Humanismo - Vestibular1

Humanismo

Revisão de Literatura: Humanismo

 

Literatura: Humanismo

Resumão – Revisão da Matéria de Literatura – Revisando seus conhecimentos
Literatura: Humanismo

Revisão de Literatura: Humanismo

 

Humanismo

Chama-se humanismo o movimento artístico iniciado na Itália e que se espalhou pela Europa, no fim da Idade Média (1453). Esse movimento abrangia praticamente todas as artes como a pintura, a arquitetura, a escultura, a música e a literatura.

As obras dos humanistas tinham como centro de interesses o próprio homem voltado para si mesmo. Assim, enquanto na Idade Média Deus era o centro de tudo (teocentrismo) no humanismo o homem passa a ser o centro de interesse da cultura (antropocentrismo).

Entre os fatores que contribuíram para tal mudança podemos apontar:
• a ampliação do mundo conhecido através das grandes navegações;
• a ascensão da burguesia voltada para o comércio e para a vida material;
• a invenção da imprensa pelo alemão João Gutenberg, que facilitou a divulgação das obras clássicas, até então copiadas a mão, uma a uma, pelos monges nos mosteiros.

Os clássicos gregos e romanos tinham uma visão pagã e terrena do ser humano e isso influenciou a concepção humanista do mundo. O espiritualismo cristão ainda continua, mas sem aquele exagero medieval.
Aparecem, nessa época, cronistas como Fernão Lopes, Gomes Eanes de Azurara e Rui de Pina. Relatam acontecimentos, narrado à história dos reinos e das cortes de Portugal e Espanha.

Leia, a seguir, um poema de João Ruiz de Castelo Branco e observe como está carregado de lirismo e numa linguagem que mostra uma evolução em relação ao trovadorismo.

Cantiga, partindo-se

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes,
outros nenhuma por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos,
com mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d’esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuma por ninguém.

 

Gil Vicente

Foi o criador do teatro popular em Portugal. Inspirado nos costumes e tradições do povo, seu teatro era popular nos temas, na linguagem e nos atores.
Em suas peças, Gil Vicente denunciava os erros da vida social, a corrupção, a falsidade da vida burguesa. Aborda também temas religiosos.

Gil Vicente era ator e suas encenações eram cheias de improvisos já previstos. Seu teatro é rico, denso e variado, chegando a umas 46 peças. Sua produção abrange autos, que são peças de teatro de fundo religioso ou profano, cômicas ou sérias, e farsas, que são peças engraçadas e curtas que pretendem criticar os costumes da época.

Apesar de ter sido subvencionado pelo rei, Gil Vicente não se deixava intimidar, expressava o que realmente pensava e tecia suas críticas à sociedade com independência de espírito. Chegou a fazer do teatro uma arma de combate e de acusação da imoralidade.
Sua linguagem é simples, espontânea, fluente.
Sua primeira peça foi o Monólogo do Vaqueiro (ou Auto da Visitação), dedicada ao filho recém-nascido do rei D. Manuel. A peça teve tanto êxito que animou a elaborar outras, que foram tendo sucessos cada vez maiores.

Entre suas peças destacam-se: Trilogia das Barcas, Auto da Alma, Farsa de Inês Pereira, Juiz de Beira, Auto da Feira, Floresta de Enganos, Quem Tem farelos?, Auto da Índia.
Leia a seguir um trecho do Auto da Lusitânia, em que entram em cena dois diabos (Berzebu e Dinato), um rico mercador chamado Todo o Mundo e um homem pobre que se chama Ninguém.

Auto da Lusitânia
NINGUÉM – Que andas tu aí buscando?

TODO MUNDO – Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando perfiando,
por quão bom é perfiar.
NINGUÉM – Como hás nome, cavaleiro?
TOD. Eu hei nome Todo o Mundo,
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro,
e sempre nisto me fundo.
NIN. – E eu hei nome Ninguém
e busco a consciência.
( Berzebu para Dinato)
Esta é boa experiência!
Dinato, escreve isto bem.
DIN. – Que escreverei, copanheiro?
BER. – Que Ninguém busca consciência,
e Todo Mundo dinheiro.
( Ninguém para Todo o Mundo )
E agora buscas lá?
TOD. – Busco honra muito grande
NIN. – E eu virtude, que Deus mande
que tope co’ela já.
( Berzebu para Dinato )
Outra adição nos acude:
escreve logo aí a fundo,
que busca Honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.
( Todo o Mundo Para Ninguém)
Folgo muito d’enganar,
e mentir nasceu comigo.
NIN. – Eu sempre verdade digo,
sem nunca me desviar.
( Berzebu para Dinato )
Ora escreve lá, compadre,
não sejas tú preguiçoso!
DIN – Que?
BER. – Que Todo o Mundo é mentiroso e Ninguém diz a verdade.

Gil Vicente escreveu seu próprio epitáfio, isto é, as palavras que deveriam ficar gravada sobre o seu túmulo.

Epitáfio de Gil Vicente
O gram juízo esperando,
jazo aqui nesta morada:
também da vida cansada
descansando.
Pergunta-me quem fui eu,
Atenta bem para mi,
porque tal fui como ti
e tal hás de ser com’eu.
pois tudo a isto vem,
lector, de meu conselho,
Toma-me por teu espelho,
olha-me e olha-te bem.

Revisão de Literatura: Humanismo

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