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Várias histórias de Machado de Assis

 

Resumo Várias histórias de Machado de Assis – parte III

Várias histórias de Machado de Assis – O Diplomático: Outro conto que trata das fraquezas humanas. Trata-se da história de Rangel, homem de sonhos gigantescos e ações minúsculas, quase nulas. Tanto que alcança a meia idade sem ter casado, pois sempre procurava uma mulher de posição.

É mais uma personagem machadiana, pois, preocupada com status, prestígio social, não enxergando o prejuízo que tal comportamento trazia para si mesma. Até que flagramo-la em um encontro de amigos. Tentará seu último golpe, considerado pelo narrador um amor de outono, dessa vez sobre a jovem Joana.

Mas, típico de seu comportamento, vacila muito entre a ideia e a ação. Até que surge um furacão em meio à festa: Queirós. Chega de forma repentina e da mesma maneira consegue a atenção e o carisma de todos os presentes, menos do protagonista, que sente um misto de ciúme e inveja, piorado quando seu alvo afetivo, Joana, torna-se mais uma das conquistas do novo conviva.
Derrota fragorosa, que fica clara quando o protagonista mergulha no choro no instante em que está sozinho, de volta à sua casa. É o resultado da inércia inutilizando toda uma vida.

Várias histórias de Machado de Assis – Mariana: É um conto de lição cruel, mas realista, ao narrar as mudanças por que passou uma paixão no espaço de 18 anos. Evaristo e Mariana mantiveram uma relação tórrida e descabelada, entrando em crise no momento em que, por pressões, ela estava para se casar com Xavier.

Diante do amante, nosso protagonista, jura que a união “oficial” não ia diminuir a intensidade do enlace que, clandestinamente, estabeleciam. Pouco depois, por meio de flash-back, sabemos que Mariana havia tentado suicídio, provavelmente em nome do sentimento que tinha por Evaristo, conflitante com a união que iria contrair.

Este é impedido de vê-la. Parte, então, para a Europa num quase autoexílio, desligando-se quase que por completo das coisas do Brasil. Sem grande explicação, 18 anos depois sente necessidade de voltar à pátria. Ao chegar, visita Mariana, encontrando-a mergulhada na dor de ter o marido, Xavier, doente terminal.

É o que o impede de um contato mais aprofundado. Com a morte do moribundo, fica sabendo por meio de várias pessoas da intensidade do amor que havia entre o casal, o que já tinha sido indicado pela dor dela quando do último suspiro do esposo. Pouco depois, flagra-a voltando da igreja e percebe que ela fez de conta que não o havia visto.
Uma paixão tão fulminante fora esmagada pelo tempo, pois terminava de forma tão fria, ela evitando-o, ele encarando o fato num misto de indiferença e chiste.

Várias histórias de Machado de Assis – Conto de Escola: Conto que segue a tradição do estilo delicioso com que Machado de Assis se apresenta como memorialista. O narrador-protagonista, Pilar, é um garoto de inteligência superior à dos seus companheiros de sala.

O problema é que o seu comportamento não é nada recomendável, principalmente pelo fato de estar acostumado a cabular aula. No momento tratado pela narrativa, só não tinha ido cabular porque havia apanhado do pai, que descobrira essa falha.
Na sala de aula, entediado por já ter terminado a lição muito antes dos outros, recebe uma proposta de Raimundo, filho do professor Policarpo: em troca de umas explicações de sintaxe, daria uma moedinha de prata.

Tudo às escondidas, já que o professor era extremamente severo, muito mais com o seu próprio filho, que, para piorar, tinha inteligência tarda. O problema é que outro aluno, Curvelo, flagrou a transação e a denunciou ao professor. O castigo foi severo, sem contar a humilhação e o fato de o mestre, indignado, ter atirado a moedinha pela janela, não esquecendo que Curvelo conseguira se safar, sumindo na hora da saída, impossibilitando o narrador de surrá-lo. No dia seguinte, ainda preocupado com a moedinha (tinha esperança de encontrá-la), acaba por cabular aula, seduzido que foi por um pelotão que marchava de forma animada.
Interessante é notar neste conto que a escola, apresentada como prisão, algo sufocante, acaba preparando de fato a personagem para a vida, mesmo que de forma torta, pois a fez entrar em contato com a delação e a corrupção (é curiosa a mudança dos valores de certos costumes. Tirar dúvidas em troca de dinheiro fora visto como corrupção naquela época. Hoje, poderia ser considerado um procedimento normal. No entanto, a delação ainda é tema bastante polêmico em nossa sociedade), duas terríveis realidades da convivência humana.

“Um Apólogo” – Famoso conto que narra o desentendimento entre a agulha e a linha. A primeira vangloriava-se por ser responsável pela abertura do caminho para a segunda. Tudo isso ocorre enquanto a costureira ia preparando o vestido de uma baronesa. No final, com a ida da nobre para a festa, a linha joga na cara que, se a agulha abrira caminho, agora iria voltar para a caixa de costura, enquanto o fio iria no vestido frequentar os salões da alta sociedade.

