Classicismo linguagem - Vestibular1

Classicismo linguagem

Revisão de Literatura: Classicismo linguagem

 

Literatura: Classicismo linguagem

Resumão – Revisão da Matéria de Literatura – Revisando seus conhecimentos
Literatura: Classicismo linguagem

 

Revisão de Literatura: Classicismo linguagem

A Linguagem Clássico-Renascentista

A linguagem clássico-renascentista é a expansão das ideias e dos sentimentos do homem do século XVI. Seus temas e sua construção traduzem, de um lado, o espírito de aventuras trazido pelas navegações: de outro, refletem a busca dos modelos literários greco-latinos e dos humanistas italianos.

Emprego da medida nova: Os humanistas passaram a empregar sistematicamente o verso decassílabo, denominado então de medida nova, em oposição às redondilhas medievais, chamadas de medida velha.

Gosto pelo soneto: No Renascimento também foi criado o soneto, um tipo de composição poética formada por duas quadras e dois tercetos, com versos decassílabos, que até hoje é cultivado pelos poetas.
Essa nova forma de fazer poesia foi chamado de “dolce stil nuovo”, ou “doce novo estilo”, por Dante.

Formas de inspiração clássica: Além de criarem o soneto, os humanistas italianos recuperaram outras formas, já cultivadas pela literatura grega e latina:

Veja aqui alguns trechos da peça de Bertolt Brecht, A vida de Galileu:

– a écloga: composição geralmente dialogada, em que o poeta idealiza assuntos sobre a vida no campo. Suas personagens são pastores (éclogas pastoris), pescadores (éclogas pisctórias) ou caçadores (éclogas venatórias);

– a elegia: poema de fundo melancólico;

– a ode: composição pequena, de caráter erudito, com elevação do pensamento, sobre vários assuntos. As odes podem ser classificadas em pendáricas (cantam heróis ou acontecimentos grandiosos), anacrônicas (cantam o amor e a beleza), e satíricas (celebram assuntos morais e / ou filosóficos);

epístola: composição em que o autor expõe suas ideias e opiniões, em estilo calmo e familiar. Pode ser doutrinária, amorosa ou satírica;

epitalâmico: composição em honra aos recém-casados, própria para ser recitada em bodas;

canção: composição erudita, de longas estrofes, versos decassílabos por vezes entremeados com outros de seis sílabas (heroicos) e de caráter amoroso;

epigrama: composição de 2 ou 3 versos com pensamentos engenhosos e de estilo cintilante;

– sextilha: composição de seis estrofes de seis versos com uma forma muito engenhosa, em que as palavras finais dos versos de todas as outras, apenas com a ordem trocada;

ditirambos: canto festivo para celebrar o prazer dos banquetes;

Antropocentrismo: O mundo e as ideias deixam de girar em torno de Deus (teocentrismo) e passam a centrar-se no homem.
A natureza passa a ser valorizada e investigada, encarada como fonte de vida e prazer, posta a serviço do homem, e não mais como pecado. Foi a valorização das capacidades físicas e espirituais do homem.

Influência da cultura greco-latina (Paganismo): A imitação dos modelos greco-romanos da antiguidade está na base da renovação literária surgida no Renascimento que tomou o nome de Classicismo.
Como nas outras artes, também na literatura isso não significa copiar, e sim recriar.

Os autores clássicos mais seguidos no Classicismo foram Homero, Virgílio, Ovídio, dentre outros. Também a teoria de Platão (essência x aparência) na concepção do amor foi muito difundida.

Racionalismo / Universalismo: Observemos essa estrofe de um soneto de Camões:

Não há coisa a qual natural seja
Que não queira perpétuo o seu estado
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja. (sobra)

Podemos perceber como o autor nesses versos trabalha mais com o conceito do amor do que propriamente com os sentimentos. (Diz-se que ele universaliza os sentimentos, tira o caráter individual dos mesmos). A conjunção conclusiva logo confirma a preocupação do texto com a lógica e com as ideias.

Esse racionalismo, contudo, não se dá apenas na literatura. Manifesta-se também na ciência e nas atividades econômicas daquela sociedade, voltada para o comércio, para as navegações e para os lucros.

Pode-se dizer que a necessidade de compreender melhor, dominar e transformar a natureza experimentada pelo burguês do século XVI levou-o a substituir a fé cristã pela razão, pondo fim à mentalidade teocêntrica medieval.

Uso da mitologia: Um grupo de artistas, chamados de humanistas, defendia que a cultura pagã, anterior ao aparecimento do cristianismo, era mais rica e expressiva, pois valorizava o indivíduo, seus feitos heroicos e sua capacidade de dominar e transformar o mundo.

