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Palmares, o Quilombo de Zumbi Revisão de Literatura Vestibular1

Revisão de Literatura: Palmares, o Quilombo de Zumbi

Literatura: Palmares, o Quilombo de Zumbi

Resumão – Revisão da Matéria de Literatura – Revisando seus conhecimentos
Literatura: Palmares, o Quilombo de Zumbi

Revisão de Literatura: Palmares, o Quilombo de Zumbi

 

Resumo de Palmares, o Quilombo de Zumbi

A violenta batalha já dura 22 dias. Ao ataque das armas de fogo, os negros respondem lançando água fervente ou laçando e enforcando os inimigos que ousam aproximar-se. O único jeito de quebrar a resistência é um canhão, que agora cospe fogo e abre brechas na paliçada.

Zumbi percebe o perigo e imediatamente ordena a seus homens que saiam do reduto. Agora, pela frente, estão as tropas dos brancos; pelas costas, um perigoso despenhadeiro. O combate será decisivo: dos mil negros que defendiam a posição, duzentos caem no abismo, centenas tombam mortos ou feridos e uns poucos fogem como podem. Entre eles, apesar de ter sido baleado por duas vezes, está Zumbi.

O rei negro só morrerá um ano depois. Traído por um antigo companheiro, é localizado e morto juntamente com um punhado de homens, que permaneceram lutando até o fim, leais a seu chefe. Sua cabeça é decepada e exposta no centro de Olinda, para que sirva de exemplo.

Mais que a morte de um herói, o episódio representa uma importante etapa na história da luta pela emancipação do negro no Brasil. O Quilombo dos Palmares, cujo último líder foi Zumbi, participou intensamente dessa história.

 

Quilombo, Rota da Liberdade

No começo do século XVII, já havia 20 mil escravos negros no Brasil. Mas apesar de se adaptarem bem ao trabalho nas lavouras e engenhos, mantinham em comum o forte desejo de liberdade. E, sempre que possível, fugiam do cativeiro. Embrenhando-se na floresta, tratavam de unir-se, para tentar escapar a recaptura. Formavam agrupamentos na selva, verdadeiras aldeias, que ficaram conhecidas como quilombos.
Os fazendeiros promoviam a busca aos foragidos, organizando “entradas” – expedições que vasculhavam a floresta procurando os insubmissos.

Mas apesar da frequência das entradas, centenas de quilombos foram surgindo, principalmente no Nordeste. A maioria, contudo, teve vida curta. A rigor, só um deles enfrentou as entradas, mantendo guerra prolongada contra os fazendeiros: foi Palmares.

 

Palmares, o Nascimento

Já em 1600, um grupo de trinta ou quarenta fugitivos homiziara-se na serra da Barriga, em terras do atual Estado de Alagoas. Protegidos pelas densas florestas de palmeiras – donde o nome Palmares –, os negros evitaram as entradas mandadas à sua procura em 1602 e 1608, ao mesmo tempo em que faziam expedições para raptar mulheres.

Na floresta, foram construindo os primeiros mocambos (cercas), grupamentos de choupanas rústicas cobertas de folhas de palmeira. Cada mocambo tinha seu chefe, da nobreza africana; mas isso não impediu que alguns, sem serem nobres, conseguissem o posto pela habilidade.
Cada mocambo tinha sua própria organização. Mas tinham traços em comum, como o tipo de justiça – que punia com a morte a fuga do quilombo, o adultério e o homicídio – e o sistema de defesa, que incluía postos de vigia no meio da mata e caminhos camuflados que interligavam todos os mocambos.

Palmares, o Crescimento

Com a chegada dos holandeses a Pernambuco, em 1630, e a subsequente guerra, as lavouras desorganizaram-se, o que permitiu que a fuga de escravos se intensificasse. Palmares recebeu uma leva tão grande de fugitivos que sua população, nessa época, chegou a 10 mil habitantes, entre os quais havia também alguns índios, mulatos e até brancos (talvez criminosos foragidos).

Os holandeses, dominando todo o litoral nordeste até a fronteira da Bahia, tentaram destruir o quilombo por duas vezes, em 1644 e 1645, sem êxito. Depois que eles foram expulsos do Brasil (1654), os portugueses hesitaram em organizar novas entradas. Destruir o quilombo tornar-se grande empreitada.

Palmares, o Apogeu

Palmares continuou crescendo. No seu apogeu, em 1670, ele ocupava boa parte do atual Estado de Alagoas e a porção oriental de Pernambuco, num território de 260 km. De extensão por 132 km de largura, em faixa paralela à costa se distribuíam cerca de 50 mil habitantes.
Sua economia prosperou a tal ponto que mantinha comércio regular com as vilas próximas (Serinhaém, Porto Calvo, Penedo). Em troca de pólvora, armas de fogo, tecidos e instrumentos agrícolas, os quilombolas forneciam produtos agrícolas, pescado e a caça.

Palmares, a Decadência

Palmares tinha aproveitado a trégua para fortalecer-se. Mas a guerra voltaria – e violenta. Acontece que os fazendeiros começaram a inquietar-se diante das constantes infiltrações dos palmarinos em seus domínios, promovendo sedições e fugas. Por outro lado, eles já sentiam a decadência do açúcar e tinham os olhos ávidos sobre a mão de obra gratuita que poderiam fornecer os quilombolas, se aprisionados.