A frase final do conto, de alguém que ouvira essa história (um professor de melancolia) – “Também tenho servido de agulha a muita linha ordinária” –, é bastante sintomática. Faz lembrar um aspecto muito comum na obra machadiana que é, na busca por status, as pessoas acabarem sendo usadas e depois descartadas. É o que ocorre, por exemplo, em Quincas Borba, na relação entre o casal Palha e Rubião.
Ou mesmo em Memórias Póstumas de Brás Cubas, na conveniência do casamento entre Eulália Damasceno de Brito (linha) e Brás Cubas (agulha).

Várias histórias de Machado de Assis – D. Paula: A protagonista, que dá nome ao conto, fica sabendo, por meio de uma confissão entre choros, que sua sobrinha Venancinha havia brigado com o marido, Conrado, porque este achava que a esposa estabelecia um relacionamento adulterino.

De maneira diplomática a senhora consegue a reconciliação, desde que a mocinha passasse alguns dias com ela, como uma recuperação de caráter. Ao se despedir, fica sabendo o nome de quem estava atacando a virtude da sobrinha: Vasco. Era o filho de alguém com quem ela, num passado distante, havia estabelecido um relacionamento escandaloso, apagado com o avanço do tempo.

Já com a inconsequente no retiro, quando por acaso aparece o rapaz, pôde perceber pela reação da jovem, que havia se escondido em meio ao susto e medo, que o relacionamento atingira um nível seriamente perigoso. Consegue a confissão de Venancinha e descobre que a consumação carnal ainda não havia se realizado, mas a reputação já corria risco.

Infunde na cabeça da menina a ideia do erro que quase cometeu, ajudada também pela visita recente de Conrado, que havia se comportado teatralmente de forma fria, o que a deixou amedrontada com a possibilidade de perder o marido.

No entanto, o mais engraçado é que, enquanto infunde na mente da menina a necessidade de seguir a moral e os bons costumes, D. Paula praticamente se delicia com tudo o que é confessado, como se revivesse os pecados que experimentou em seu passado.

Mas eram “glórias” alheias; as suas não voltariam mais. Percebe-se também mais uma vez um tema que já fora desenvolvido em “O Enfermeiro” e outros contos: a desconexão entre o externo e o interno, pois se dizia e pregava o moralismo, no seu íntimo desejava, ou pelo menos deliciava-se com algo imoral.

Várias histórias de Machado de Assis – Viver!: Conto de temática alegórica e grandiosa. Além disso, sua estrutura aproxima-o por demais do teatro. Trata-se do diálogo entre Ahasverus e Prometeu. A primeira personagem recebera a maldição de, por menosprezar Cristo em seu calvário, vagar pelo mundo sem encontrar abrigo e ser desprezada até que o último homem desaparecesse.

Sua longevidade, portanto, deu-lhe uma experiência massacrante sobre o gênero humano. A segunda personagem pertence à mitologia clássica e havia criado o homem, sendo, portanto, condenada pelos deuses a ter uma águia comendo seu fígado por toda a eternidade.

Diante dessa revelação, Ahasverus fica indignado e faz com que Prometeu volte para o seu castigo, de onde havia escapado. No entanto, a entidade mitológica declara que faria de Ahasverus o início de uma nova espécie, mais forte do que a anterior, que estava findando na figura do rejeitado, que agora se tornaria o rei dessa nova raça.

Diante desse futuro grandioso, Ahasverus mergulha em devaneios, feliz com sua nova condição, esquecendo até o fato de estar morrendo para realiza-la. Como observam duas águias que voavam por ali, ainda na morte mostra um enorme apego à vida.

Várias histórias de Machado de Assis – O Cônego ou Metafísica do Estilo: Conto metalinguístico que em alguns aspectos antecipa as sondagens introspectivas e intimistas da prosa modernista. É a história de um cônego que se dedicava à escritura de um sermão.

Tem sua tarefa interrompida porque não conseguia achar um adjetivo que se ligasse adequadamente ao substantivo que havia colocado em seu texto. Esforçava-se, mas a palavra não vem. Enquanto o protagonista espairece, para descansar a mente e buscar inspiração, o narrador mergulha no cérebro da personagem, defendendo a ideia de que as palavras têm sexo.

Assim, o substantivo, masculino, que é nomeado como Sílvio, está procurando um adjetivo, feminino, designado Sílvia.

É interessante nesse ponto como todo o universo de elementos que povoam nossa mente – sonhos, impressões, sensações, lembranças – é bem metaforizado ao ser apresentado como os obstáculos que o casal tem de suplantar até que finalmente consiga efetuar o seu encontro.
Concretizada a união, o estalo mental surge para o cônego. Finalmente conseguia dar prosseguimento a redação de seu sermão, terminando-o.

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Várias histórias de Machado de Assis

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