Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

Revisão de Literatura: Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

 

Literatura: Pré Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

Resumão – Revisão da Matéria de Literatura – Revisando seus conhecimentos
Literatura: Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

Revisão de Literatura: Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

 

Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

Características

O texto que você vai ler foi extraído da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. Ele será o ponto de partida para o nosso estudo Pré – Modernismo.

Texto para Análise
[LITORAL X SERTÃO]
Em vista dos fracassos de outras expedições militares, novas tropas do governo partem para atacar o arraial de Canudos, no sertão da Bahia, considerado um perigoso foco de resistência antirrepublicana onde estão refugiados os sertanejos liderados por Antônio Maciel o Conselheiro.

Os novos expedicionários ao atingirem-no [o sertão] perceberam esta transição violenta. Discordância absoluta e radical entre as cidades da costa e as malocas de telha do interior, que desequilibra tanto o ritmo de nosso desenvolvimento evolutivo e perturba deploravelmente a unidade nacional. Viam-se em terra estranha. Outros hábitos. Outros quadros. Outra gente.

Outra língua mesmo, articulada em gíria original e pinturesca. Invadia-os o sentimento exato de seguirem para uma guerra externa. Sentiam-se fora do Brasil. A separação social completa dilatava a distância geográfica; criava a sensação nostálgica de longo afastamento da pátria.
Além disto, a missão que ali os conduzia frisava, mais fundo, o antagonismo. O inimigo lá estava, para leste e para o norte, homiziado nos sem – fins das chapadas, e no extremo delas, ao longe, se desenrolava um drama formidável…

O que ia fazer-se era o que haviam feito às tropas anteriores – uma invasão – em território estrangeiro. Tudo aquilo era uma ficção geográfica. (Os Sertões, São Paulo, Abril, 1979. P. 368)

Denúncia de graves desequilíbrios econômicos, revelação do desconhecimento dos diversos “Brasis” que existem em nosso território e das grandes diferenças culturais que há entre os homens do litoral e os homens do sertão, essas constatações estão presentes na obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, revelando um Brasil problemático, que precisava ser “descoberto” e analisado.

O interesse pela análise da realidade brasileira e dos problemas que afligiram a nossa sociedade é o ponto comum entre alguns dos escritores do começo do século XX, a quem se dá o nome de pré-modernos.

 

Críticos da Sociedade Brasileira

Ao se iniciar o século XX, a literatura brasileira não apresentava sinais de renovação. Na poesia, repetiam-se as fórmulas parnasianas, enquanto na prosa reproduziam-se os lugares comuns do Romantismo e do Realismo. A literatura, de modo geral, passava ao largo dos problemas mais sérios da sociedade brasileira, e era encarada apenas como uma forma inconsequente de entretenimento das elites.

No entanto, alguns poucos escritores, rejeitando os modismos, conseguiram destacar-se nesse período, criando obras que representavam outra postura intelectual em face da realidade sociocultural brasileira. Expressando uma visão crítica dos problemas brasileiros, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Graça Aranha e Lima Barreto, em maior ou menor grau acabaram por antecipar uma das tendências mais marcantes do Modernismo: a criação de uma literatura que investigasse mais profundamente o Brasil. Por essa característica, esses autores podem ser considerados pré-modernos.

* Euclides da Cunha, em Os Sertões, revela a situação miserável do sertanejo nordestino, abandonado pelo governo, que, em vez de compreender e resolver o problema das desigualdades sociais, só sabe agir com violência e crueldade do camponês brasileiro. Graça Aranha, no romance Canaã, enfoca os problemas dos imigrantes e sua integração na sociedade brasileira. Lima Barreto trata, em sua obra, da vida obscura do proletariado urbano, dos moradores dos subúrbios e das favelas cariocas do começo do século.

Como se percebe, a literatura desses escritores não era feita para adormecer o leitor e sim para desperta-lo para a reflexão de problemas que atingiam profundamente a sociedade brasileira.

