Menu fechado
Resumo do Livros, Leia a obra completa Vestibular1

Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna

 

Resumo Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna – parte II

Veja: modelo em plano desproporcional em relação aos demais elementos da composição;
• Perspectiva chapada, aproximando e realçando os elementos de fundo – a tela no cavalete, a muleta e o divã – sem ofuscar o principal;
• Desvio estético – Inês devassada em sua intimidade;
• O biombo tornava a cena mais poética – cingindo de uma auréola de inocência a modelo, que, atrás daquele compartimento, não estaria supostamente se percebendo observada, e que não teria como se achar presente naquele espaço;
• Gosto duvidoso ao macular pela exibição, sobre a borda do biombo, a calcinha branca e o sutiã vermelho, cuja textura em tintas materializava como algo tátil sobre a tela.

Tudo isso, pensa Antônio, quase alegre, confiante por ter cercado criticamente a obra de Vitório por todos os ângulos enquanto se aproxima do edifício de Inês. Inês o introduz ao apartamento elegantemente e Antônio ao atingir a sala é assaltado pela sensação… vizinha da loucura – de que não penetrava num cômodo real e sim num espaço preparado, onde havia algo de falso, como um cenário, ou mais abissalmente, o interior de um quadro de Vitório Brancatti.

Inês agradece, referindo-se à noite em que ela havia sido levada para a cama e que não desgostara do fato. Estaria querendo reviver o que se passou? Ou estaria usando Antônio que teve uma brilhante intuição. …se Vitório dispunha de Inês, que tentava dispor de mim, Vitório estaria dispondo de mim, caso eu me deixasse levar; e alguém (Vitório?) poderia estar se ocultando atrás do biombo para nos espionar… Durante o chá, Antônio questiona e analisa Inês, que aos poucos, cai em contradição – E o apartamento, é de Vitório?

Em Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna, Inês ergue-se subitamente, derrubando a xícara, com um resto de chá, sobre a mesa. Eu só a vira assim tão transtornada depois da queda na estação do metrô.
– Ele o alugou para mim. Eu sou sua modelo. O que está querendo insinuar?
Depositei minha xícara na mesa.
– Desculpe-me, não quis ser indelicado. Mas ele também o reformou para você, não foi?
– Sim, reformou a seu gosto e daí? Vitório é um artista.

– Será possível que você não se dá conta?
– Dou-me conta de quê? – ela disse, com a voz embargada.
– De que o apartamento é um cenário para você se movimentar dentro dele segundo um esquema de probabilidades previsto por Vitório de acordo com seus caprichos? E de que a obra que vi na exposição não passa de uma documentação disso? A obra de Vitório, de certa forma é você mesma, Inês, e ele precisa mantê-la encerrada aqui. É diabólico e aviltante. Mas posso dizer que ele está de parabéns.

Antes de, pelo menos aparentemente Inês perder os sentidos, julguei ouvi-la sussurrar, quase coincidindo com o fim da música:
– Ele me escraviza.
Tomado por uma delicadeza e impetuosidade indescritiva, Antônio toma Inês nos braços – como que se a personagem-modelo e personagem da pintura que Antônio via na exposição houvesse se soltado da obra , naquele cenário com seus móveis e adereços, fazendo deles imagens de um quadro em movimento; uma cena para qual Antônio fora tragado.

Amam-se sem resistência, mesmo que nos últimos momentos Inês tenha murmurado repentinamente “oh não”, “oh não”, que Antônio interpreta como um sim de entrega dentro de um código amoroso. Na consciência de estar agindo como autor e ator de uma cena de uma instalação de Vitório, Antônio volta a si e percebe Inês chorando, denunciando a chegada, provavelmente, de Brancatti, Nilton, o motoqueiro e Lenita – o que faz Antônio, às pressas, deixar o apartamento.

Em Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna, ao passar pela portaria, Antônio está com uma aparência suspeita – roupas e cabelos desgrenhados, o colete vestido pelo avesso – e enfrenta o olhar do porteiro, que o faz sentir-se como alguém que foge depois de ter cometido alguma ação criminosa.

No entanto, Antônio está comendo um biscoitinho! Raivoso com o ato de Inês e já em seu apartamento, percebe no canto dos lábios um resquício ínfimo de sangue, sente-se dominado por Inês, e num impulso, escreve-lhe uma carta que mais tarde seria publicada nos jornais, dando margem a chacotas no meio teatral.

Veja leitor como um ato aparentemente viril segundo Antônio como uma dose de agressividade e até de maneira brutal) isso serve aos envolvidos à Inês como para Brancatti principalmente como fato para uma acusação judicial contra Antônio: estupro.

É intimado portanto a comparecer à 9º DP, no catete, para justificar seu envolvimento com Maria Inês de Jesus. Fim do 2º Capítulo Antônio é submetido a exames legais: mostras seminais, resquícios de pele colhidos nas unhas de Inês, arranhões, enfim marcas que corroboravam terem sido produzidos por Inês.

Antônio rejeita a hipótese de ter coagido ou muito menos violentado Inês, mas sim ter havido entrega sem reservas por parte de Inês, que aliás não trazia em seu corpo marcas à exceção de um corte na orelha – aliás fato importante pois na falta de provas Antônio tem chances de responder em liberdade à acusação: ” – Não estariam eles na presença de um criminoso delicado, refinado”? Antônio duvida de si mesmo, “teria usado Inês, uma prostituta evitando assim, ser usado por ela e o amante Brancatti?”