Entre 1667 e 1673, organizaram-se várias expedições contra o quilombo, que reagia a cada investida, atacando as fazendas dos brancos e incendiando as plantações. Até 1674, travaram-se sangrentas batalhas, mas os resultados foram equilibrados. Nesse ano, Pedro de Almeida, novo governador da Capitania de Pernambuco, organizou uma grande expedição, que além de soldados da tropa comum incluía um contingente de índios e o “Terço de Henrique Dias”, tropa negra criada na luta contra os holandeses. Outra vez, porém, os terríveis combates terminaram sem vencedor.

Em 1675, poderoso exército comandado por Manuel Lopes localiza e ataca um mocambo “de mais de 2 mil casas”. Os negros resistem por mais de duas horas, só se retirando quando as choupanas são incendiadas. Manuel Lopes não para aí: sabendo que os negros tinham reorganizado suas defesas a 25 léguas dali, parte para o ataque. Muitos palmarinos abandonam o quilombo, entregando-se. É o começo da decadência.
Lopes instala-se na “cerca” do Macaco e em 1676 recebe auxílio de Fernão Carrilho, que já se distinguira em campanhas anteriores contra os mocambos de Sergipe e na luta contra os índios.

No ano seguinte, Carrilho comanda uma expedição contra o mocambo da velha Aqualtune, conseguindo surpreender os negros, que fogem mas deixam muitos prisioneiros. Carrilho estabelece-se aí, pede reforços e passa a fazer incursões – relâmpago, com excelentes resultados. Mata Toculos filho de uma das três esposas de Ganga Zumba, rei de Palmares; e aprisionam Zambi e Acaiene, também filhos do rei.

Carrilho anima-se e agora investe contra o mocambo de Subupira, encontrando-o destruído pelos próprios negros. Mas na fuga os quilombolas desorganizaram-se e Gana Zona, chefe militar de Palmares, é aprisionado. Carrilho supõe que o quilombo já está extinto e regressa a Porto Calvo, depois de ter fundado o Arraial de Bom Jesus em pleno território de Palmares.

O governador Pedro de Almeida percebe que o quilombo, longe de ter sido destruído, tende a reorganizar-se. Aproveitando sua vantagem militar, propõe à paz a Ganga Zumba, dentro destas condições: Palmares submeter-se-ia à Coroa Portuguesa, mas teria liberdade administrativa, sendo elevado à categoria de vila, na qual Ganga Zumba teria o cargo de mestre – de – campo. Ganga Zumba sabe que está em desvantagem. Aceita a proposta e seus representantes firmam o acordo, selado com uma missa de ação de graças no Recife.

O “Capitão” Zumbi

Mas a guerra ainda vai durar. Dois importantes chefes de mocambo, os irmãos Zumbi e Andalaquituche, não concordam com a decisão de Ganga Zumba e propõe-se a libertar todos os escravos. Pedro de Almeida responde tentando reforçar a autoridade de Ganga Zumba, enquanto muitos jovens fogem para mocambos de Zumbi.
Em meio à controvérsia, Ganga Zumba é envenenado e Zumbi torna-se rei. Numa derradeira tentativa de obter a pacificação, o governador liberta Ganga Zumba, mas isso não adianta nada. As lutas vão recomeçar.

Entre 1680 e 1691, elas são violentas. A capacidade militar e a coragem pessoal de Zumbi impõem sucessivas derrotas aos atacantes, que passam a respeita-lo; editais espalhados para exorta-lo à paz chamam-no de “capitão”. Para os brancos, ele é um “negro de singular valor, grande ânimo e constância rara”. Eles chegam a afirmar que Zumbi “aos nossos serve de embaraço; aos seus, de exemplo”.

Cabeça de Zumbi, o Exemplo

O novo governador, Souto Mayor, resolveu organizar um exército especialmente para destruir o reduto de Zumbi. A 3 de dezembro de 1691, ele conclui um acordo com o bandeirante Domingos Jorge Velho, que comandará a tropa e receberá, por isso, um quinto do valor dos negros que apresar na campanha, além de terras para serem distribuídas entre seus homens.

Jorge Velho ataca no ano seguinte a sede de resistência de Zumbi, o mocambo do Macaco. Promove ofensiva aberta como costumava fazer em suas lutas contra os índios e o resultado é ter sua tropa arrasada. Pedem-se reforços, que vem em forma de tropas pernambucanas chefiadas pelo capitão – Mor Bernardo Vieira de Mello.

Até 1694, o mocambo é mantido sobre sítio, mas as investidas são duramente repelidas. A 6 de Fevereiro desse ano, porém as tropas de Zumbi são dizimadas. Prensadas entre as forças do inimigo e um despenhadeiro, elas não resistem. Duzentos dos mil negros que guarnecem a posição caem no abismo. Os outros, ou tombam mortos e feridos ou, a exceção fogem. Entre eles vai Zumbi.

Segue-se dura perseguição aos sobreviventes. Segundo os documentos da época “o sangue que iam derramando serviu de guias as tropas”. Quase todos são aprisionados, mas Zumbi não aparece. O líder dos negros só é localizado um ano depois. Morto e esquartejado, sua cabeça é exposta no centro da cidade de Olinda, para servir de exemplo.
Mas, longe de desencorajar, o exemplo de Zumbi inspirara mais ainda a luta dos negros em busca de sua emancipação.

Revisão de Literatura: Palmares, o Quilombo de Zumbi

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