A Questão do Afeganistão - Vestibular1

A Questão do Afeganistão

Revisão de Atualidades: A Questão do Afeganistão

Atualidades: A Questão do Afeganistão

Resumão – Revisão da Matéria de Atualidades – Revisando seus conhecimentos
Atualidades: A Questão do Afeganistão

Revisão de Atualidades: A Questão do Afeganistão

 

A Questão do Afeganistão

Localizado na extremidade leste do Oriente Médio, o Afeganistão ocupa uma posição estratégica entre a Ásia Central (hoje formada por diversas ex-repúblicas soviéticas) e a Ásia de Monções. No nordeste do país, uma estreita faixa territorial confina com a China — fórmula concebida pelos ingleses, no século XIX, para opor uma barreira ao expansionismo do Império Russo.

Em superfície, o Afeganistão supera o Iraque, mas sua população pouco ultrapassa os 20 milhões. O país é montanhoso e de difícil acesso, com mais da metade do território situada acima de 2.000 metros de altitude; na Cordilheira do Hindu Kush, o terreno eleva-se além dos 6.000 metros. Como os ventos carregados de umidade despejam suas chuvas sobre a Planície Indo-Gangética, antes, portanto, de atingir o Afeganistão, neste predomina o clima semiárido; existem, todavia, vales férteis, onde fluem rios de regime naval.

Desde a Antiguidade, o Afeganistão viu-se envolvido em guerras e invasões. O primeiro conquistador ilustre a percorrê-lo foi Alexandre Magno, que alcançou o Vale do Indo pelo legendário Passo de Khiber — único acesso militar e comercial viável entre a Ásia Central e o subcontinente indiano. Durante a Idade Média, persas, árabes, turcos e mongóis penetraram no país, sendo ora apoiados, ora combatidos pelas tribos locais.

No século XIX, desejando contrapor-se à expansão russa pela Ásia Central e interessada em preservar sua dominação sobre a Índia (que na época incluía os atuais Paquistão e Bangladesh), a Grã-Bretanha procurou conquistar o Afeganistão. Sua primeira tentativa, em 1839, resultou em um fracasso sangrento, com apenas 500 sobreviventes de um total de 16.500 soldados ingleses. Em 1880, depois de duras campanhas militares, os britânicos estabeleceram um instável protetorado sobre a monarquia afegã. Em 1919, a Conferência de Paz de Paris, que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, concedeu ao Afeganistão reconhecimento internacional.

A consolidação do socialismo marxista na Rússia (denominada URSS a partir de 1923) criou para o Afeganistão o risco de seguir o exemplo da Mongólia, que, em 1924, proclamou-se um Estado comunista, apoiado pelo regime de Moscou. Por essa razão, a monarquia afegã, embora islâmica e conservadora, passou a adotar uma postura conciliadora em relação a seu imenso vizinho.

No cenário internacional da Guerra Fria, posterior à Segunda Guerra Mundial, o Afeganistão recuperou sua antiga importância estratégica, como etapa essencial para a realização do velho sonho russo de acesso a um mar aberto e quente (no caso, o Oceano Índico). Em 1965, foi fundado no país o Partido Marxista Afegão, posto na ilegalidade pelo governo, mas apoiado pela União Soviética.

Em 1973, o rei Mohamed Zahir foi deposto pelo general Daud Khan, que proclamou a República e implantou uma ditadura militar. Sob o novo nome de Partido Democrático do Povo Afegão, o Partido Marxista cindiu-se em várias facções rivais. Uma delas depôs e assassinou Daud em 1978, mas seu líder foi, por sua vez, derrubado e fuzilado em setembro de 1979. Um terceiro dirigente assumiu o poder, mas foi morto em dezembro seguinte, durante um golpe orquestrado pela URSS.

Os golpistas, chefiados por Babrak Karmal, apoderaram-se da capital afegã, Cabul. Estavam, todavia, muito longe de controlar o restante do país, onde guerrilheiros islâmicos (mujaheddin) lutavam contra o governo — não importava qual fosse — desde a queda da Monarquia. Assim, imediatamente após o assassinato de seu antecessor, Karmal, apresentando-se como novo chefe de Estado, solicitou a ajuda de tropas soviéticas. Estas, que apenas aguardavam esse sinal, transpuseram a fronteira e invadiram o Afeganistão (27 de dezembro de 1979).

Os invasores foram incansavelmente combatidos pelos mujaheddin — reforçados, agora, por voluntários muçulmanos de outros países (entre os quais, o hoje famigerado Osama Bin Laden) e apoiados logisticamente pelos EUA, através do Paquistão. Em 1989, em meio ao desmoronamento da própria União Soviética — que desapareceria em 1991 — o presidente Mikhail Gorbachev retirou suas forças do Afeganistão, pondo fim a uma desastrosa aventura militar que alguns analistas chamaram de “Vietnã Soviético”.

O general Najibullah (no poder desde 1986) manteve-se na chefia do Estado mesmo depois da saída de seus protetores russos, pois as facções dos mujaheddin passaram a lutar entre si. Em 1992, ele, finalmente, entregou o governo a uma precária coalizão de muçulmanos moderados (apoiados pelos EUA) e radicais (apoiados pelo Irã).

Em 1995, surgiu no conturbado panorama afegão uma nova força combatente: a milícia* Taleban, constituída em território paquistanês por estudantes do Corão. Embora pertencente ao grupo sunita (que o Ocidente costuma considerar a vertente moderada do islamismo), o Talibã é um movimento fundamentalista — isto é, adepto da observância literal dos textos sagrados.

Depois de lutar ferozmente contra os grupos opositores, o Talibã tomou Cabul em 1996. O ex-general Najibullah, refugiado em um escritório da ONU desde 1992, foi enforcado. Atualmente, o Talibã somente não controla uma pequena porção do território afegão, onde se mantém, a duras penas a Aliança do Norte, uma milícia apoiada pelo Tadjiquistão.

O Talibã impôs ao Afeganistão o estrito cumprimento da Sharia (lei islâmica), em termos ainda mais rigorosos que o fundamentalismo xiita do Irã. Isso significa, entre outras medidas, a exclusão das mulheres das escolas e do mercado de trabalho, a proibição da televisão e da Internet (há no país uma única emissora de rádio) e, em 2000, a destruição das duas maiores estátuas do mundo representando Buda em pé, pois o Corão proíbe as imagens. Somente o Paquistão reconhece o governo do Talibã (os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita romperam relações em setembro de 2001, após o atentado contra o World Trade Center, em Nova York).

O Afeganistão sempre foi um país paupérrimo. Hoje, é um país arrasado, que está entre os piores Estados do planeta em todos os índices econômicos e sociais. Marginalizado em relação ao comércio internacional, tornou-se o maior produtor de ópio do mundo, suplantando o célebre Triângulo Dourado (parte de Myanmar e da Tailândia), no Sudeste Asiático.

Paradoxalmente, sua própria pobreza torna-o um inimigo difícil de dobrar, pois não há alvos estratégicos a destruir por meio de ataques aéreos — como a OTAN fez na Iugoslávia durante a Guerra de Kosovo.

*Milícia – Formação paramilitar de civis armados e treinados para cumprir missões de segurança ou executar ações de guerra.

Vestibular1

O melhor site para o Enem e de Vestibular é o Vestibular1. Revisão de matérias de qualidade e dicas de estudos especiais para você aproveitar o melhor da vida estudantil. Todo apoio que você precisa em um só lugar!

Deixe uma resposta