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Revisão de Atualidades: Processo de paz Israel Palestina

 

Atualidades: Processo de paz Israel Palestina

Resumão – Revisão da Matéria de Atualidades – Revisando seus conhecimentos
Atualidades: Processo de paz Israel Palestina

Revisão de Atualidades: Processo de paz Israel Palestina

 

Processo de paz Israel Palestina

Após a derrota do Iraque e o fim da guerra fria, muitos analistas internacionais destacavam a “derrota do mundo árabe”, dividido, enfraquecido econômica e militarmente, além de não contar mais no discurso político com a legitimidade unificadora conferida anteriormente pela defesa (ainda que muitas vezes retórica) da causa palestina, pois a OLP enfrentava uma aguda crise política, militar e financeira.

Ao mesmo tempo, intensificou-se a repressão nos territórios ocupados, onde ocorria uma instalação recorde de colonos judeus. Entretanto, o Secretário de Estado norte-americano realizava intensos contatos na região, tentando articular uma conferência de paz, o que parecia contrariar a política israelense de então, liderada por uma coalizão direitista.

Opositores islâmicos protestam contra Israel, em Amman

Na verdade, Israel estava sendo pressionada pelos EUA. O Presidente dos EUA opunha-se à construção de novas colônias e congelou importantes créditos destinados ao país, até que este iniciasse conversações com os palestinos.

Sem alternativas, cede e iniciou-se a Conferência de Paz de Madri. A escolha da sede da Conferência era significativa: séculos antes, o território espanhol (Córdoba) abrigara o Emirado dos Omíadas, no qual árabes judeus e cristãos puderam desenvolver-se num convívio harmônico. Nessa Conferência, os estigmatizados palestinos surpreenderam politicamente com sua moderação no discurso e firmeza nos interesses.

O que mudara na região? Em primeiro lugar, cabe destacar que, com o final da Guerra Fria e da Segunda Guerra do Golfo, desapareciam as ameaças militares externas e locais. Assim, Israel perdia grande parte de sua importância estratégica para os EUA.

O Tsahal (exército israelense), que até então constituía o mais eficaz instrumento militar aliado do Ocidente no Oriente Médio em caso de guerra, passou a ser encarado como relativamente menos importante, extremamente caro, bem como instrumento de setores judaicos que formulavam políticas que Washington considerava desestabilizadoras para a região.

Em segundo lugar, é importante salientar que o campo árabe moderado jogara no desencadeamento e desenvolvimento do conflito um papel muito mais importante que aparentava, pois Cairo e Riad eram as capitais articuladoras de uma nova estratégia para a região. Esses países e outras nações vizinhas opuseram-se à ocupação e partilha do Iraque.

Além disso, o Eixo Riad-Cairo fazia pressão sobre os republicanos norte-americanos, aliados preferenciais das petromonarquias, para que esses forçassem Israel a fazer concessões no tocante à questão palestina, tentando solucioná-la através de uma conferência internacional.

Por que, então, os Estados Unidos, a potência formalmente “vencedora” da Guerra Fria, foram forçados a aceitar o jogo diplomático dos árabes moderados? Além de o Partido Republicano ser mais ligado aos interesses petrolíferos, e também precisava converter parcialmente o complexo militar-industrial americano e cortar gastos armamentistas.

Isso serviria, em parte, para equilibrar o orçamento, relançar o crescimento econômico e buscar tornar a tecnologia e o comércio americanos mais competitivos frente aos japoneses e aos europeus, particularmente os alemães.

Não se tratava apenas de promover a paz e cortar despesas numa das regiões mais problemáticas do planeta, mas também, ao realizá-la na perspectiva das petromonarquias, obter bilhões de petrodólares necessários à economia norte-americana. Esse “dinheiro novo”, que irrigaria e ajudaria a revitalizar uma economia em recessão, encontrava-se nos bancos árabes do Golfo, um dos novos e mais vigorosos centros financeiros mundiais.

Tanto na perspectiva dos Estados Unidos quanto das petromonarquias e dos demais Estados árabes moderados, havia o interesse econômico de estabilizar a região a um custo

Palestinos queimam bandeira israelense durante funeral de garoto morto em choque entre os grupos limitado para que ela pudesse se inserir de forma satisfatória na nova ordem mundial, já que representa uma área estratégia e economicamente promissora do Terceiro Mundo. Mas há também outros problemas envolvidos na questão.

