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Figuras de Linguagem e de Construção Português em Vestibular1

Revisão de Português: Figuras de Linguagem e de Construção

Português: Figuras de Linguagem e de Construção

Resumão – Revisão da Matéria de Português – Revisando seus conhecimentos
Português: Figuras de Linguagem e de Construção

Revisão de Português: Figuras de Linguagem e de Construção

 

Figuras de Linguagem e de Construção
Figuras de Linguagem – Figuras de Construção

Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem, também chamadas de figuras de estilo, são recursos especiais de que vale quem fala ou escreve, para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza.

Podemos classificá-las em três tipos:
• Figuras de palavras (ou tropos)
• Figuras de construção (ou de síntese)
• Figuras de pensamento
O estudo das figuras de linguagem faz parte da estilística.

 

Figuras de Construção

Compare as duas maneiras de construir esta frase:
Os homens pararam, o medo no coração.
Os homens pararam, com o medo no coração.

Nota-se que a primeira construção é mais concisa e elegante. Desvia-se da norma estritamente gramatical para atingir um fim expressivo ou estilístico. Foi com esse intuito que assim redigiu Jorge Amado.

A essas construções que se afastam das estruturas regulares ou comuns e que visam transmitir à frase mais concisão, expressividade ou elegância, dá-se o nome de figuras de construção ou de sintaxe.

São as mais importantes figuras de construção:

• Elipse

É a omissão de um termo ou oração que facilmente podemos subentender no contexto. É uma espécie de economia de palavras.

São comuns as elipses dos pronomes sujeitos, dos verbos e de palavras de ligação (preposições e conjunções):
João estava com pressa. Preferiu não entrar. [elipse do sujeito ele]
As mãos eram pequenas e os dedos delicados. [elipse do verbo eram]
“As quaresmas abriam a flor depois do carnaval, os ipês em junho.” (Raquel de Queirós) [isto é: os ipês abriam em junho.]
Nossa professora estava satisfeita, como, aliás, todas as suas colegas. [isto é: como, aliás, estavam satisfeitas tidas as suas colegas.]
“Parece que, quando menor, Sereia era bonita.” (Raquel de Queirós) [elipse do verbo era: quando era menor]
“Caçam todos os animais que podem”. (Gustavo Barroso) [Entenda-se: que eles podem caçar.]
“Por que foi que a criatura se imolou? Um ato de protesto contra o governo?”. (Érico Veríssimo) [isto é: Teria sido um ato de protesto…?]

A elipse das conjunções e preposições assegura à frase concisão, leveza e desenvoltura:
“E espero tenha sido a última.” (Viana Moog) [elipse da conjunção que]
“Só ai me inteirei de que ela havia sofrido e era boa.” (G Ramos) [Ou seja: e de que era boa.]
Se trabalhares e fores honesto, serás feliz. [= e se fores honesto]
“Veio sem pintura, um vestido leve, sandálias coloridas.” (Rubem Braga)
“Entraram em casa, as armas na mão, os olhos atentos, procurando.” (Jorge Amado)

Pode ocorrer a elipse total ou parcial de uma oração:
Perguntei-lhe quando voltava. Ele disse que não sabia. [isto é: Ele disse que não sabia quando voltava.]
Eu já tinha visto aquela moça, mas não sabia onde. [isto é: mas não sabia onde a tinha visto.]

Podem ser consideradas casos de elipse chamadas frases nominais, organizadas sem verbo. Exemplos:
“Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses.” (C. Drummond de Andrade)
“Céu baixo, ondas mansas, vento leve.” (Adonias Filho)
“Àquela hora, quase deserta a Praia de Botafogo.” (Olavo Bilac)
“Em redor, tudo parado. Estatístico. No silêncio da madrugada, nem o piar de um pássaro, nem o farfalhar de uma folha.” (Lígia F. Teles)

Observação: As frases nominais, de largo uso na literatura atual, são particularmente adequadas para a descrição de cenas estatísticas, de ambientes parados, sem vida.

 

• Pleonasmo

É o emprego de palavras redundantes, com o fim de reforçar ou enfatizar a expressão. Exemplos:
“Foi o que vi com meus próprios olhos.” (Antônio Calado)
“Sorriu para Holanda um sorriso ainda marcado de pavor.” (V. Moog)
“Tenha pena de sua filha, perdoe-lhe pelo divino amor de Deus.” (C. Castelo Branco)
O seu leito era pedra fria, a pedra dura.
“Os impostos é necessário paga-los.” (C. Castelo Branco)
“A mim resta-me a independência para chorar.” (C. Castelo Branco)
“. . . seca-las bem secas no jirau.” (F. de Castro)

Observação: O pleonasmo, como figura de linguagem, visa a um efeito expressivo e deve obedecer ao bom gosto. São condenáveis, por viciosos, pleonasmos como: descer para baixo, entrar para dentro, subir para cima, a ilha fluvial do rio Araguaia, a monocultura exclusiva de uma planta, etc.