 

Euclides da Cunha

Nasceu no Rio de Janeiro em 1886 e aí morreu em 1909. Cursou a Escola Militar e a Politécnica, formando-se em Engenharia. Mais tarde, desligado do Exército, foi colaborador do jornal O Estado de São Paulo que, em 1897, o enviou a Canudos, interior da Bahia, para informar sobre as operações que o Exército estava realizando para sufocar a rebelião liderada por Antônio Maciel, o Conselheiro.

Em 1902, publica Os Sertões, baseado nas pesquisas e reportagens feitas para o jornal paulista, causando um grande impacto não só pela originalidade e exuberância de seu estilo como também pela corajosa crítica às ações do Exército que, em 1889, assumira o governo e proclamara a República.
Escreveu ainda Contrastes e Confortos (1907) e À Margem da História (1909)

 

Os Sertões

Embora nãos seja ficção, este livro de Euclides da Cunha pode ser considerado uma obra literária pelo tratamento artístico a que o autor submeteu o assunto e a linguagem. E pode ser considerado pré-moderno pela visão crítica que teve o autor na analise dos fatos que presenciou na região de Canudos.

Segundo o autor, os sertanejos que se refugiaram na vila de Canudos, onde criaram um estilo comunitário de vida, não poderiam ser considerados culpados, mas produtos de uma série de fatores econômicos, geográficos, raciais e históricos. Abandonada pelo governo, a população miserável do sertão – formada pela mistura do branco com o negro e o índio – foi se isolando cada vez mais, organizando-se em comunidades fechadas e muito atrasadas culturalmente, facilitando o surgimento do misticismo e fanatismo religiosos. Com isso, criavam-se promessas de paraíso e redenção.

A figura carismática e impressionante de Antônio Maciel, o Conselheiro, cumpriu esse papel de líder, aglutinado em torno de si uma multidão de sertanejos miseráveis, sedento de esperança e de melhores condições de vida. A presença incomoda daquele povoado, cuja população aumentava bastante, acabou provocando a interferência de tropas policiais.

A resistência obstinada dos sertanejos, para quem a luta se revestia de caráter religioso, foi tornando o combate cada vez mais violento, apesar da diferença de recursos, até o envolvimento de tropas federais, que, depois de muito tempo, arrasaram o arraial de Canudos, numa carnificina impressionante.

Argumentando a caberia a “Civilização do Litoral” compreender o problema e não simplesmente exterminar os rebeldes pelo massacre, o autor fez uma severa crítica às ações do exército, culpando-o pelo que chamou “crime de Canudos”: aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo.

O livro divide-se em três partes: “A terra” – em que o autor estuda cientificamente a região; “O homem” – em que procura mostrar as características peculiares do sertanejo; “A luta” – que narra os combates ocorridos entre as tropas do governo e os sertanejos.

[A ENTRADA DE UM GRUPO DE PRISIONEIROS]
Os combates completavam-nos entristecido. Surpreendiam-se como viam-se. O arraial, in extremis, punha-lhe adiante, naquele armistício transitório, uma legião desarmada, multilada, faminta e claudicante, num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres bombardeados durante três meses.

Completando-lhes os rostos baços, os arcaboços esbirrados e sujos, cujos molambos em tiras não encobriam lanhos, escaras e escalarvos – a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito. Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, de reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada humana – do mesmo passo angulhenta e sinistra, entre trágica e imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças e molambos…

Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de campeador domado: mulheres, sem – número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e moças indistintas da mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris desnalgados, filhos encarapitados as costas, filhos suspensos aos peitos murchos, filhos arrastados pelos braços, passando; crianças, sem número de crianças, velhos, sem – número de velhos, raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante.

Veja também:
Biografia de Euclides da Cunha
Resumo Os Sertões de Euclides da Cunha

Revisão de Literatura: Pré-Modernismo Os Sertões Euclides da Cunha

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