Por isso, se empenhavam em imitar as obras da arte da Antiguidade greco-latina, difundir suas ideias e traduzir suas obras para a língua falada na época, o italiano.
A partir daí, seres, deuses e personagens da cultura dos Helenos e Romanos (Vênus, Zeus, Marte, Afrodite, Baco, Eolo…) foram sendo “incorporados” nas artes dos autores Clássicos.

Exaltação das faculdades humanas: A valorização das capacidades físicas e espirituais do homem foi chamada de antropocentrismo e, naturalmente, contrapunha-se à visão teocêntrica do mundo imposta pela Igreja.

Busca do amor platônico, elevado, espiritual / Neoplatonismo: Seguindo a concepção platônica onde existe um mundo que percebemos com os sentidos, ilusório e confuso, de sombras onde nada é estável ou permanente chamado Mundo dos Fenômenos e outro mais elevado, espiritual e eterno, onde está a imutável essência de todas as coisas e acessível somente através da razão chamado Mundo das Ideias, os autores clássicos buscavam um amor idealizado, espiritualizado e racional, que se aproximava da Verdade Absoluta.
A partir daí, o amor é visto de uma forma distante, onde muitas vezes o ser amado não tem conhecimento de sua situação e o desejo é aplacado pelo juízo.

A filosofia de Platão exerceu grande influência no Ocidente. Até o século XV, apenas uma pequena parte de sua obra era conhecida. Em 1481, o humanista italiano Ficino traduziu todos os seus textos para o latim, colocando-o ao alcance dos intelectuais.

Mas a leitura de Platão sofreu influências das ideias cristãs que imperavam na época. Com isso, o Mundo das Ideias, o reino da Verdade absoluta, passou a ser associado ao Céu cristão. De qualquer forma, seu pensamento marcou bastante a vida cultural do Renascimento.

Observa-se, por exemplo, nesses versos de Camões do poema “Babel e Sião”, de Camões, a presença clara das ideias platônicas:

Mas, ó tu, terra de Glória
Se eu nunca vi tua essência,
Como me lembrais na ausência?
Não me lembras na memória,
Senão na reminiscência?

Que alma é tabua rasa
Que com a escrita doutrina
Celeste tanto imagina,
Que voa da própria casa
E sobe à pátria divina

Não é logo a saudade
das terras onde nasceu
A carte, mas é do Céu
Daquela santa Cidade
De onde esta alma descendeu.

Sujeição a regras rígidas de conteúdo e forma: Os escritores renascentistas trouxeram à tona a valorização de conteúdo, com temas universalistas e racionais e de forma, com versos decassílabos distribuídos em duas quadras e dois tercetos (medida nova – soneto).
Também recuperaram outras, de inspiração clássica, anteriormente citadas.

Clareza e objetividade e uso de linguagem sóbria, simples e precisa: Pelo próprio Universalismo e Objetivismo, anteriormente citados.

Valorização do gênero épico para cantar os feitos de heróis nacionais: A mais importante obra épica do classicismo português é a epopeia Os lusíadas que narra os feitos heroicos dos portugueses (os lusos, daí o nome da obra), que, liderados por Vasco da Gama, lançaram-se ao mar numa época em que ainda se acreditava em monstros marinhos e abismos.

Ultrapassando os limites marítimos conhecidos – no caso o cabo das Tormentas ao sul da África – chegariam a Calicute, na Índia. Tal façanha, que uniu o Oriente ao Ocidente pelo mar, deslumbrou o mundo e foi alvo de interesses políticos e econômicos de diversas nações europeias.

Ânsia de fama e glória terrenas / Culto da beleza e da perfeição: Repudiando a concepção medieval do mundo como um “vale de lágrimas”, um lugar de tentações e pecados que desviam o homem do caminho da salvação espiritual, os Renascentistas exaltaram a dignidade do ser humano, destacando-o como um ser livre, capaz de alcançar a felicidade terrena e de criar seu próprio projeto e vida.

O Cristianismo, evidentemente, continua imperando, mas o homem renascentista já não vive tão angustiado com as questões religiosas quanto vivera o homem medieval.
Ao recolocar o ser humano no centro do universo (Antropocentrismo) o Renascimento muda também o conceito que se tinha da natureza. Ela passa a ser vista como o reino do homem, um livro que deve ser investigado e compreendido, estimulando, assim, as pesquisas e as experiências científicas.

Redimensionada, a natureza é encarada como fonte de vida e prazer, que deve ser posta a serviço da felicidade do ser humano. Essa nova forma de considerar o homem representou, pois, uma ruptura com a visão de mundo medieval e fez do Renascimento o marco inicial da era moderna.

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