Na sala de audiência o olhar de ambos se encontram como da primeira vez no café.” Antônio percebe não ter realmente conhecido Inês, o que ela pensava de tudo aquilo e dele? Uma nova realidade abre-se a percepção de Antônio: Brancatti usava Inês e Lenita como fachadas para esconder seu relacionamento com Nílton – Veja sua crítica: “um pintor europeu do terceiro escalão que se refugia artisticamente num país provinciano e toma como esposa e ornamento uma beleza exótica dos trópicos; como amante elege um motociclista primitivo e, como modelo ou enteada e até quem sabe eventual amante uma frágil e bela jovem coxa.”

E para ele, qual teria sido seu papel nessa teia diabólica? Para Antônio parecia uma luta estética: um jogo de xadrez entre o crítico e o pintor. “Este escravizando a modelo num cárcere privado, físico, psicológico e artístico, e pior condenando Antônio por um pretenso crime sexual se auto prevalecia, enfim ……empenhava-se em convencer as pessoas do alto valor artístico de sua obra – propaganda em suma – o crítico teatral manipulado num cenário em plena performance entre o casal!”

Fora bem sucedido em grande parte em seus objetivos escusos, conclui Antônio. Durante o inquérito será acusado também de ter saído do apartamento praguejando contra Inês – enraivecido, mordendo um biscoitinho – argumento rejeitado por seu advogado como sinal da calma, da paz de espírito dos que nada têm a temer, depois de um encontro amoroso consentido.

Em Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna, nessa fase processual Antônio vem a saber que os desmaios de Inês tinham uma causa cerebral definida – que sua lesão na perna, se originava de um atropelamento na infância; fato esse que legitima a ideia dela ter desmaiado ao ser possuída e a coloca como vítima de Antônio, que por sua vez percebe a força de sedução de tal desmaio, o que valorizou ainda mais a relação de ambos.

Tentando reverter seu papel, Antônio contra-argumenta: ” _ Não serão o verdadeiro amor e a sexualidade mais autêntica, sempre, o encontro de dois inconscientes? No que o advogado de acusação responde:
– “No caso das violações, não estaremos diante da imposição do inconsciente de um sobre o inconsciente de outro?
Antônio tenta um novo argumento dizendo que Inês foi subjugada pela força psíquica de Brancatti e que ele a teria libertado em momentos preciosos, possuindo e sendo correspondido por ela – e tudo ocorrendo dentro de um cenário – instalação, portanto fazendo parte da mesma, ou seja, tudo fora maquinalmente enquadrado por Brancatti, e Antônio e Inês vítimas.

Segundo o juiz, aturdido em face dos argumentos inusitados – e até esdrúxulos utilizados por ambas partes, absolve Antônio por falta de provas.

As consequências do fato: Antônio perde seu lugar de consultor na fundação cultural do estado, já afastado do jornal que trabalhava, ruas a índole sensacionalista fez com que o jornal concorrente o contratasse para ser seu colunista de teatro e o caso Inês esmiuçado em seus páginas – Antônio foi criticado severamente por seus colegas como: ” exemplo vivo e eloquente dos extremos patológicos a que pode ser conduzida uma personalidade que se destaca pela contenção de seus sentimentos por meio de uma racionalidade exacerbada, a qual de repente, libera-se através do crime.

Brancatti conquista renome e reconhecimento artístico – a obra A Modelo foi exibida como instalação com grande alarido crítico, na Alemanha. Quanto à Nilton abre uma academia de piscicultura, bastante concorrida. Antônio não deixou de considerar o jato ou seja as duas hipóteses sedutoras – afinal como o próprio tribunal apontou – um sedutor ou violador muito especial e delicado? Claro sem deixar de lado o escultor que também era – “nessa tarefa que é narrar todas as contradições, truques e divergências e conclui. ” – tanto na obra de Brancatti ou neste relato – encontra-se o absurdo, a loucura da arte, essa tentativa ansiosa, desesperada e as vezes vã, que nos alucina, de, à parte toda vaidade, registramos, no breve tempo em que estamos na vida, nossa passagem por ela, em momentos que realmente estivemos vivos e merecem ser perpetuados.

Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna – Personagens: Antônio Martins: crítico profissional de teatro, narrador. Alguns o consideram excêntrico – solitário – cinquentão. – Maria Inês de Jesus, modelo do pintor Vitório Brancatti, mulher com rosto de traços finos e delicados, magra, cabelos claros, encaracolados, de olhar melancólico e solidão recatada com pequeno defeito na perna – manca. – Vitório Brancatti – pintor que envolveria Antônio e Inês em suas performances, meia idade, com cabelos revoltos e grisalhos, vestia-se com a desenvoltura de um jovem, calça jeans e camiseta branca.
– Nílton – motociclista que conduzira Inês ao edifício de Antônio Martins, provável amante de Vitório Brancatti. – Lenita – jovem negra, bonita, esposa – álibi de Vitório? – Maria Luísa I – professora universitária séria, amiga e confidente de Antônio. – Maria Luísa II – jovem atriz de teatro e tv, atlética e exuberante. – Maria Clara – ex jornalista, quarentona, também amiga de Antônio.

Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna – Enredo: Romance narrado em terceira pessoa. A ação desenvolve-se em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, trazendo à tona os conflitos de uma geração em busca da própria identidade e de um sentido para a vida. Eduardo, protagonista deste drama existencial, sentindo-se esmagado por uma sociedade opressiva e aniquiladora, tenta desesperadamente, até o fim, encontrar uma saída. Preste atenção: no misterioso homem de smoking que por três vezes aparece na narrativa.

Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna – Estilo: Contemporâneo.

Voltar a ler o resumo Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna – parte I

 

Um Crime Delicado de Sérgio Sant’Anna

Publicado em:Resumos de livros

Você pode gostar também