populações, crestar-lhes a iniciativa e a independência abatendo-as e desmoralizando-as…”

Estava a crise posta à mesa. A antiga visão ainda resiste. Reconhece a puerilidade, a ingenuidade do primeiro Quaresma, mas é este que, ainda vivo, tenta encontrar em Floriano um Sully, um novo Henrique IV para reformar a Pátria…

c. Terceira etapa: vence a realidade

E o humor cede ao patético. Na verdade, é bem o antigo Quaresma que, ao primeiro contacto, ainda não extrai a raiz quadrada de Floriano e da fauna que o cerca, que ainda pretende comandar um destacamento inspirando-se nos livros; que ainda larga um canhão apontado para o alvo e corre a casa conferir os cálculos… Mas triunfam a sua candura, a sua honestidade e pureza; elas e que não o deixam compactuar com o crime, com a opressão, com o absurdo. Elas – ainda uma vez a estrada real para a verdade. E são elas, ainda que banham as páginas finais do romance – de um grande romance –com estas águas de humanidade e de sofrimento que não mais nos fazem rir, e que talvez nos puxem as lágrimas…

E a crise final, e a redenção de Quaresma: “A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete”. “A que existia de fato, era a do tenente Antonino, a do Dr. Campos, a do homem do Itamarati”. (269)

Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III: Sim, este é o romance do verdadeiro patriotismo, redimido pela vida, paixão e morte do humilde Policarpo Quaresma, que lhe assinalou a sua verdadeira base, o lugar de onde é preciso, modestamente, começar. O romance não termina, depois de tudo, no desespero: “esperemos mais”, e o último pensamento, sereno, de Olga – é de Lima Barreto.

 

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Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto III

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