Os EUA passam a apoiar-se nos protagonistas mais fracos como parte de uma política de reduzir a influência dos polos regionais de poder, amigos ou inimigos. Trata-se, em suma, de evitar o surgimento ou fortalecimento de potências médias. Nesse sentido, as negociações de paz em Madri representavam uma continuação de certos objetivos estratégicos da Guerra do Golfo.

Existem razões suplementares para os “apelos ao Império” por parte do Eixo Riad-Cairo. O lider desmascarou a fragilidade e artificialidade do Kuwait e, por extensão, das demais petromonarquias. Os Sheiks temem as demandas políticas democratizantes e distributivas socioeconômicas de suas próprias populações.

Além disso, a queda dos preços do petróleo e o agravamento da crise socioeconômica na região criaram um problema adicional, além de comprometer a capacidade de os monarca magnatas do Golfo prestarem ajuda aos governos, partidos ou segmentos sociais das áreas mais explosivas do Oriente Médio, como era prática até um passado recente.

Nesse sentido, a situação torna-se cada vez mais explosiva do ponto de vista social. Faz-se, portanto, necessário lograr um certo equilíbrio diplomático, pois até o presente as guerras têm sido catalisadoras de revoluções e mobilização social em todo o Oriente Médio.

Simultaneamente, o governo israelense procurou ganhar tempo arrastando as conversações de paz. Haveria eleição nos Estados Unidos e o Likud apostava todas as cartas numa possível derrota do presidente americano frente aos democratas.

Os grandes meios de comunicação mundial logo começaram a investir contra o favoritismo do líder norte-americano, de certa forma decorrente da guerra contra o Iraque. Mas os democratas não conseguem articular uma candidatura viável, mesmo sendo poupados pela mídia quanto aos escândalos amorosos e aos ligados ao não cumprimento do serviço militar, que em diferentes ocasiões teria derrubado outros.

Surge então o candidato “independente” e a revolta de Los Angeles, um dos principais centros da indústria armamentista, duramente atingida pelos cortes nos gastos militares.

Contudo, a situação em Israel não era melhor. A recessão e o desemprego, agravados pela constante chegada de novos imigrantes soviéticos, bem como as dificuldades militares nos territórios ocupados e no sul do Líbano, produzem um mal-estar generalizado na sociedade israelense. A intransigência dos conservadores começa a parecer um suicídio político aos olhos da opinião pública.

Assim, os trabalhistas, apoiados por uma coalizão do centro à esquerda, vencem as eleições e formam um novo governo. Tratava-se tanto de uma expressão do descontentamento popular como de uma manobra tática da elite política israelense, pois na luta pelo cargo de primeiro-ministro venceu a ala direita do Partido. Seu rival interno, ficou com o Ministério de Relações Exteriores.

Paralelamente a essa espetacular evolução, o fundamentalismo islâmico ganhava notoriedade política, passando a pesar no jogo internacional. A mídia, ávida de sensacionalismo, alimenta uma imagem de hordas fanáticas e antiocidentais, a “maré verde” que estaria sendo orquestrada por Teerã. Aqui é necessário precisar algumas questões.

Os movimentos políticos de caráter islâmico tiveram origem em grupos de perfil fascistizante como os Irmãos Muçulmanos, desde o entre guerras. Esses movimentos foram apoiados pelos Estados conservadores, particularmente as petromonarquias, as quais, inclusive, legitimavam-se aos olhos da população como verdadeiras defensoras do “islã puro”, medieval (os sauditas são os guardiões dos lugares santos de peregrinação).

Garoto palestino mira em soldados israelenses com arma de brinquedo, na Faixa de Gaza

O fundamentalismo islâmico passou a ganhar terreno em outros países da região, inclusive dentro do movimento palestino, até então essencialmente nacional e laico.
As ações, por vezes espetaculares, do Hezbollah (Partido de Deus, dos xiitas libaneses) no sul do Líbano e os atentados do Hammas (movimento islâmico palestino) nos territórios ocupados catalisam a atenção de uma população desesperada pela repressão, pobreza e avanço das colônias judaicas.

É importante acrescentar, entretanto, que a indefinição, ou melhor, o caráter vago da ideologia e o programa de ação política do fundamentalismo islâmico mantêm aberta a porta da influência dos grupos conservadores e economicamente dominantes do mundo árabe.

Revisão de Atualidades: Processo de paz Israel Palestina

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