 

• Polissíndeto

É a repetição intencional do conectivo coordenativo (geralmente a conjunção e). É particularmente eficaz para sugerir movimentos contínuos ou séries de ações que se sucedem rapidamente:
“Trejeita, e canta, e ri nervosamente.” (Antônio Tomás)
“Por que é a beleza vaga e tênue, falaz e vã e incauta e inquieta?” (Cabral do Nascimento)
“Vão chegando as burguesinhas pobres, e as criadas das burguesinhas ricas, e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.” (Manuel Bandeira)
“Mão gentil, mas cruel, mas traiçoeira.” (Alberto de Oliveira)

 

• Inversão

Consiste em alterar a ordem normal dos termos ou orações com o fim de lhes dar destaque:
“Passarinho, desisti de ter.” (Rubem Braga)
“Justo ela diz que é, mas eu não acho não,” (C. Drummond de Andrade)
“Por que brigavam no meu interior esses entes de sonho não sei.” (G. Ramos)
“Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (Mário Quintana)

Observação: O termo que desejamos realçar é colocado, em geral, no início da frase.

 

• Anacoluto

É a quebra ou interrupção do fio da frase, ficando termos sintaticamente desligados do resto do período, sem função. Exemplos:
Pobre quando come frango, um dos dois está doente.
“Eu não me importa a desonra do mundo.” (C. Castelo Branco)
“Essas criadas de hoje não se pode confiar nelas.” (A . Machado)
“Esses colonos que se viram desalojados do Congo, não digo propriamente nada contra eles, mas não servem para nós.” (Raquel de Queirós)
A rua onde moras, nela é que desejo morar.

Observação: O anacoluto, fato bastante comum na língua oral, deve ser usado, na expressão escrita, com sobriedade e consciência.

 

• Silepse

Ocorre esta figura quando efetuamos a concordância não com os termos expressos mas com a ideia a eles associada em nossa mente.
A silepse pode ser:
» De gênero:
Vossa Majestade será informado acerca de tudo.
“Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.” (Olavo Bilac)
“Nuvens baixas e grossas ocultavam Ilhéus, vista dali em mar grande e livre.” (Adonias Filho)
“Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.” (Guimarães Rosa)
“Se acha Ana Maria comprido, trate-me por Naná.” (Ciro dos Anjos)
» De número:
“Corria gente de todos os lados, e gritavam.” (Mário Barreto)
“O casal de patos nada disse, pois a voz das ipecas é só um sopro. Mas espadanaram, rufaram e voaram embora.” (Guimarães Rosa)
“Está cheio de gente aqui. Tire esse povaréu da minha casa. Que é que eles querem?” (Dalton Trevisan)
“Minha amiga, flor tem vida muito curta, logo murcham, secam, viram húmus.” (José Veiga)
» De pessoa:
Ele e eu temos a mesma opinião. [ele e eu = nós]
“Aliás todos os sertanejos somos assim.” (Raquel de Queirós)
“Os que adoramos esse ideal, nela vamos buscar a chama incorruptível.” (Rui Barbosa)
“Os amigos nos rezávamos à sua cabeceira.” (Amadeu de Queirós)
“Mas haverá para qualquer de nós, os que lutamos, alguma alternativa?” (Fernando Namora)
“Os que a procuram são inúmeros, pois todos sofremos de alguma coisa; esta ‘água insípida’ tem uma vastíssima órbita de ação.” (Cecília Meireles)
“Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” (C. Drummond de Andrade)

 

• Onomatopeia

Consiste no aproveitamento de palavras cuja pronúncia imita o som ou a sua voz natural dos seres. É um recurso fonêmico ou melódico que a língua proporciona ao escritor.
“Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! Lept! Arrancou estrada afora.” (Monteiro Lobato)
“O som, mais longe, retumba, morre.” (G. Dias)
“O longo vestido longo da velhíssima senhora frufulha no alto da escada.” (C. Drummond de Andrade)
“Tíbios flautins finíssimos gritavam.” (Olavo Bilac)
“Troe e retroe a trompa.” (Raimundo Correia)
“Vozes veladas, veludosas vozes.” (Cruz e Sousa)

Observação: As onomatopeias, como nos três últimos exemplos, podem resultar da aliteração (= repetição de fonemas nas palavras de uma frase ou de um verso).

Repetição: Consiste em reiterar (repetir) palavras ou orações para intensificar ou enfatizar a afirmação ou sugerir insistência, progressão:
“O surdo pede que repitam, que repitam a última frase.” (Cecília Meireles)
“Tudo, tudo parado: parado e morto.” (Mário Palmério)
“Ia-se pelos perfumistas, escolhia, escolhia, saía toda perfumada.” (J. Geraldo Vieira)
“E o ronco das águas crescia, crescia, vinha pra dentro da casona.” (Bernardo Élis)
“O mar foi ficando escuro, escuro, até que a última lâmpada se apagou.” (Inácio de Loiola Brandão)

Revisão de Português: Figuras de Linguagem e de Construção

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